quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

POST-IT

Post-it. Na minha desorganização natural, onde me vou encontrando e conseguindo, com algum sucesso, orientar-me, entraram recentemente os post-it. São uns papelinhos que colam, servem para apontar coisas importantes, lembram urgências e sugerem afazeres. No meu trabalho, a moda dos post-it estava instalada quando cheguei e eu, de início, resisti. Para que quero eu isso, se tenho o telemóvel, e três agendas? Guarde, vão fazer-lhe falta, respondiam. E tinham razão. 
Aos poucos, fui adoptando o vício do papelinho amarelo e, hoje, quando cheguei ao trabalho, reparei que o ecran do meu computador está rodeado de amarelinhos escritos. Estão números de telefone, estão emails, estão datas, estão mimos e ternuras escritas que me deixam e me enchem de alegria.
Estou tão adepta de post-it que vou escrever um, para colar dentro de mim, lembrando-me que a felicidade é coisa de cada um e de cada qual! 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

FORMIGAS

O Bob Dylan diz, entre as muitas coisas acertadas que diz, que  "Nada é mais estável que a mudança." Deve ter lido Camões, que já tinha alertado para a permanente mudança que caracteriza o Tempo... de facto, a mudança, a constante transformação de cada eu e de cada nós, de cada eu com cada tu, é uma das principais marcas da Humanidade. E nós, protestando, estrebuchando, ou simplesmente aceitando, lá vamos gerindo a nossa adaptação à transformação, a muitas mudanças.
Hoje, eu estou numa adaptação a formigas. Nem mais.
Sempre odiei formigas. Aliás, acho que o La Fontaine não devia estar bom da cabeça quando tentou que preferíssemos a bichinha preta e muda, à canora cigarra... Num dia gelado e cheio de sol, eu tenho a minha mesa de trabalho cheia de formigas. As folhas mexem-se, os pontinhos negros circulam e eu vou matando aqui, sacudindo ali, praguejando sempre. 
Dantes, só havia formigas no Verão. Só havia formigas junto a coisas doces. Agora, há-as o ano todo, mesmo onde não há alimentos. Será que já sabem ler? Será que acreditam, como eu, que a Escola pode ser doce?
Malditas bichinhas que me incomodam e distraem! Malditas formigas que me fazem pensar como a insignificância, se colectiva, pode ser incomodativa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

INEXPLICÁVEL

Considero-me uma pessoa disponível para transformar o meu pensamento. Estou sempre receptiva para frequentar formação, para ouvir quem pensa de forma diferente, para reformular aquilo que defendo, se justificável. 
Confesso-me, também, uma acérrima defensora das crianças e dos jovens. Não acredito que a juventudes esteja cada vez pior, gosto de estar com os alunos e reconheço que aprendo muito com eles.
No entanto, há coisas que não consigo mesmo compreender. 
Qual é o interesse, a graça, o sentido, das bombinhas de mau cheiro que no Carnaval, que já começou, inundam as escolas? Que graça pode ter termos de trabalhar, de conviver, de permanecer, num espaço que cheira pessimamente? Ainda por cima, os próprios autores dos rebentamentos mal cheirosos têm de os suportar!! 
Sem querer ofender todos, mas com vontade de ofender alguns, acho mesmo que quem usa estas bombinhas só tem porcaria na cabeça e gosta, vá lá saber-se porquê, de chafurdar na porcaria...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

POESIA



Para as crianças tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o voo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não veem.
 (Ruben Alves)


E os eruditos, os arautos da sabedoria e da verdade que é só deles, continuam a punir e a combater o direito natural das crianças ao espanto! 
Aos poucos, num sistema formatado, feito de modelos maioritariamente anquilosados, a Escola Pública insiste em matar a poesia e o natural gosto pela aprendizagem das crianças e jovens.
Hoje, quando o sol frio não chega para me aquecer a alma, quando vejo as crianças felizes que enchem o pátio da escola lamentando ter de ir para a sala de aula, penso que não pode ser possível, em consciência, não acreditar e não querer construir práticas diferentes.
Nem tudo é Poesia. Mas não se pode viver sem Poesia...

