Sempre que se aproxima o Verão, que sem dúvida tem sobre os portugueses (ou sobre os humanos?) um efeito anestesiante, tremo por saber que o governo aproveita a época de distracção colectiva para urdir - exactamente URDIR - novas medidas para a Educação. Embora também eu esteja em férias, ou se calhar exactamente por isso, tenho pensado muito na Escola, no caos instalado na minha profissão e, embora com perfeita consciência de que ninguém me vai dar nenhuma atenção, pensei em 12 medidas, só doze..., não muito dispendiosas e, de certeza, capazes de melhorar substancialmente a Educação em Portugal. Aqui ficam:
1 - Turmas com o máximo de 18 alunos; A afectividade é um factor essencial à aprendizagem!!!
2 - Aulas de 60 minutos; É tempo suficiente para estar fechado num qualquer espaço.
3 - Ensino e aprendizagem por competência; Aprender não é apenas acumular conhecimentos!
4 - Efectiva valorização da via profissionalizante; Não há trabalho indigno!!
5 - Creditação de participação dos alunos em actividades de carácter formativo, desportivo, social, associativo, etc; Temos de formar cidadãos!
5 - Aprendizagem da Música em todos os anos de escolaridade; A Arte é uma dimensão fundamental ao ser humano!
6 - Formação de professores com incidência na formação científica e didáctica; O mundo mudou, a sala de aula TEM de mudar!
7 - Aulas a terminar nunca depois das 15.00h; É importante fomentar a autonomia!
8 - Criação de espaços de construção de saberes, de ateliers, de laboratório; O saber-fazer pode ser a chave do sucesso!
9 - Teatro em todos os anos de escolaridade; Observar, ler, interpretar, desempenhar o papel do outro!!
10 - Reconhecimento do mérito efectivo; Não somos todos iguais!!
11 - Fim das grelhas classificativas,com critérios meramente quantitativos, adopção dos portefólios de desempenho; Os alunos não são adições em excell!
12 - Programas mais amplos e adaptáveis às diferentes realidades do meio; Não temos de saber todos a mesma pequena parte do conhecimento!
E pronto, vou para Férias!
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Vazio

Ninguém, e o mar, imenso, ali, exposto e provocador, trazendo-lhe memórias, vidas, excertos de literatura, Poetas desaparecidos... Ó mar salgado! E Sophia a intrometer-se, garantindo que quando eu morrer, voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar. O vazio, surpreendente em Julho, sugeria a crise. Ou seria, apenas, o acaso? A hora, o céu carregado?
No mar, resistiam ums surfistas, teimosos, tentando o equilíbrio sobre as ondas enroladas, estoirando com força como se quisessem sacudir as pranchas incomodativas. Ao largo, três navios enormes, de edificado à proa, talvez partindo, ou talvez chegando, quase entre Torres, a caminho de Lisboa. Na esplanada vazia, aninhavam-se mil desejos com os sentires inquietos. De que falavam? O que diziam? E a música a vir também, sem necessitar de convite, para garantir que...nem às paredes confesso!!
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O rei na barriga
Portugal tem levado o ano de 2010, entre crises e escândalos, a assinalar os 100 anos da implantação da República. Foram as escolas, os políticos, os museus, algumas autarquias, quem, no fundo, queria folclore, que agarrou o pretexto da República para realizar cerimónias, festas e discursos sonoros. Entre tanta parangona, pouco se falou do regicídio, do sofrimento de uma família real que, para além de real, era também humana. Parece, aos olhos da História, que foi legitimado um crime horrível em nome da instauração de um novo regime que, por si só, nada trouxe de bom a Portugal. Aliás, olhe-se a História e perceber-se-á, tristemente, que só uma ditadura viria trazer ao país alguma "tranquilidade" - amaldiçoada e terrível!
Apesar de ser uma defensora da República, apenas porque acho que ninguém merece nascer condenado a governar..., faz-me impressão o regicídio, comove-me o sofrimento da Rainha que viu morrer o filho, que viu balear o marido (a ordem não é arbitrária!).
