quarta-feira, 23 de junho de 2010

Socratices

Há uma música, dançada pela Liza Minnelli (não sei se tem dois "ns" e dois "éles" mas não me apetece ir ver)- ah!a liberdade da escrita! - que tem como refrão money-money-money . É uma música de que eu gosto, mas hoje só me lembrei dela porque tenho tido como refrão para a minha existência trabalho-trabalho-trabalho!!
Foi com certeza por ter muito trabalho que nem me apercebi de mais uma socratice aguda. Os chips!! Vamos ter chips nos automóveis, se quisermos usar as SCUTs do Norte. Em breve serão as do Sul... Mas, pior ainda, vai ser quando este governo, que desconhece a palavra LIBERDADE, nos obrigar a colocar um chip na testa para controlar, também, os nossos pensamentos. (O dos governantes deviam estar sempre inactivos...)
Estamos a tornar-nos máquinas, robots, todos formatados, controlados, chipados e, pior ainda, tramados!!
Este governo vive de fait-divers. De parangonas ocas e medidas avulsas que atentam contra a dignidade humana!
Obviamente, eu não gosto de Mário Soares. No entanto, hoje até concordei com ele quando o ouvi dizer que estas medidas extraordinárias (?) para fazer face à crise, só servem para piorar as coisas. Um destes dias, se muito bem calha, aparece-nos um slogan novo e, em vez da velha frase "o Soares é fixe", ouviremos dizer "o Soares tem chip". Ele que não se cale...

terça-feira, 22 de junho de 2010

MENTIRA!!

Quem vendeu à humanidade a ideia de que somos todos iguais, devia ser preso! É uma das maiores tretas e falsidades da História, da Cultura, dos Povos. Nós somos TODOS DIFERENTES, únicos e exclusivos, graças a Deus! Imaginemos que, numa hipótese académica, e a ser verdade a maldita frase, era o primeiro ministro português o modelo. Bolas...
Bom, mas para além de se prestar a brincadeiras e confusões, a frase tem implicações sérias, e por isso me desespera. É que há quem, ainda que numa Escola (teoricamente lugar de educação) acredite na frase e, vai daí, os alunos, miúdos em formação, acham que têm os mesmos direitos, e deveres, dos professores. Assim, há meninos que se atrevem a ir fazer queixa de um professor que ligou o computador durante um exame, com o argumento de "se o professor pode, nós também podemos". Pior ainda, é quando estas queixas, denunciadoras de má formação e nenhuma educação, em vez de serem recebidas com uma valente descompostura, são aceites... Que Portugal é um país de absurdos, já não é novidade. Mas que o absurdo assuma as proporções de lei, de norma e regra, apavora-me de facto!!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Aferir??

É uma moda relativamente recente, terá 3 ou 4 anos, esta de juntar os professores, por distrito, em intermináveis reuniões de 4 horas, para aferir e concertar (ou consertar?) as classificações dos exames de 12º ano. Talvez estas reuniões façam sentido, por exemplo, nas ciências exactas.
Em Português, não lhes reconheço qualquer eficácia! Juntam-se os professores, corrigem-se perguntas retiradas de exames, em grupo, e conclui-se que raramente a cotação atribuída é coincidente. A agravar as coisas, as justificações dadas pelos responsáveis do GAVE nem sempre convencem os docentes, aqui chamados de correctores. Daqui a oito dias, mais quatro horas de reunião. Mais tentativas de acertar nos cotações que o GAVE entende serem adequadas!!!
Este ano, vamos já aceitar o acordo ortográfico. Os alunos podem escrever óptimo ou otimo; baptismo ou batismo; ónibus ou autocarro; etc. Este ano, tudo, ou quase, pode ser aceite. Não interessa se o aluno revela criatividade, sentido crítico, cultura geral, capacidade de interpretação, de análise, competência escrita. Interessa, só, que o aluno mostre que memorizou. Que saiba que a Belimunda recolhia vontades, em jejum, mas que não tente inferir sobre essa magia...
Eu não compreendo o meu país! Não percebo por que se gasta tanto dinheiro em disparates, em vez de se investir no que faz sentido!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago

