quarta-feira, 16 de junho de 2010

Exame

Começaram, hoje, os exames de 12º ano, e português marcou o arranque. Os alunos compareceram, entre ansiosos e seguros, encontrando, felizmente, uma prova fácil. Eu vi-os a caminho da escola, hoje não podia eu estar de serviço..., e achei que os professores estavam mais nervosos do que eles. É que dos resultados dos alunos vão tirar-se ilações, quanto a mim erradas, sobre o valor dos professores. Se os meninos tiverem boas notas, os professores serão tidos como bons; se os meninos falharem, os professores serão classificados de incompetentes. Assim, tout court. Sem se pensar na formação das turmas, sem se analisar a escolha das turmas modelo por alguns professores, sem se avaliar o trabalho realizado, muitas vezes, ao longo de três anos. Tudo se reduz a um momento, a um exame que é, sempre, condicionado por tantas (e tão diversas) contingências.
Eu, que sempre quis ser Professora, que adoro os meus alunos, que tenho gosto em preparar aulas e em dinamizá-las, desejo, hoje, arranjar uma outra profissão! de preferência, longe deste Portugal!

terça-feira, 15 de junho de 2010

OCULTO

Porque o que tem de ser tem muita força, e porque ninguém ouve os meus protestos..., lá tive de construir, hoje, um recurso para o meu amigo QIM. Corte e cola, fundos bonitos, grelhas para ajudar, importa e exporta, elimina e acrescenta, lá gastei duas horas a criar um recurso que, provavelmente, vou gastar em cinco minutos de aula.. Mas enfim, tenho de confessar que valeu a pena!
Valeu a pena porque tudo fez sentido quando, pela mão do meu amigo Manel (ah os Manéis!!), vi ser criado um botão mágico! De que cor quer o botão? - Perguntou. Azul!- E, surpresa!, o botão azul fazia desaparecer, e aparecer, os quadros impressionistas, românticos e até os modernistas que eu tinha seleccionado. Bastava tocar com a seta do rato no botão e, puff, sumia-se tudo!! Fiquei fan do botão de ocultar, varinha mágica verdadeira.
Vi-me logo com um botão desses no bolso da saia. Ah, se eu pudesse ter essa magia...Se eu pudesse clicar no botão e ocultar quem me chateia, seria muito divertido. Já me imagino de mão no bolso, ou seja no botão, a ocultar chuchalistas irritantes. Acho que, se tivesse esse poder,nunca deixaria de usar o botão azul nas reuniões da Assembleia Municipal. Isso é que ia ser uma ocultação com utilidade para a comunidade portalegrense!!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Aqui Faz-se-de-conta

O meu país é o país de faz-de-conta que, por um muito doloroso paradoxo, existe de facto!
Aqui, faz-de-conta que há serviços de saúde. Mas, se se necessitar de uma operação, é melhor ir à Privada; se se necessitar de apoio para a Terceira Idade, é melhor ir ao Privado. Aqui, faz-de-conta que há sistema Educativo. Mas os alunos passam, ou, eufemisticamente, transitam, ainda que tenham notas negativas a, por exemplo, português, matemática e filosofia. Aqui, faz-de-conta que todos vamos apertar o cinto, mas há quem o alargue cada vez mais. Aqui, faz-de-conta que temos forças armadas, até vão às paradas, mas está tudo velho e gasto e, se viesse uma guerra, ia tudo num fole... Aqui, faz-de-conta que estamos muito contentes com o euros, mas lamentamos todos os dias ter perdido o escudo.
Hoje, a juntar a todo este faz-de-conta, percebi que também faz-de-conta que a Zon funciona. Uma avaria vai deixar-me sem TV duas semanas! Como é espantosa esta ilusão de que vivo num país europeu. Ou melhor, num país que faz-de-conta que é um país europeu!!

