Deus, o Ser Criador da humanidade, fez a terra, os rios, o mar, as plantas, as montanhas, as aves e os animais terrestres e marinhos. Não fez os peixes porque, com tanta água, eles fizeram-se uns aos outros sozinhos. Obviamente, ficaram prejudicados porque não tiveram direito a memória…
Um dia, olhando do Céu a sua obra, Deus achou que era uma pena que não houvesse um ser inteligente para, com Ele, gozar daquela criação. Como artista, Deus pegou em barro e moldou o homem. Achou uma criação interessante, gostou do pormenor daquele bocadinho pendurado e suportado por apenas duas bolinhas que, cuidadosamente, marcou com risquinhos rugosos. Como o boneco não mexia, o Criador soprou-lhe o hálito divino e o homem ganhou vida. Deus, lá do céu, começou a divertir-se observando as reacções do homem na terra e, aí, começou a sua desilusão!: - O homenzinho não cheirava as flores, não se espantava com o adormecer do sol, não olhava as fases da lua, não bebia a água nas nascentes, não mergulhava no mar, não chorava com o amanhecer tecido de vermelhos alaranjados. Então, com alguma surpresa indignada, Deus pensou: - Como pude eu, o Criador de tanta beleza, criar um ser tão incompleto, tão cheio de falhas e lacunas? Como deixei aquele abanico pendurado?! Isto, sem dúvida, foi apenas o meu borrão, o meu rascunho, o meu ensaio. Agora, está na hora de criar a obra-prima!
Esmerando-se, aproveitando o sono do homem, espantado por o seu borrão dormir de boca aberta e perturbando a paz nocturna com sons cavos e incomodativos, Deus criou a Mulher: - Dotou-a de sensibilidade, de emoções intensas, de coragem ilimitada. Deu-lhe a possibilidade de chorar perante o adormecer do sol, de distinguir o cheiro das diferentes flores, de colher malmequeres para colocar nos cabelos. Retirou-lhe as bolinhas incómodas, deu-lhe bolas lisas, pintadas de chocolate tentador que colocou em lugar de destaque, ofereceu-lhe o dom do prazer e encheu-lhe o corpo de fibras sensíveis. Este ser, sozinho, descobriu a gargalhada, a ternura e o toque. Então, realizado, Deus contemplou a sua obra-prima e decidiu não eliminar o borrão. O contraste lembrava-lhe que, em termos de Valores, os contra-valores fazem falta. Deus chorou com a grandiosidade da sua obra-prima e, creio, foi aí que alguém inventou a história do dilúvio. Afinal, não era um castigo. Era Deus chorando de felicidade e preparando a fertilidade da terra para, renovada, aceitar a sua obra-prima!!