quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

CARTA de AMOR

A editora Chiado desafiou-me para colaborar numa publicação de Cartas de Amor. Mandou as regras, não mais de 500 palavras, e eu fiquei a pensar. 
Primeiro, pensei no Amor. O que é isso? Existe mesmo sem ser pelos filhos e netos? Existe com compreensão e aceitação? Existe em ousadias sem regras nem modelos? Duvido. 
Depois, pensei nas cartas. Existem ainda? Não é tudo por e-mail, sms, instagram, facebook ou twitter? São ainda ridículas, ou nunca foram, de facto, ridículas? 
Finalmente, pensei nas 500 palavras. Porque tudo tem, hoje, de caber em normas, de ser contado e enquadrado, de ser modelado e controlado? 
Apaguei o convite.
Mas escrevi a carta de amor. Ridícula, pirosa talvez, mas chorada e sentida mesmo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Forte do Cão

 Forte do Cão. "O fortim do Cão foi erguido entre 1699 e 1702, com a função de defesa daquele trecho da costa, na foz do rio Âncora, coadjuvando a defesa proporcionada pela Praça-forte de Caminha."  É assim que a wikipedia explica a existência deste lugar. Para mim, e para os meus netos, o forte do cão é um lugar de bem-estar e boa brincadeira. 
Tendo sido construído na fase das guerras da Restauração da Independência, para nós é o lugar de proteção dos nossos segredos e histórias mágicas. Ali, com eles, lembro também a Praia, de Sophia. Lembro muitas narrativas, muitas linhas salgadas de sonhos e essências, desejos e desilusões.
No Forte do Cão não vi cães. Mas, ainda assim, imaginei rosnadelas agressivas a quem se aproximasse, pelo mar, deste cantinho que queria ser de novo Portugal.
A história faz-se assim, de transformações e mudanças, de passado purificado, de futuro nunca cumprido. Como a vida, afinal. 
Pelo meio, há momentos de luz e energia positiva. Como os que  passo, com as minhas crianças, junto ao Forte do Cão!

A gente muda...

Nas últimas semanas, por motivos profissionais, tenho ido a Elvas muitas vezes. Elvas e eu temos uma relação estranha... Cresci a ouvir dizer que Elvas não era lugar relevante e, paradoxalmente, ia lá muitas vezes porque os meus Pais tinham lá amigos de quem guardo muio boas memórias. Era lá que estava o Dr. Mário Monteiro, a Dona Gracinda, amigos que ficarão, sempre, ligados a momentos felizes da minha infância. Depois fui crescendo e Elvas tinha boas festas, era um lugar onde ia para me divertir. Em Portalegre, talvez por hábito, continuava a criticar Elvas... Tive um enorme acidente de automóvel, aos treze anos, conduzida por um jovem elvense e fiquei, para sempre, a gostar muito dele, do meu amigo do desastre, como digo ainda.
Por ironia do destino, esse que insiste em trocar-me as voltas, três sobrinhos que eu adoro viveram em Elvas e lá fui eu, muitas e muitas vezes, a caminho da cidade do Aqueduto.
Agora, com mais calo nos sentires, olho Elvas e gosto da cidade. Gosto da Escola de janelas grandes viradas para o Aqueduto, gosto do português cantado e da alegria que, creio, é contágio dos espanhóis.
A gente muda mesmo! Muda tanto que estou a olhar o calendário para encontrar um dia para ir passear a Elvas. Só passear!


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Segunda-Feira

Segunda-feira. As exigências a dizerem presente, o horizonte a mostrar que sim, que há limites, que é tempo de empacotar os sonhos e responder à realidade. Mas tempo, também, de questionar alguns sentidos, ou falta deles, na existência da humanidade. 
Que sentido faz desistirmos de tanto, cedermos à norma, às imposições de outros, espezinhando a nossa vontade, a nossa existência sempre individual? Às vezes, muitas vezes, penso nisto. Como professora, tento sempre ajudar os meus alunos a compreender que há normas, regras, exigências que, vindas de fora,  limitando as nossas opções, nos ajudam a determinar-nos por dentro. Mas tenho dúvidas. No momento em que  mundo vive transformações profundas da sua essência, no Tempo em que a relatividade do momento questiona tudo, deveríamos ser capazes de encontrar, de construir, uma nova organização quotidiana, uma existência pautada pelo respeito pelo outro, sem minimizar cada EU. Difícil? Com certeza. Possível? Quero crer que sim!

domingo, 27 de janeiro de 2019

LUGAR CERTO

Estar próximo do mar, no Inverno, faz-me sentir mais ainda a insignificância humana. É um cenário que atrai e repele, encanta e assusta. O mar do Norte, mais agreste, mais forte, nesta época do ano é absolutamente fantástico! Ali, nas rochas, de casaco bem fechado, com os netos por companhia e um café bem quente acabado de tomar, o azul do céu parece aplainar os picos e as lombas difíceis de muitos acordares. 
Foi ali, olhando o infinito com mãos lambuzadas de ovos Kinder no meu casaco, que ouvi a notícia da vinda do Papa a Portugal em 2022. Penso que estava no lugar certo, para uma novidade importante. Importante porque o Papa faz bem onde chega mas, mais importante ainda, porque me conforta saber que milhares de jovens se juntam por um ideal de paz, por uma vontade de ser melhores. A fé que eu professo, e que hesitante pratico, precisa de gente com sonhos, de juventude capaz de se unir por algo de BOM!
Sei, claro, que não vai ser a vinda de Francisco a Portugal que vai resolver os problemas do país, menos ainda do mundo, mas sei, tenho a certeza, que vai ser mais um Tempo de pensar coisas de ser BOM.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Coisas Boas

Às vezes, parece que está tudo errado, que tudo corre mal, que a vida se faz de complicações. É verdade. 
Mas é verdade, também, que tendemos s valorizar o mais o que é negativo e a esquecer, quero crer que involuntariamente, oq eu nos faz bem, o que tem cor e sentido, o que é positivo.
Há muitos momentos fantásticos na vida. Fantástico é o mimo dos netos, o sorriso das crianças, a cumplicidade entre amigos, a leitura de um bom livro. Quando a insónia abusa e insiste em incomodar, basta orientar os pensamentos para as coisas boas da existência. Eu tenho algumas e, ultimamente, tenho aprendido a valorizá-las. É bom estar acordada, tarde na noite, à braseira, pensando coisas de ser feliz, antecipando a viagem de daqui a bocadinho, reconstituindo momentos com amigos em conversa franca e descontraída, lembrando os sobrinhos-netos que riem e me dizem, num abraço forte, eu gosto tanto muito da tia!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

VIAJAR

Não há melhor terapia do que viajar. Circular pelo mundo, atravessar lugares diferentes, olhar a realidade outra, iludir a vida com novos cenários é a minha terapia preferida. Sempre que posso, e infelizmente não posso tanto como gostaria..., saio por aí. 
Quando tarda o momento de partir, iludo a realidade com o planear de saídas, com a marcação de férias. É uma forma de viajar por dentro, nas asas do sonho. Na noite procuro lugares, o mar, as cidades europeias, os lugares que nunca pisei. Um dia, breve, parto.