Dizem que dá saúde, o trabalho. Eu não acho! Para mim, o trabalho é castigo, é sacrifício. Aliás, se não fosse a curiosidade da Eva, e a burrice de Adão (Ah! os homens...), ainda hoje não se trabalhava. Porque, na Bíblia, lê-se que Deus disse "A partir de agora, de castigo, ganharás o teu pão com o suor do teu rosto!" Pode a citação não ser exacta, não me apetece levantar o rabo para ir consultar a Bíblia, mas não importa, porque o que me interessa é provar que o trabalho é uma necessidade e não um prazer. Eu gosto muito de estar com os meus alunos, gosto das aulas, gosto de alguns conteúdos, mas, de verdade mesmo, gostava mais de poder dançar, viajar, ler, escrever, amar, sem ter de cumprir horários. Imagino o que seria a minha vida se não tivesse de trabalhar e... não ouso escrever o que faria.
No entanto, como o que tem de ser, tem muita força, trabalho muito. E, às vezes, trabalho bem. E só sinto que trabalho bem quando retiro prazer do que faço - hélás! egoísmo! - o que, ultimamente, acontece nas sessões de formação que, no âmbito do Novo Programa de Português Para o Ensino Básico, dinamizo em Vila Viçosa. Ali, entre colegas, às voltas com programa, actividades, conceitos, metodologias, progressão, resultados esperados, competências, descritores de desempenho e comprimidos azuis (os professores não são de ferro!), trabalho com gosto. Trabalho, aprendo, cresço como pessoa e como profissional. Passo horas, muitas, preparando as sessões. Passo horas, imensas, lendo portefólios. Mas durmo consolada por achar que, pelo menos três horas por semana, a cada quinze dias, a minha existência se cumpre num fazer com sentido!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
PRIVACIDADE
No meu país em bancarrota, no Portugal do roubo, na terra onde as políticas sufocam as pessoas, onde as diferenças sociais são a cada dia mais gritantes,onde o socialismo se faz de pequenos fascismos, também já não há direito a privacidade. O Ministério das Finanças, em desespero, ataca por todos os lados e toda a gente que, por enquanto..., tem trabalho. Como disse MST "O PEC é a política de extermínio do contribuinte!" Agora, pedem-nos extractos de contas e os contribuintes, pagantes!!, são obrigados a mostrá-los! Pessoalmente, sou absolutamente contra esta prática. Qualquer pessoa deve ter direito à sua privacidade! Se houver um crime, então que se investigue. Mas assim? Ser-se forçado a mostrar a vida privada a serviços?? Não será legítimo que se pretenda gerir a nossa conta como queremos (ou podemos), sem ter de tornar público onde gastamos o nosso - pouco - dinheiro? Por este andar, vamos ter de passar a guardar os talões do supermercado para que as Finanças decidam quantos rolos de papel higiénico podemos comprar por mês...
Há muito que o meu país me entristece, me desgosta. Agora, humilha-me e ofende-me. Ah! Como eu queria poder partir, de vez, só com bilhete de ida!!
Há muito que o meu país me entristece, me desgosta. Agora, humilha-me e ofende-me. Ah! Como eu queria poder partir, de vez, só com bilhete de ida!!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
O Distrito
Chegou ao fim, depois de 126 longos anos de existência, o Jornal da minha cidade, O DISTRITO. Era um jornal de cariz católico, feito com recurso à boa vontade, ao amadorismo, ao amor daqueles para quem Portalegre fazia sentido.
Durante quase 18 anos, semanalmente, colaborei com o Distrito. Era ali, naquele espaço, que abria os meus sentires ao mundo, sob o lema de "Porque o meu mundo não existe". Depois, a mudança da direcção, a vinda de um novo bispo, outras circunstãncias sem interesse, afastaram-me. Mas fiquei sempre olhando com ternura especial um projecto que, durante tantos anos, foi muito meu!! Hoje, lamento o fim do Distrito. É mais uma morte de algo com sentido, é, outra vez, o encarar apenas dos números, do dinheiro, ignorando os valores humanos fundamentais. Pessoalmente, como (má) católica que sou, não consigo ficar indiferente ao que considero serem os erros graves da Igreja Católica!! Gostava de ver os sacerdotes, o senhor bispo, mais próximos da realidade, mais próximos das pessoas, mais preocupados com a formação de crianças e jovens, mais atentos às inevitabilidades da era louca que o mundo atravessa. Hoje, continuo a pensar que O meu mundo não existe, sentindo um imenso desejo de não existir também.
Morreu o Distrito. Morre, também, um enorme pedaço da história das gentes desta cidade que eu adoro! Morre, dentro de mim, um longo período da minha existência...
