terça-feira, 29 de junho de 2010

Alívio e Desespero

Corrigidos e entregues os exames de 12º ano, respiro sempre uma imensa sensação de alívio. É uma tarefa exigente, desgastante, que exige concentração e que, pessoalmente, detesto fazer. Mas faço, o que tem de ser tem muita força... Depois, fico sempre pensando no pouco sentido que muitas destas práticas têm para mim.
A nossa Escola, o dito sistema, obedece a modelos obsoletos, segue o que vigorava nos séculos XVIII e XIX!, e, hoje, vivemos na era das tecnologias, do telemóvel, do imediatismo, da informação à distância de um clic. Não pode fazer sentido!
Assisti ao enfoque dado, para só citar um exemplo, à necessidade de impedir que os alunos utilizassem o telemóvel nos exames, nas aulas também. Foi a guerra. Professores a exigirem que os alunos entregassem os telemóveis, os miúdos a recusarem, uma festa. Ao mesmo tempo, noutros lugares do mundo, os telemóveis são recursos rentabilizados e explorados na sala de aula...
Temos um governo que elege como primeira priooridade para a educação a certificação dos professores nas Tecnologias e, ao mesmo tempo, anula exames a quem tiver um telemóvel consigo, ainda que desligado!!As aberrações do sistema educativo português desesperam-me! E sim, é possível mudar.
É possível, fácil, urgente e inadiável! Só que, para desespero da maioria dos professores, não será com a actual equipa do Ministério da Educação que a mudança vai acontecer...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Diz-se...

Diz-se, por aí, que a crise em Portugal é tão grave que, um dia, poderão até congelar as contas bancárias. Diz-se, também, que os Bancos são obrigados a revelar às Finanças os cêntimos que cada um tem, ainda que aplicados em poupanças. Diz-se, em todo o lado, que a situação social e económica está insustentável. Diz-se, nas Escolas, que o governo vai contratar professores brasileiros, em horários incompletos, para poupar dinheiro. Diz-se, ainda, que na língua portuguesa uma ação e uma acção, um facto ou um fato, um ónibus ou um autocarro, são a mesma coisa. Diz-se, em documentos escritos e oficiais, que a prioridade para a educação é a certificação dos professores nas novas tecnologias!
Diz-se, por onde calha, e até nas televisões, que vivemos em democracia e que Portugal é um país livre!!
Diz-se cada barbaridade no meu país...

domingo, 27 de junho de 2010

Ao Ritmo da Dança

Ando numa fase de bom entendimento com Portalegre. Que sorte, para mim, que carrego energia positiva para enfrentar o país... Ontem, foi a Festa da Escola Silvina Candeias que me encantou. Durante quase duas horas e meia, no palco grande do CAEP, desfilaram actividades que, desde o Karaté dos pequeninos , cheio de golpes e gargalhadas, passando por diversos níveis de ballet clássico, danças de salão, sevilhanas, jazz, salsa, e terminando com o thriller de Michael Jackson (obrigatório, agora), encantou uma plateia diversa. A sala estava completamente esgotada e, para desespero dos funcionário - Não pode ser! Têm de sair daí! -, havia até gente sentada nas escadas.
A Escola Silvina Candeias consegue, há mais de 20 anos!, dinamizar actividades na cidade e, o que de facto me espanta (porque conheço a minha gente), consegue seguir crescendo de ano para ano. Ali, na escolinha de três andares junto à Sé, cruzam-se gerações diferentes, em harmonia, sempre com um sorriso e a certeza de que algo nos une. Tenho visto crescer muitos miúdos, e jovens, meus "colegas" na Escola Silvina Candeias e experimento, confesso, algum orgulho por poder pertencer a esta comunidade. Ontem, os professores, todos fantásticos, mostraram, uma vez mais, como há jovens capazes de grandes feitos, de grande dinamismo e criatividade. O Pedro, a Ana, O Alin, a Lena, a Laura, a Rita, são os mestres, os jovens que, com rigor e elevado grau de exigência - muita paciência também -, mantêm as actividades a funcionar. Mas é a Silvina, sempre preocupada e rigorosa, a referência da Casa.
Ontem, foi bom sentir viva a minha cidade. Foi bom aplaudir a Escola Silvina Candeias!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mário Saa

