domingo, 3 de janeiro de 2010

Bem vindo 2010

E pronto. Cumpriu-se o ritual e chegou o Ano Novo. Este ano, para mim, chegou carregado de desafios, de provocações, de sonhos e de provações também. Deixei longe o meu neto, o meu Manel Bernardo, e voltei à vida real, ao quotidiano, com a sensação de se ter estilhaçado a bola de cristal onde, durante uns dias únicos, vivi e fui FELIZ!Eu, que conheço tão bem as mágoas, as desilusões, os impossíveis, as mesquinhices de um mundo pequenino, vivi possíveis, recuperei a gargalhada e recebi o Novo Ano cheia de projectos e certezas. Agora, amanhã já, vou voltar à Escola, aos meus miúdos refilões e doces, preguiçosos também, às conversas de vazios, às tarefas sem interesse. Mas vou fazê-lo com o coração cheio, quente, carregado de esperança e de Fé num futuro, que é já presente, muito melhor.
Bem vindo 2010!!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Novo Ano

Aproxima-se o fim de ano. Termina o 2009, que parece há pouco ter começado..., e é tempo de fazer balanços, de lembrar momentos bons, lamentar os os menos bons e tentar esquecer os maus. Todos os anos, eu, tal como milhões de pessoas no mundo inteiro, realizo esta tarefa de sublimação do passado. E todos os anos, invariavelmente, constato a velocidade alucinante do Tempo e as cedências que, estupidamente, lhe fiz. Este 2009 trouxe-me a alegria de ser avó. Sem dúvida, foi o facto mais marcante destes 365 dias que esgotei sem (quase) dar por isso. Mas trouxe-me também, será talvez a proximidade dos meus 50 anos??, um desejo imenso de, como costumo dizer aos meus alunos, "agarrar a vida pelas orelhas" e obrigá-la a cumprir-se a meu gosto. Este 2009 ensinou-me que a vida existe para ser vivida e não sofrida. A infelicidade, os azares, as chatices, acontecem inevitavelmente mas nós podemos não nos deixar vencer e, sobretudo, não ceder às tiranias de uma vida que, parafraseando a MAFALDA tem muito mas de moderna, do que de vida.
Ano Novo é tempo, também, de promessas e projectos. Em miúda, copiando o que lera nos livros da Enid Blyton e da Condessa de Ségur, costumava fazer uma longa lista de intenções. Olhava a lista nos primeiros dias do Novo Ano e, num instante, esquecia-a na gaveta dos segredos (que mantenho!) só voltando a olhá-la no final do ano. Agora, em vez de intenções, ou para além de intenções, tenho projectos. Projecto provocar possíveis de SER e EXISTIR junto dos meus alunos. Projecto fazê-los aprender a gostar de ler, de conversar, de saborear a Arte da escrita; projecto passar mais tempo com os meus amigos. Ficam, vezes demais..., esquecidos nesta minha existência maluca. Este 2010, quero ver crescer o Manuel Bernardo, cheio de refilice, mau feitio e saúde, quero ver as minhas filhas a desafiarem possíveis e quero, eu também, encontrar a cumplicidade efectiva que tanto desejo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Felizmente Turista



Este mês em Cambridge, este mês diferente a iniciar numa nova fase da minha vida - AVÓ -, incluíu um dia em Londres, cidade da minha eleição. Conheço Londres já bastante bem, tenho os meus lugares preferidos, tenho memórias para desfiar sempre que lá vou. Gosto de me perder por Covent Garden, adoro passear na Regent Street sentindo-me no centro do Mundo, impressionam-me sempre os grandes edifícios e delicio-me, sem reservas, com o Museu madame Tussauds (sei que é para turistas, que é foleiro, mas eu ADORO e divirto-me imenso sempre que lá vou).
Desta vez, a Joana foi a minha companhia e o nosso objectivo era visitar a Torre de Londres, ver as jóias da coroa, e entrar em Westminster. Cumprimos o programa, com direito ainda a passeio na Regent, na Oxford e, rapidamente, na Tower Bridge of London. A Joana é a melhor das companhias! Rimo-nos, aprendemos, e assistimos, até, a uma representação de Teatro de rua no espaço da Torre de Londres. Grande dia!! Há muito tempo que não me sentia tão...felizmente turista!!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A Consoada

Está quase a chegar o Menino Jesus, este ano carregando presentes para o Manuel Bernardo. A ceia fez-se de globalização efectiva, Christma's Pudding, pão de ló, leite de creme, perú assado, petit-gâteau e mince pies. Não faltou o Porto, nem o espumante, nem sequer as músicas de Natal pela voz do eterno Sinatra. Daqui a pouco, vai chegar o Jesus, vamos trocar presentes e eu vou pensar em quem está longe e eu queria ter aqui.
Curioso como os meus Natais se vestem, há anos demais, de ausências dolorosas. Felizmente, este 2009, o Manel Bernardo enche o espaço todo!!!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quase - Quase