Durante quase 18 anos, semanalmente, colaborei com o Distrito. Era ali, naquele espaço, que abria os meus sentires ao mundo, sob o lema de "Porque o meu mundo não existe". Depois, a mudança da direcção, a vinda de um novo bispo, outras circunstãncias sem interesse, afastaram-me. Mas fiquei sempre olhando com ternura especial um projecto que, durante tantos anos, foi muito meu!! Hoje, lamento o fim do Distrito. É mais uma morte de algo com sentido, é, outra vez, o encarar apenas dos números, do dinheiro, ignorando os valores humanos fundamentais. Pessoalmente, como (má) católica que sou, não consigo ficar indiferente ao que considero serem os erros graves da Igreja Católica!! Gostava de ver os sacerdotes, o senhor bispo, mais próximos da realidade, mais próximos das pessoas, mais preocupados com a formação de crianças e jovens, mais atentos às inevitabilidades da era louca que o mundo atravessa. Hoje, continuo a pensar que O meu mundo não existe, sentindo um imenso desejo de não existir também.
Morreu o Distrito. Morre, também, um enorme pedaço da história das gentes desta cidade que eu adoro! Morre, dentro de mim, um longo período da minha existência...
terça-feira, 27 de abril de 2010
Confirmação
Assisti hoje, ao vivo e com calor infernal, à confirmação da ineficácia, inoperância e falta de qualidade da nossa democracia. No Parlamento dos Jovens, estiveram deputados, um por Partido, para responder a questões - obviamente selecionadas previamente...-, dos jovens deputados. TODOS gastaram metade do tempo em frases de circunstância e elogios balofos e, depois, todos fugiram às questões dizendo apenas aquilo que lhes apetecia. Passado o momento, traumático para mim, sairam da sala. Todos desapareceram menos o comunista, um João Tiago, jovem, com, como ele disse "escola feita na Juventude Comunista". Boa escola! Porque ficou pelos corredores, falando com os jovens, fazendo-lhes a cabeça. A dada altura, ouvi-o garantir que "foi a Rússia quem venceu e resolveu a IIª Grande Guerra Mundial!! Os americanos e os aliados vieram apenas colher os louros..." Os jovens ouviam-no com atenção. É que ele usa blusão de cabedal, desrespeita as normas, trata-os por tu. Até eu, frontalmente anti-comunista, achei piada à deputada dos Verdes que afirmou banalidades com tal convicção que dava vontade de concordar com ela. Hoje, vivi, decididamente, um dia traumático!
Às dez da manhã ouvi Jorge Lacão garantir que só numa República pode haver democracia (e Inglaterra? Suécia? Noruega? Dinamarca? Bélgica? Espanha?...); depois vivi o pesadelo dos deputados e, para terminar o dia, vi os jovens aprovarem medidas tão idiotas como a criação de mais uma disciplina para, desta vez, os formar civicamente. Não será essa uma dimensão transversal a todo o currículo??
Saí de Lisboa, numa tarde de greve, absolutamente desanimada! Assim, Portugal nunca sairá da mediocridade em que vive! Hoje, confirmei as minhas piores suspeitas sobre o funcionamento da Casa da Democracia em Portugal!
Às dez da manhã ouvi Jorge Lacão garantir que só numa República pode haver democracia (e Inglaterra? Suécia? Noruega? Dinamarca? Bélgica? Espanha?...); depois vivi o pesadelo dos deputados e, para terminar o dia, vi os jovens aprovarem medidas tão idiotas como a criação de mais uma disciplina para, desta vez, os formar civicamente. Não será essa uma dimensão transversal a todo o currículo??
Saí de Lisboa, numa tarde de greve, absolutamente desanimada! Assim, Portugal nunca sairá da mediocridade em que vive! Hoje, confirmei as minhas piores suspeitas sobre o funcionamento da Casa da Democracia em Portugal!
Parlamento dos Jovens
Começou hoje, vai terminar amanhã à tarde, mais uma sessão do Parlamento dos Jovens. Os meus alunos, a Ana, a Catarina, o João e a Madalena, vieram representar o distrito. Eu vim de apoio, afinal sou a responsável pela participação da minha escola nestas aventuras.... Entrei no Parlamento às três da tarde, é já a 4ªvez que acompanho esta iniciativa, e fiquei observando. Os miúdos, jovens do Secundário, de rabo instalado nas bancadas da sala do Senado, discutiam propostas e intervinham. Este ano, o tema é a República (não das bananas, porque trabalha-se para a imagem...). O tema não ajuda, concordo, mas, ainda assim, estou desiludida com as participações dos miúdos. O nível de competência linguística é confrangedor. Quase tão mau como o dos deputados a sério; os argumentos utilizados são ocos, copiados dos dos adultos; as votações, em vez de se fazerem nos ideais e nas concordâncias, combinam-se nos bastidores para conseguirem pequeninas vitórias.