Um poeta, um auto didacta, um amigo de Régio, um Homem da Direita conservadora, um defensor da sua independência de pensamento, um burguês rico que, embora tenha nascido nas Caldas da Rainha, era de Avis! Este homem foi, hoje, alvo de uma pequena, e pobrezinha..., conferência, no Castelo de Portalegre, no âmbito das comemorações do ano Regiano. Tive pena que a oradora, uma jovem investigadora, não tivesse sido capaz de conferir à apresentação dinamismo e interesse. O discurso, cheio de desagradáveis ahns, prejudicou o conteúdo que, em si mesmo, também desmerecia o homenageado.
De qualquer forma, animou-me ter ouvido dizer, pela primeira vez em muitos anos, que "foi um grande homem, um muito importante e inteligente intelectual da Direita Conservadora!". Até que enfim!!! Até que enfim começa a parecer extinguir-se o complexo de uma esquerda, muitas vezes acéfala, para a qual até Pessoa era esquerdoso!! Vale a pena ler a poesia Modernista de Mário Saa. E vale a pena gozar a paz alentejana na Casa Rural onde viveu, e que a família transformou em Turismo Rural, ali em Avis, no lugar que, dizem..., "é a terra que nem Deus quis!".

LINDA!!

Porque também sou filha de Deus, embora às vezes Ele pareça esquecer-se disso, ofereci-me hoje uma manhã de dolce far niente e fui tomar um café na esplanada do centro da rua do Comércio, na minha cidade.
Estacionei o carro no Rossio, bela ideia a dos parquímetros que permitem que sempre se consiga estacionar, e subi a calçada portuguesa. Está LINDA a minha cidade! Aliás, é linda a minha cidade mas, agora, com as ruas engalanadas para os Santos Populares, altares em muitas montras e música no ar, está ainda mais convidativa. Soube-me bem a caminhada, o reencontro com os olhares que conheço, os bons dias a gente que, como eu, é lagóia de alma e coração. Portalegre está de parabéns e merece a visita de todos!! Eu vou voltar lá, com máquina fotográfica!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SILÊNCIO

Gosto do silêncio. Talvez por viver no meio do barulho constante dos meus queridos alunos, porventura por ter crescido com mais três irmãos, gosto do silêncio. Gosto de ficar no silêncio divagando, ou só a ler, sem nada interferir na paz que procuro. Tenho a mania (uma das muitas) de dizer que preciso de escutar o silêncio e que se aprende, muitas vezes, mais com o silêncio do que com sonoros discursos.
No entanto, nem sempre o silêncio augura algo de bom... A prová-lo, veja-se o que se tem passado com o Ministério da Educação. Mantiveram-se calados, muito calados, e agora, quando os professores andam embrenhados em exames, matrículas, relatórios, começam a publicar os documentos que urdiram - é o termo! - no silêncio da 5 de Outubro. Está aí o novo estatuto da correira docente, a manter, no essencial, as aberrações que já existiam; está aí, também a nova proposta de organização curricular e, claro, estão aí os Mega Agrupamentos. Ainda não li tudo com a necessária atenção mas, pelo que li, parece-me que este ME precisa de ouvir a voz da razão e deixar-se do silêncio da conspiração!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Socratices

Há uma música, dançada pela Liza Minnelli (não sei se tem dois "ns" e dois "éles" mas não me apetece ir ver)- ah!a liberdade da escrita! - que tem como refrão money-money-money . É uma música de que eu gosto, mas hoje só me lembrei dela porque tenho tido como refrão para a minha existência trabalho-trabalho-trabalho!!
Foi com certeza por ter muito trabalho que nem me apercebi de mais uma socratice aguda. Os chips!! Vamos ter chips nos automóveis, se quisermos usar as SCUTs do Norte. Em breve serão as do Sul... Mas, pior ainda, vai ser quando este governo, que desconhece a palavra LIBERDADE, nos obrigar a colocar um chip na testa para controlar, também, os nossos pensamentos. (O dos governantes deviam estar sempre inactivos...)
Estamos a tornar-nos máquinas, robots, todos formatados, controlados, chipados e, pior ainda, tramados!!
Este governo vive de fait-divers. De parangonas ocas e medidas avulsas que atentam contra a dignidade humana!
Obviamente, eu não gosto de Mário Soares. No entanto, hoje até concordei com ele quando o ouvi dizer que estas medidas extraordinárias (?) para fazer face à crise, só servem para piorar as coisas. Um destes dias, se muito bem calha, aparece-nos um slogan novo e, em vez da velha frase "o Soares é fixe", ouviremos dizer "o Soares tem chip". Ele que não se cale...