terça-feira, 20 de maio de 2014

Para os braços de minha mãe

O poema, e a música, que o Pedro Abrunhosa canta, "Eu quero voltar para os braços de minha mãe", toca- me profundamente. Vejo o jovem de 20 anos a comprar amor em Amesterdão, sinto as saudades e a solidão que lhe doem fundo e, porque também eu queria que a minha filha voltasse para os meus braços, emociono-me sempre! Para além das minhas emoções, e talvez de algum excesso de sensibilidade que me caracteriza, gosto da voz rouca de Pedro Abrunhosa e considero este poema uma forma de intervenção social importante.

Ora, porque tenho a mania de pensar que os testes de avaliação sumativa devem, também, ser educativos e cruzarem competências sociais, resolvi usar "Quero voltar para os braços de minha mãe" para testar a competência de compreensão oral. Surpresa das surpresas, cerca de 80% dos meus alunos falhou na compreensão do que ouviu. Como sei que não são deficientes auditivos, fiquei preocupada. 

Os miúdos, os nossos jovens ( e os adultos também!) não sabem ouvir. Como agir para mudar este estado dramático de surdez funcional na nossa sociedade? Não sei. Tenho ideias, claro, mas carecem de fundamento científico...

domingo, 18 de maio de 2014

O MURO

Ao fim da tarde, apetece o descanso. Puxa-se uma cadeira de repouso, mergulha-se o olhar na paisagem, deixam-se soltas as memórias e a paz vem, de mansinho, falando de momentos, de opções e de forças que é preciso inventar. Esticam-se as pernas e o muro antigo, cansado e gasto, oferece-se firme para suportar o descanso. Era bom que houvesse sempre um muro forte, uma parede firme, onde, no final de cada dia, se pudessem poisar, em paz, as angústias e as desistências.

sábado, 17 de maio de 2014

AVISO URGENTE

Este post é para os meus amigos e, também, para os meus inimigos! 
Há cerca de quinze dias, telefonicamente, pedi a rescisão do meu contrato de televisão Zon. Cumprindo a legislação, identifiquei-me com o número do cartão de cidadão, o nif, a morada e o número de cliente Zon. Não bastou! Já quatro vezes me telefonaram, nos momentos menos oportunos, a confirmar os dados. Já lhes disse, por isso, que tenho duas filhas, três netos, três cães, uma rã, muitas formigas e algumas aranhas, e penso que não seja impeditivo do cancelamento do meu contrato o facto de não ter periquitos nem canários. 
Acho muito estranho que, num país mais ou menos livre, seja quase feito um inquérito policial para, simplesmente, cancelar um serviço de televisão!
Será que não nos assiste o direito de mudar de casa, de mudar de serviços? Embora não consiga ver-me livre da Zon, fui logo informada que tenho uma fidelização até 18 de Junho e, por rescindir o contrato, pagarei mais 18 euros. (Embora considere que estou a ser  descaradamente roubada, pagarei essa quantia quando tiver a certeza que não vou receber mais nenhum telefonema a perguntar porque é que a senhora Maria não quer mais a televisão...)

Convém referir que,  há cerca de um mês, a ZON impingiu-me um serviço de internet que não funciona porque, na morada em questão, não há sinal e, ainda assim, obriga-me a nova fidelização e ao pagamento de 49 euros mensais. Ou seja: - Para ter net, tenho Vodafone, mas pago a Zon. Confuso? Não, é Portugal no seu melhor!
O meu aviso fica feito: Quem puder, fuja da Zon a catorze pés!!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

PROFESSOR

Ao dirigir-me ao meu carro, vi que tinha algo no vidro, preso sob a escova do pára-brisas. Tremi! Uma multa era mesmo só o que me faltava, num dia que de bom apenas tem ser sexta-feira. Já desesperada, estiquei a mão e retirei a coisa. Não era uma multa. Era, pelo contrário, uma promessa de felicidade. O senhor Karim, que não conheço, garantia no papelinho impresso que podia resolver todos os meus problemas. TODOS! Até mesmo, explicava, aqueles que eu nem sei que tenho. Este senhor, dizia ainda que há uma conjugação de estrelas que eu preciso conhecer para me integrar em harmonia no Universo. Mais, este senhor dizia-se Professor (nunca hei-de perceber porque é que toda a gente quer ser professor).
Ainda eu mal tinha acabado de ler a salvação prometida da minha vida, quando reparei que todos os carros no estacionamento tinham a mesma promessa de felicidade.
Que tal alguém procurar o Professor Karim e colocá-lo no governo?

quarta-feira, 14 de maio de 2014

LIXOS

Ao longe, o sono alheio enche a paisagem. Luzes tremelicantes, de vez em quando um automóvel ligeiro, o coro dos grilos e das cigarras. Vejo tudo ao longe, e de longe, com a sensação estranha de não fazer parte, de não ser um elemento, de não ser um elo. Olho o quotidiano e a angústia cresce. As alergias, os espirros, os olhos inflamados, fazem sempre a vida mais terrível nesta época do ano. Estranho como a natureza que amo me incomoda! Na velha casa amarela o silêncio faz-me companhia, as ausências protegem-me.
Arrumei os sonhos, rasguei em mil pedaços as ilusões, deitei no contentor verde a esperança. 
Hoje, sou só eu e a realidade. Amanhã, depois, a seguir, também. Do que quis, sonhei, desejei, ambicionei, ficaram farripas de nada que, tenho esperança, a memória se encarregará de destruir...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Rosas de Verdade


No meu quintal, há rosas de verdade. Rosas que cheiram bem, têm picos e até bichinhos nas pétalas. 

No fim da tarde, quando o sol amorna um pouco, sabe-me bem pegar num vasculho e deixar o meu velho quintal bem limpinho. Este é o meu espaço. O espaço onde as rosas ainda têm perfume, onde não há culpas nem agressões. 
Hoje, esta rosa espevitada, tão frágil e tão bela, emocionou-me. Se ela é capaz de estar assim, linda, de pé, perfumada, ainda que cheia de espinhos, como não conseguirei eu sorrir e acreditar também?
Eu sei... ela não pensa!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

PAZ

Muitos a apregoam, quase todos a desejam. Eu encontro-a por vezes. Como hoje! Quando a nogueira do meu quintal, as presenças das minhas filhas ausentes que enchem a velha cómoda, a minha tranquilidade interior me visita e eu sei que tenho trabalho bom para realizar. Sabe bem quando a vida se cumpre assim, de bem connosco. Hoje, até a segunda-feira, de início de campanha eleitoral, me sabe bem!