Hoje, atravessando Lisboa, reparei no número exagerado de Palácios, de Belém às Necessidades, e não resisto a concluir que, apesar do regicídio ter acontecido há 100 anos, ainda muitos portugueses carregam o rei na barriga...
Apesar de ser uma defensora da República, apenas porque acho que ninguém merece nascer condenado a governar..., faz-me impressão o regicídio, comove-me o sofrimento da Rainha que viu morrer o filho, que viu balear o marido (a ordem não é arbitrária!).
Hoje, atravessando Lisboa, reparei no número exagerado de Palácios, de Belém às Necessidades, e não resisto a concluir que, apesar do regicídio ter acontecido há 100 anos, ainda muitos portugueses carregam o rei na barriga...
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Férias

Estão aí, para muitas pessoas, as férias. É o tempo em que parece haver mais céu do que terra, em que os problemas são adiados, em que se ouvem, com frequência, suspiros de alívio e gargalhadas mais livres.
Curiosamente, há muita gente que aproveita as férias para, simplesmente, trocar de rotina. Trocam as filas matinais para os empregos, pelas filas para a praia; a coscuvilhice dos vizinhos, pelas observações da família do toldo ao lado; os almoços à pressa, por sandwiches enjoativas... Mas, são férias!
Um destes dias, atravessando o meu Alentejo, reparei na imensidão de terra coladinha ao céu, na paisagem fantástica, no silêncio, no ar que limpa, e não resisti a pensar que, se calhar, valia a pena trocar o destino de férias de muitos portugueses. É que, acho eu..., cada vez há mais pessoas distraídas da vida, centradas nas aparências, indiferentes ao essencial e, acredito mesmo!, um tempo de silêncio e essência pode ajudar-nos a encontrar-nos com o sentido do Mundo.
Porque quero acreditar que tem de haver um sentido, para além da loucura vigente, para lá das medidas que, absurdamente, o governo português adopta todos os dias...
Boas férias!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Tentações

Fernando Pessoa disse "Deus, ao mar o perigo e o abismo deu// Mas nele é que espelhou o céu". Muitas vezes, olhando Mar, penso nestes versos e, quase imediatamente, no destino português.
O país está virado para o mar, surge como que à beirinha de uma Europa que o não reconhece, de olhos postos nas ondas, no céu espelhado nas águas, na imensidão do oceano. Foi no mar que o destino se cumpriu, e foi, quando virámos costas ao mar, que de novo Pessoa gritou "Senhor, falta cumprir-se Portugal!".
Ultimamente, ouvindo falar de escândalos com submarinos, da pobreza e abandono da nossa Marinha, da eventualidade de encerrar (ou mudar de lugar?) o Museu da Marinha, encolhe-se-me a alma de dor. Porque viramos costas ao nosso destino? Porque parecemos temer, e voluntariamente ignorar, o imenso potencial de um Mar que já nos deu glória e fama?!
Serão os portugueses um povo com um futuro eternamente a haver?!
Hoje, quero crer que não. Hoje, vendo o céu plúmbeo refectido no Mar imenso, quero acreditar que ainda há quem não tema o perigo nem o abismo e, com coragem, seja capaz de perceber onde se reflecte o céu...
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Olhar para o Ar
É uma expressão vulgar, que serve para repreensões, que se usa quando vemos alguém distraído e se faz de " Mas para que estás tu a olhar para o ar?". É assim parecida com o andar na lua, antes, claro, de até uma cadela lá ter posto as patas. Surpreendentemente, hoje, dei com muitas esculturas, homens, mulheres e crianças, todas a olhar para o ar, e achei piada.
Já as tinha visto muitas vezes mas, como quando vou ao aeroporto de Faro é sempre cheia de entusiasmo por ir ter com a minha filha, ou cheia de tristeza por a ter deixado, nem lhes tenho prestado muita atenção. Hoje, olhei-as com olhos de ver. Há umas sentadas, outras de pé, mas todas olham o céu. Obviamente, não observam pássaros...
Aliás, não observam nada, porque são pedras!, mas podem bem servir para sensibilizar a humanidade, como eu, não para a necessidade de olhar os aviões, mas para a urgência de tirar os olhos do chão e olhar o céu, o futuro, o que vem de cima, do BEM!