Está quase-quase-quase a chegar a Noite Mágica. Para mim, tecida de sentires e emoções, a noite de 24 de Dezembro é a mais importante do ano inteiro e, amanhã, vai acontecer. Aqui, em Inglaterra, nesta Cambridge nevada e linda, o Natal ganha novo colorido. Em cada esquina há coros, soam Merry Christma's contantes, e as montras apresentam-se cheias de deliciosos gingerbread biscuits. Sempre que os vejo, ou compro, lembro-me da história do Menino Biscoito que, claro..., já contei ao Manel Bernardo.
Este ano, eu, alentejana confessa e convicta, habituada a filhós e azevias de grão,tento integrar esta festa diferente e, por isso, comprei também o English Christma's Pudding. Como tenho a mania da qualidade, fui comprá-lo numa lojinha pequena, feito à moda caseira (garantia a publicidade) e vim para casa feliz. Ao abrir a deliciosa sobremesa, reparei que trazia instruções e, maldizendo os ingleses e a mania das regras, lá li aquela lengalenga toda para, no fim, ficar a saber que tenho de cozer o pudim em casa, em banho Maria...Amanhã, depois de fazer o meu delicioso leite de creme - desse ninguém aqui abdica! -, lá vou cozer o Christma's Pudding rezando para que aquilo valha o esforço e as libras gastas.
Pois é...Amanhã será consoada em Inglaterra! Com o Manel Bernardo como Menino Jesus e um Presépio vindo de Portugal para enganar as saudades.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

21 de Dezembro 1952

21 de Dezembro era, dantes, data a assinalar em minha casa. Os meus pais faziam anos de casados e havia, sempre, um Porto especial, que deixava a minha mãe a dizer ai-ai estou tão tonta, e a eterna história da canja de perdiz que os recebeu, recém-casados, na casa da Serra, na Casa da minha essência, chegados da cerimónia em Fátima. Nós, os filhos, ouviamos repetidamente a história, riamos, brincavamos e aprendemos a lembrar a data.
O casamento dos meus pais, a existência dos dois como um só, foi uma história de amor de espantar. Não me lembro, nunca, de ter ouvido o meu Pai dirigir à minha Mãe uma palavra azeda, e nunca ouvi a minha Mãe, que sempre teve um feitio torcido...,zangar-se de verdade com ele. Cresci vendo-os de mãos dadas, conversando sempre, constantemente cúmplices e dependentes um do outro. Cresci, vendo que o Amor é possível e real. Depois, quando eu falhei a vida, ou me desencontrei dela, mais valor dei ao amor entre os meus Pais. Fui com eles, nos últimos anos, a Fátima, repetindo o percurso de mais de 50 anos. Ao lado deles, com o senhor cónego Anacleto já muito velhinho, rezei e pedi um Amor para mim igual ao deles.
Hoje, lembro sozinha o Dia do Casamento dos meus Pais. Conto ao meu neto Manuel Bernardo a história da canja de perdiz, lembro para ele a urgência do meu Pai em ter só para ele a minha Mãe, e peço a Deus que me deixe legar ao meu menino a herança de paixão e ternura que o meu Pai me legou! Hoje, penso no meu Pai. Como sempre, com mais intensidade talvez. Hoje, bebo um Porto sozinha lembrando a possibilidade de um grande amor ser eterno!

domingo, 20 de dezembro de 2009

O Boneco de Neve


Sobre Cambridge, indiferente ao frio e à neve, o bonequinho dourado brilhava. Brilhava, ufano, aproveitando cada milímetro de sol, estando-se absolutamente nas tintas para o facto do sol estar gelado. Afinal, no imaginário do bonequinho dourado, paradoxos pessoanos como o sol frio, não tinham lugar. O bonequinho brilhante homenageava a vida e, por isso, fazia render a luz fria, purificando-a, fazendo-a cair no chão, sobre os humanos agasalhados, como pós de falicidade. Olhei aquele bonequinho e lembrei-me da fada Sininho, com o saco de pós de voar, e do Peter Pan, o eterno menino das mil histórias que sempre contava às minhas meninas. Ri-me com gosto e, também porque tenho um casaco novo muito quentinho (um presente de Natal mesmo especial), deixei que me caissem nos ombros os pós mágicos do bonequinho brilhante. Agora, quase a ir para a cama, penso nessa magia e enrosco-me, muito quieta, esperando o resto que essa promessa feliz hoje anunciou...