Hoje, sentada nas galerias e morrendo de calor, fiquei apreensiva por ter tido a sensação que estou, como os outros professores, a permitir que estes jovens cresçam reproduzindo modelos errados! A dada altura, apetecia-me gritar aos meus alunos que propusessem o regresso à Monarquia, que subvertessem a idiotice imposta!
Amanhã, há mais. O dia todo. Com direito a almoço na Assembleia. Só espero não ter de engolir muitos sapos mais...
Hoje, sentada nas galerias e morrendo de calor, fiquei apreensiva por ter tido a sensação que estou, como os outros professores, a permitir que estes jovens cresçam reproduzindo modelos errados! A dada altura, apetecia-me gritar aos meus alunos que propusessem o regresso à Monarquia, que subvertessem a idiotice imposta!
Amanhã, há mais. O dia todo. Com direito a almoço na Assembleia. Só espero não ter de engolir muitos sapos mais...
domingo, 25 de abril de 2010
25 de Abril

Quando, há 36 anos já, aconteceu o 25 de Abril em Portugal, eu, com 14 anos, ouvi dizer que vinha aí um mundo novo. Que Portugal era um país livre!
No meu liceu, estupidamente (des)promovido a Escola Secundária, alunos apareceram transformados em professores, e, em casa, ouvia dizer que seria passageiro, eram os excessos de uma Revolução. Valia a pena, garantiam os adultos de então.
Hoje, com 50 anos, olho o meu país e acho que, afinal, não valeu a pena! Enganaram-me...
A educação não funciona, a saúde não existe, o fosso entre ricos e pobres aumentou, a classe média passa mal, a corrupção impera, Portugal não tem um projecto, um rumo! Com o 25 de Abril ganhámos a Europa, dizem. Ganhámos foi um fosso cada vez maior em relação à Europa! O euro liquidou-nos, perdemos tudo, até a dignidade. Agora, os portugueses que podem, que têm valor, partem. Lá fora,nessa Europa que parece ser um modelo (???) já tenho o meu neto, a minha filha, o meu genro. Na dita Europa, sinto-me, como portuguesa, miseravelmente pequena. Foi para isto o 25 de Abril? Será que olhares como os do meu Manel Bernardo só poderão vingar fora de Portugal?
Que desilusão...
sábado, 24 de abril de 2010
É desta?...
O voo está confirmado e, amanhã bem cedo, vou partir. Vou de volta à vida de trabalho, à solidão, às vivências de mais saudades ainda. Espera-me a escolinha, a cidadezinha, a rotinazinha, os inhos e inhas que fazem o meu país ridiculamente pequeno. Sei que vou ter de voltar às reuniões sobre coisa nenhuma, vou voltar a encher os meus alunos de informações que nada (ou pouco) lhes dizem, vou preencher muitos e muitos papelinhos e, no fim, vou terminar mais um ano lectivo pensando que estou a fazer parte de uma geração que hipoteca a próxima.
Talvez esta estadia no Reino Unido me tenha despertado, mais ainda..., para a urgência de mudar a educação em Portugal. Aqui, os miúdos saem das Escolas às 15.00h, têm tempo para trabalhar autonomamente, para estarem com amigos, para olharem o verde dos campos. Aqui, desde pequeninos são estimulados a ser Muito Bons, a fazerem a diferença. Aqui, os professores têm tempo para estar com os alunos, liberdade para gerirem o programa, gabinetes individuais para trabalharem na Escola... Aqui, é possível, frequentemente, sair da sala e fazer aulas nos Museus, nas Bibliotecas, na rua. Aqui, os professores são avaliados por especialistas, de acordo com os projectos que desenvolvem e com cumprimento de projectos educativos diferenciados. Aqui, o professor não é o parvo da companhia!
Vou ter muitas saudades, já tenho..., do Manel Bernardo. Mas fico feliz por o meu neto ter a possibilidade de crescer numa realidade diferente da do seu país.
Talvez esta estadia no Reino Unido me tenha despertado, mais ainda..., para a urgência de mudar a educação em Portugal. Aqui, os miúdos saem das Escolas às 15.00h, têm tempo para trabalhar autonomamente, para estarem com amigos, para olharem o verde dos campos. Aqui, desde pequeninos são estimulados a ser Muito Bons, a fazerem a diferença. Aqui, os professores têm tempo para estar com os alunos, liberdade para gerirem o programa, gabinetes individuais para trabalharem na Escola... Aqui, é possível, frequentemente, sair da sala e fazer aulas nos Museus, nas Bibliotecas, na rua. Aqui, os professores são avaliados por especialistas, de acordo com os projectos que desenvolvem e com cumprimento de projectos educativos diferenciados. Aqui, o professor não é o parvo da companhia!
Vou ter muitas saudades, já tenho..., do Manel Bernardo. Mas fico feliz por o meu neto ter a possibilidade de crescer numa realidade diferente da do seu país.
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