Já as tinha visto muitas vezes mas, como quando vou ao aeroporto de Faro é sempre cheia de entusiasmo por ir ter com a minha filha, ou cheia de tristeza por a ter deixado, nem lhes tenho prestado muita atenção. Hoje, olhei-as com olhos de ver. Há umas sentadas, outras de pé, mas todas olham o céu. Obviamente, não observam pássaros...
Aliás, não observam nada, porque são pedras!, mas podem bem servir para sensibilizar a humanidade, como eu, não para a necessidade de olhar os aviões, mas para a urgência de tirar os olhos do chão e olhar o céu, o futuro, o que vem de cima, do BEM!
domingo, 11 de julho de 2010
O Crime
Os meus cães apareceram com uma galinha na boca. Passado o horror do primeiro impacto, resolvi investigar o crime.
É uma história simples: - A galinha, cansada das grades do galinheiro, ousou tentar a liberdade. Cá fora, o Tango perseguiu-a e abocanhou-a. Penosa morta, o Tango, todo contente, trouxe-a para junto da minha porta, brincando com o cadáver recente. O Buda não gostou de ver o Tango com um brinquedo novo e, na primeira oportunidade, roubou-lhe a galinha. A partir daí,tem sido um jogo de perícia e inteligência. O Buda, sempre que apanha o Tango distraído, rouba a defunta e esconde-a. O Tango, quando dá pela falta da sua conquista, procura-a desesperadamente até a encontrar e, de novo, a traz para junto de casa onde, julga ele..., está protegido da esperteza do Buda.
Neste jogo de mortos e vivos, deu-me para pensar como os animais são, tantas vezes, verdadeiras caricaturas humanas. Entre os humanos, quem ousa escapar às grades do pensamento imposto, quem se arrisca a saborear a liberdade, é também morto , ainda que metaforicamente, pelos cães que fazem a sociedade. Depois, também a guerrilha se faz de esconde e descobre, de vai e fica, de diz e desdiz. Invariavelmente, quem vence não é o mais corajoso, o mais ousado, mas sim o mais esperto,o mais hábil em utilizar a esperteza saloia. Finalmente, o culpado é sempre a vítima! Quem mandou a galinha ousar a diferença? Se se tivesse conformado com o que lhe dão, milho e um terreiro para debicar minhocas (que nojo, ainda agora estaria vivinha da silva!!
Moral da história: - Quem ousa arriscar a diferença, pode acabar na boca dos cães...
É uma história simples: - A galinha, cansada das grades do galinheiro, ousou tentar a liberdade. Cá fora, o Tango perseguiu-a e abocanhou-a. Penosa morta, o Tango, todo contente, trouxe-a para junto da minha porta, brincando com o cadáver recente. O Buda não gostou de ver o Tango com um brinquedo novo e, na primeira oportunidade, roubou-lhe a galinha. A partir daí,tem sido um jogo de perícia e inteligência. O Buda, sempre que apanha o Tango distraído, rouba a defunta e esconde-a. O Tango, quando dá pela falta da sua conquista, procura-a desesperadamente até a encontrar e, de novo, a traz para junto de casa onde, julga ele..., está protegido da esperteza do Buda.
Neste jogo de mortos e vivos, deu-me para pensar como os animais são, tantas vezes, verdadeiras caricaturas humanas. Entre os humanos, quem ousa escapar às grades do pensamento imposto, quem se arrisca a saborear a liberdade, é também morto , ainda que metaforicamente, pelos cães que fazem a sociedade. Depois, também a guerrilha se faz de esconde e descobre, de vai e fica, de diz e desdiz. Invariavelmente, quem vence não é o mais corajoso, o mais ousado, mas sim o mais esperto,o mais hábil em utilizar a esperteza saloia. Finalmente, o culpado é sempre a vítima! Quem mandou a galinha ousar a diferença? Se se tivesse conformado com o que lhe dão, milho e um terreiro para debicar minhocas (que nojo, ainda agora estaria vivinha da silva!!
Moral da história: - Quem ousa arriscar a diferença, pode acabar na boca dos cães...
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