quinta-feira, 19 de junho de 2014
TORMENTAS
quarta-feira, 11 de junho de 2014
PORTUGAL
Propositada e conscientemente deixei que passasse o 10 de Junho, Dia de Portugal, sem escrever. Porque as palavras valem demais para se gastarem com a tristeza do que se viveu. O que dizer de discursos que apenas com um desmaio se animam? Como classificar as vaias, os berros, os protestos de gente descontente? Vi tudo, com mais vontade de chorar do que de rir. "Não mais Musa, não mais" ecoa Camões dentro de mim!
segunda-feira, 9 de junho de 2014
SAUDADE
9 anos. O tempo passa e parece que foi ontem. Não era perfeito, era humano mesmo, mas era a minha referência, o meu ombro amigo, o meu cúmplice. Já há nove anos que o meu Pai partiu, no quarto onde agora durmo, só comigo, com a sua mão na minha. Vi-o ir. Mas ainda hoje o sinto aqui, atento, a zelar por mim, a compreender o que todos condenam. Tenho saudades dele. Tenho sempre saudades dele mas, quando o calendário assinala datas, parece que dói mais ainda!
domingo, 8 de junho de 2014
O Veleiro
Lá no alto, a lua e as nuvens. Cá em baixo, ela. Estreante em viagens de veleiro, ouvia o zumbido suave do vento, via a água escura fazendo carneirinhos e sentia o grande veleiro a deslizar.
O comandante, um jovem Tiago de falar alentejano e cores holandesas, contava que o barco viera da Holanda, todo em ferro com mais de 100 anos. Falava de termos que ela desconhecia, a retranca, o calado, o patilhão, e talvez o desconhecimento dos sentidos conferisse mais magia quente aquela viagem. Sentada na popa, de pernas cruzadas para não perturbar o governo do leme, olhava as margens do Alqueva, o seu Alentejo tão amado e, agora, tão diferente com o grande lado a enchê-lo. Via as vacas, os pastores cansados, as roulottes dos turistas e os sobreiros de sempre. Muitas vezes dizia que não morreria sem fazer um cruzeiro. Mas a gente diz tanta coisa... Agora sentia-se feliz, em harmonia com a paisagem, deixando que os medos se afogassem como o castelo de Lousa, permitindo que as angústias adormecessem embaladas pelas águas do Alqueva.
Era dia sim, mas a certeza da noite ali estava e havia de chegar. Porque sempre chega a noite quando o sol inunda a alma das gentes.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
FINAL DE ANO LECTIVO
Acabou hoje, para milhares de alunos, mais um ano lectivo. Outros, mais novos, continuarão em aulas por mais uns dias, mas no ar está o perfume de férias... Olho sempre com um misto de emoções esta época do ano. Estou aliviada porque, como diziam no Juego de La Oca, foi uma prova superada.
Dei o melhor de mim, posso dormir descansada porque, aconteça o que acontecer nos exames, os meus alunos sabem que eu fiz o melhor que sei e que nunca os descurei! Por outro lado, experimento já uma saudade imensa. Saudade da refilice do David, da calma da Margarida, da curiosidade da Beatriz, da preguiça do Francisco, da irreverência bem disposta do André,... O que será destes miúdos para o ano? Conseguirão o futuro que desejam? Partirão para países distantes? O André gosta de pescar achigãs. Irá para um pais sem rio, para uma terra sem espaço para a sua pesca? Penso em todos, e em cada um, e tremo. Não acredito no mundo., desconfio da Humanidade. Receio as armadilhas, as injustiças, os calhaus enormes que os meus meninos irão, de certeza, encontrar pelo caminho.
Penso, também, nos mais pequenos. No Afonso, sempre em stress, na Ana Aurora, a gastar a vida como se fosse algodão doce, na Mariana, a crescer doendo, na Matilde, atenta e segura, no Miguel, contestatário e curioso, no Filipe, cumpridor e atento, na Patrícia, sorridente e disponível, na Catarina, de traço firme e mente voadora, na Catarina, de olhos meigos e sorriso fácil, na Ana, de silêncios múltiplos, no João Pedro, pertinente e certeiro, no Tiago, com a cabeça na bola de futebol, no Miguel, de pala sempre bem firme e cuidada, no Luís, a pedir sempre atenção, no Carlos, ausente e distante, na Ana, de canudinhos e olhar curioso, na minha Bia, sempre na dança e de olhar perdido em mil saris, na Michelle, galopando com o olhar pela janela da sala, na Mariana, amiga e curiosa, na Carolina, endiabrada e perdida, na Fernanda, maquilhada e terna, em todos! Tantos! E a quem o país não permite crescer, de facto. Miúdos aos quais a Escola de hoje fica incrivelmente curta! Em Setembro, mais espigados, vão voltar a encher a escola de sorrisos e protestos. Mas depois, muito em breve, porque Chronos é cruel, terão abandonado as paredes da velha escola que os viu crescer. Onde irão? Ah, às vezes desejava que, como as andorinhas que sujam a parede da minha velha casa, voltassem sempre para mim...
Olho o ano que se esgota, agora rapidamente, e penso em tanto que ficou por fazer mesmo, de facto, tendo consciência que fizemos muito! Penso, com um pouquinho da nostalgia que agora me invade, que, se crescer dói, envelhecer dilacera...
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Ambiguidades??
Li hoje, numa entrevista dada pela escritora Siri Hustvedt, uma certeza científica, validada por cientistas da área da neurologia, a afirmação de que o ser humano é complexo e que reage, e faz escolhas, movido por factores internos que, considerados por vezes socialmente ambíguos, são apenas individuais e complexos. Apresentava a autora o caso de Fernando Pessoa, mas dizia que não apenas os génios são "vítimas" destas forças psicológicas internas.
Depois de ler a longa entrevista, fiquei a pensar nas palavras lidas. Seria bom que toda a gente tivesse conhecimento desta realidade científica porque, se toda a gente soubesse que cada um faz opções, toma atitudes, influenciado por factores psíquicos singulares, talvez o mundo melhorasse e nós nos habituássemos a não condenar todos os que fazem escolhas diferentes das nossas!
domingo, 1 de junho de 2014
A ROSA
Na velha Casa da barra Amarela, no espaço onde, para mim, a existência ainda faz sentido, a hera forte ocupou toda a parede e tornou-se muralha do pequeno relvado. É uma imensidão de verde brilhante, jovem diria Garrett, e eu gosto da tecitura de tonalidades da cor da esperança. Hoje, quando regava a relva, reparei numa rosa, única, que rompia os verdes e dizia presente. É uma flor muito frágil, podia ter sido pintada por uma criança das que hoje festejam o dia que lhes deram, mas, na sua singeleza, impunha-se e empertigava-se. Ei, olha para mim!, parecia dizer-me. Eu olhei. Olhei, fotografei e invejei. Sim, invejei a força que tanta fragilidade consegue ter, invejei a forma como, sozinha e diferente, se empertiga para dizer presente.
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