domingo, 13 de junho de 2010

Escolhas

Que eu não concordo NADA com o sistema de ensino português, já não é novidade. Devia mesmo, ao fim de quase trinta anos de Escola, ter-me rendido à impossibilidade de mudança, ter-me habituado a calar a revolta. Mas não sou capaz! E sempre que chega o final do ano lectivo, as coisas pioram!
Eu acho absolutamente errado, injusto e grave, que se obriguem os miúdos de 14 anos, às vezes 13!!, a fazerem uma escolha definitiva de futuro! Ao acabarem o 9º ano, ainda por cima o terminar de três ciclos de generalidades, eles não sabem o que querem seguir, que área devem escolher, que profissão gostariam de abraçar. Entram então em campo os pais, os professores, os psicólogos e orientadores vocacionais. Todos opinam, todos sugerem. E os miúdos, com tantas opiniões, com a influência determinante do grupo de amigos, com alguma angústia à mistura, lá escolhem. Depois, no 10º ano, é que são elas... Porque não sabiam bem o que seria a área escolhida, porque não gostam, porque, se calhar..., gostariam mais de outra área, porque mudaram de ideias, etc. E estas mudanças, que acho legítimas e compreensíveis, implicam, no sistema português, perder um ano!! Um miúdo escolheu o curso geral científico-humanísticos, conclui que Física e Biologia não são do seu agrado, pensa que talvez fosse melhor enveredar por economia e, para isso, perde um ano!!
Não pode estar certo, penso eu, complicar assim avida de gente tão miúda!!
Todos os anos, sobretudo quando sou directora de turma do 10º ano, vivo a angústia de, aí a partir de Março, ouvir os miúdos, com aparente (só aparente!)tranquilidade, dizerem "setôra,acho que vou repetir o 10º ano, vou mudar de área". Fico angustiada! É que a vida é curta demais para se poder perder tempo e eu não posso aceitar, de braços cruzados, que o meu país faça a a sua juventude perder anos!!
Obviamente, também as escolhas no 12º ano me preocupam. Angustiam-me, sobretudo, as escolhas conduzidas pelos pais, visando um futuro com um emprego bem pago. Claro que eu compreendeo a visão dos pais, também sou mãe..., mas fará sentido empurrar uma pessoa para uma área, uma profissão, só por causa de um eventual emprego, sem respeitar os gostos de cada um, o prazer que cada um coloca no que aprende e faz?!Duvido...
Digo sempre aos meus miúdos que devem escolher com segurança e sei, e sinto, como é idiota o meu conselho!! É que o problema das escolhas, não é o que se selecciona mas, sempre, o que se rejeita!!

sábado, 12 de junho de 2010

O Mundial

Portugal estacionou bem em frente das televisões. É o Mundial de Futebol e, neste país, onde umas chuteiras valem mais do que uma licenciatura, voltam a passear-se bandeirinhas nas janelas dos automóveis, voltam a comprar-se ridículos bonés e horrorosas t-shirts em todos os hipermercados. Esta minha gente, a mesma que muda de canal ou conta uma anedota quando a TV mostra a fome em África, quando olhares infantis pedem ajuda, sempre que aparecem famílias inteiras vasculhando restos no lixo, diz-se indignada por ter havido assaltos às comitivas e equipas que estão na África do Sul. Como se fosse mais importante o roubo de uma máquina fotográfica, do que a fome numa criança!!
No meu país em crise, com a miséria crescendo todos os dias, saber se houve lesões nos jogadores, ou em que momento vamos ser eliminados, parece vital.
Lembro-me de ouvir condenar o Estado Novo, e muito bem, por distrair o povo com Fado - Fátima e Futebol. Agora, não percebo a diferença entre o Estado Novo e este velho estado de coisas!!

Santo António

De Pádua, ou de Lisboa, ou aqui mesmo de Portalegre, onde também é patrono, o Santo António é um santo da minha simpatia. Acho que gosto dele sobretudo por causa do Sermão de Stº António aos Peixes, escrito pelo outro António que, embora frade, não era santo. Mas era, sem ser santo, um homem de todos os tempos!!
Há pouco, lendo na net mais uma das milhentas anedotas sobre o eng. Sócrates, desta vez com o objectivo de provar que entre este e o Verdadeiro Sócrates nada há de comum, lembrei-me de como António Vieira soube criticar os maus dirigentes, soube condenar uma sociedade acéfala e centrada, apenas, no interesse económico. Na época, séc. XVII, era preciso falar de igualdade, justiça, verdade, dignidade humana. Hoje, séc. XXI, é preciso voltar a falar dos mesmos Valores e, sobretudo, é preciso lembrar que, para além da crise, há vida e seres humanos.
Domingo, festeja-se o Santo António e, para mim, se ele cá voltasse voltaria a ter como única audiência os peixes!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Amigos

Não são aqueles a quem sorrimos todos os dias, ou aqueles que nos telefonam no Natal, os verdadeiros amigos. Os amigos mesmo são, para mim, os que não têm dia marcado, os que respondem aos apelos, os que dão sempre o jeito de dar uma ajuda. Os amigos mesmo, são aqueles que me valem sempre, seja para desencravar uma tabela de excell, para ajudar a construir um recurso QIM, para pagar uma bica de boa conversa ou até para respeitarem o silêncio e a solidão. Os bons amigos não cobram, não interrogam, não comentam. Criticam, gritam se é preciso, mas nunca viram costas. Felizmente, eu tenho bons amigos! E fazem-me muita falta sempre!