sábado, 2 de fevereiro de 2019

PERFEITO

Há dias perfeitos, e o meu sábado foi exemplo disso! 
Este mês de Fevereiro, o mês mais pequeno do ano, começou da melhor maneira e eu estou bem comigo, estou contente e satisfeita. 
Passei o dia a trabalhar. A Professora Ariana Cosme, num discurso de conhecedora efectiva, sem necessidade de se colocar em bicos de pés, encheu as horas de sentidos na Educação. O optimismo, as evidências apresentadas, o discurso fluente e agradável, a convicção no que propõe, a capacidade de nos olhar e nos compreender, fizeram deste sábado um dia de aprendizagens significativas.
Eu, que convictamente acredito (já me acusam de falar vezes demais nisso...) na transformação da Escola Pública; eu que defendo uma Escola para todos e  que acredito, de verdade, que é possível fazer diferente e melhor, estava a precisar desta injecção de energia. É que, de tanto esbarrar com obstáculos, até eu já começava a vacilar. Apetecia-me abraçar com força a Professora Ariana para lhe agradecer o que me ensinou, a força que me deu para continuar. Apetecia-me ousar pedir-lhe para voltar, para vir mais vezes até Portalegre!
Cheguei a casa de alma cheia, alegre mas cansada. Enrolei-me frente ao lume e travei a nostalgia que ameaçava instalar-se. Fui para a música, afastei a neura anunciada e saí.. O Quarteto do Sol, agora com o Miguel Monteiro, encerrou com chave de ouro o meu sábado. Apetecia-me que não acabasse mais. Apetecia-me poder pousar nas notas certas e desfazer-me assim, no ar, em ritmo sentido e intenso.
Há, mesmo!, dias perfeitos!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A Dita Carta de Amor


Meu Amor,
Odeio-te. Odeio-te nos tempos da tua distância, no abraço gelado com que a noite me acolhe. Odeio a ausência do teu abraço total, do beijo profundo, das ousadias quentes que davam sentido à noite escura. Onde foi que nos perdemos, quando foi que a teia que nos envolvia se quebrou? Sim, sei de cor os conselhos vazios, iguais e ineficazes; conheço todos os ses que nunca serão; sinto os impossíveis que construíste em torno do sonho que era só meu.
Odeio-te, meu amor.
Odeio-te com toda a força da minha indignação feminina, com a energia do desejo que me não deixa dormir, que me molha o olhar e atraiçoa os sentires.
Na minha essência sonhada sinto-te ainda. O vinho tinto tinha sabor, as ameijoas e os mexilhões eram temperados de loucura. Picavam, sim. Como pica, agora, a carapaça de indiferença que carrego sobre a pele.
Meu amor, odeio-te!
Odeio-te e olho as fotografias que o computador me devolve, provocante, incómodo, impositivo. Ali, junto ao mar, riamos juntos. Eram as caminhadas matinais, a água ainda fria, as gaivotas por companhia. Porque gritavam as aves marinhas, perguntava eu, então achando que eram felizes. Hoje, sei que grasnavam pela felicidade de não terem saudades, de não sentirem, de não pensarem. Como o gato que brinca na rua//como se fosse na cama, as gaivotas não sabem que as caminhadas à beira-mar não são eternas. Mas eu sei. Tu ensinaste-me a saudade e o desalento da ausência imposta. Obrigada por isso, aprender é sempre gratificante, dizem…
Odeio-te, meu amor.
Odeio a tua presença imposta na minha solidão, a minha incapacidade de te eliminar também. Cabia inteira no teu abraço, ficávamos um só, na cama que agora é enorme, e viajávamos nos nossos corpos sem necessidade de GPS. Agora, perco-me em atalhos e semideiros escusos, diria Fernão Lopes, e não chego ao destino. O destino? O fim? Diria Reis ser o profundo reino de Plutão.
Sabes, talvez tenha chegado já. Sem ti, cheguei mais depressa, mais leve até.
Meu amor, odeio-te!
Com força. Com a mesma força, meu amor, com que desejo o teu/nosso abraço total de novo no meu corpo.
Adeus Amor.
Vou. Já fui. Fui depois de ti, para lá do nada, para esse lugar onde a gente sorri sem saber por que razão as lágrimas insistem em cair.
Odeio-te, meu amor!
E sempre te vou Amar Assim, com a força do ódio que me impões!
LM

REUNIÕES

Portugal tem o vício das reuniões. Podia até ser uma prática positiva, uma forma de fomentar trabalho colaborativo, de partilhar ideias. Mas não é. A maior parte das vezes, as reuniões servem para ouvir discursos repetitivos, ineficazes e cansativos. E, como não se faz uma avaliação séria sobre o efeito prático destas práticas,  gastam-se milhares de euros a mandar gente do todo o país para Lisboa.... 
Lá vou eu, daqui a pouco, mais uma vez a caminho da capital. Para ouvir o que já ouvi mil vezes, para gastar o meu carrinho, para me estafar por coisa nenhuma. Que pouca vontade tenho de me fazer, de novo..., à estrada para trabalhar. Como preferia ficar na minha cidade, no meu trabalho com as minhas escolas!