Não. Não vou chorar o homem, dizer que o admirava ou sequer apreciava. Vou, apenas, falar do escritor que tardiamente descobri.
Quando era miúda, na altura em que nasce nas gentes o gosto do LER, Saramago não fazia parte da oferta escolar, ou sequer de minha casa. Na faculdade, e apesar de ter feito uma licenciatura em Português e Francês, nunca ouvi falar de Saramago. Foi, confesso, há cerca de dez anos que descobri o escritor que hoje morreu.
Em 1993, quando surgiu a polémica em torno do Evangelho Segundo Jesus Cristo, tentei ler o romance, por curiosidade, apenas, mas logo o pus de parte. Era, achei, chato, cansativo, sem nenhum interesse para mim... Resolvi esquecer Saramago!
Tempos depois, substituindo o romance Aparição (Vergílio Ferreira), um dos romances que mais me toca e encanta - incomodando contudo -, passou a ser obra de leitura obrigatória no 12º ano O Memorial do Convento. Lamentei-me. Lá teria de ler Saramago...
Felizmente, frequentei uma fantástica formação (coisa rara!) onde foi apresentada uma proposta de abordagem da obra. Fiquei rendida!
Já li três ou quatro vezes o Memorial, sei passagens de cor, emociono-me com a pureza rude de Baltazar, com a força do olhar de Blimunda, com a loucura de Bartolomeu. Aprendi que, ao contrário do que ouvia dizr, e eu estupidamente repetia..., Saramago não ignora a pontuação. Reinventa-a. Num estilo ritmado, oral, envolvente até.
Se pouco me diz a leitura, que acho pobre e errada, de que os ricos são maus e os pobres são bons, emcionam-me as descrições, fazem-me sorrir as ironias e as críticas sarcásticas que dão sentido ao Memorial.
Depois do Memorial, voltei ao Evangelho. Continuei não gostando. A Jangada de Pedra, então, nunca consegui acabar... Mas algumas crónicas, algmas frases "não me fales da morte, eu já a conheço", tocam-me fundo.
Saramago morreu hoje. Tinha muito anos, estava doente, morreu longe deste Portugal que, afinal, apesar de ter a forma de um caixão não serve nem para morrer!.
Perdeu-se uma vida humana, é sempre uma perda triste.
Desapareceu um escritor que, gerador de ódios e paixões, ficará na História deste Portugal. Hoje, é dia de luto.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Despedida

Depois de um ano a caminho de Vila Viçosa, de um ano explorando o Novo Programa de Português para o Ensino Básico (que afinal foi suspenso!!), hoje despedi-me dos colegas formandos que me acompanharam nesta viagem fantástica. Recebi flores!
Mas foram as palavras de carinho e apreço, a ternura e alguma admiração que senti verdadeiras, que mais me sensibilizaram.
Hoje, despedi-me de Vila Viçosa com muita saudade já.
Nunca mais me vou esquecer da Ana Alice (eléctrica e entusiasta), da Francisca (calma e segura)e da Francisca (curiosa e atenta), da Isabel (angustiada e decidida), da Clara (serena e empenhada), da Maria José (a net não chega a Mourão!!), da Feliciana (com aversão à plataforma - somos duas!-), da Zé (calada e pouco crente nesta nova mudança), da Maria de São José (nem um ombro quebrado a deita abaixo), da Maria João (segurançae organização), da Maria do Castelo (os netas são a nossa perdição), da Carla (que faz colares e pulseiras lindos), da São Fialho (sem GPS para Portel, com GPS para a educação), da Conceição (calma e atenta), do Manel (acutilante e empenhado (no meio de 15 mulheres!!))!!
Este ano lectivo ganhou um novo sentido pelo trabalho sério, intenso, mas muito cúmplice, que todos realizámos em Vila Viçosa. Obrigada queridos amigos!!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Exame

Começaram, hoje, os exames de 12º ano, e português marcou o arranque. Os alunos compareceram, entre ansiosos e seguros, encontrando, felizmente, uma prova fácil. Eu vi-os a caminho da escola, hoje não podia eu estar de serviço..., e achei que os professores estavam mais nervosos do que eles. É que dos resultados dos alunos vão tirar-se ilações, quanto a mim erradas, sobre o valor dos professores. Se os meninos tiverem boas notas, os professores serão tidos como bons; se os meninos falharem, os professores serão classificados de incompetentes. Assim, tout court. Sem se pensar na formação das turmas, sem se analisar a escolha das turmas modelo por alguns professores, sem se avaliar o trabalho realizado, muitas vezes, ao longo de três anos. Tudo se reduz a um momento, a um exame que é, sempre, condicionado por tantas (e tão diversas) contingências.
Eu, que sempre quis ser Professora, que adoro os meus alunos, que tenho gosto em preparar aulas e em dinamizá-las, desejo, hoje, arranjar uma outra profissão! de preferência, longe deste Portugal!

terça-feira, 15 de junho de 2010

OCULTO

Porque o que tem de ser tem muita força, e porque ninguém ouve os meus protestos..., lá tive de construir, hoje, um recurso para o meu amigo QIM. Corte e cola, fundos bonitos, grelhas para ajudar, importa e exporta, elimina e acrescenta, lá gastei duas horas a criar um recurso que, provavelmente, vou gastar em cinco minutos de aula.. Mas enfim, tenho de confessar que valeu a pena!
Valeu a pena porque tudo fez sentido quando, pela mão do meu amigo Manel (ah os Manéis!!), vi ser criado um botão mágico! De que cor quer o botão? - Perguntou. Azul!- E, surpresa!, o botão azul fazia desaparecer, e aparecer, os quadros impressionistas, românticos e até os modernistas que eu tinha seleccionado. Bastava tocar com a seta do rato no botão e, puff, sumia-se tudo!! Fiquei fan do botão de ocultar, varinha mágica verdadeira.
Vi-me logo com um botão desses no bolso da saia. Ah, se eu pudesse ter essa magia...Se eu pudesse clicar no botão e ocultar quem me chateia, seria muito divertido. Já me imagino de mão no bolso, ou seja no botão, a ocultar chuchalistas irritantes. Acho que, se tivesse esse poder,nunca deixaria de usar o botão azul nas reuniões da Assembleia Municipal. Isso é que ia ser uma ocultação com utilidade para a comunidade portalegrense!!