Os quartos de hotel são, para mim, lugares estranhos. São passageiros, surpreendem por vezes, acentuam a solidão. E porque o sono tarda nestes lugares estranhos, penso nos muitos desconhecidos que já dormiram na cama onde estou agora, assustando-me com a intimidade desconhecida. Imagino gente em trabalho, homens apressados, mulheres que, como eu, amam o longe e choram ausências.
E eu gosto de hotéis! Gosto, exactamente, da impessoalidade, da indiferença,do colchão mole e da limpeza. Estranha a minha relação com os hotéis. Estranha eu, talvez.terça-feira, 18 de junho de 2019
sexta-feira, 14 de junho de 2019
PARTIR
"Viajar, perder países, ser outro constantemente!" - E com que prazer faço a mala! Como anseio pelo abraço dos netos, pela companhia privilegiada da minha filha, pelos cheiros e cores da Inglaterra que adoro.
Partir! Com que prazer o faço.
terça-feira, 11 de junho de 2019
AINDA O 10 DE JUNHO
Já hoje é 11 de junho, já passou o Dia de Portugal, e eu continuo com os olhos húmidos, a alma surpreendida, após ouvir o discurso de João Miguel Tavares.
O João Miguel, tão lagóia como eu embora há menos tempo, teve a coragem de dizer o que muitos sentimos neste momento. Com frontalidade, o João Miguel falou da amnésia colectiva em que vivemos, de corrupção gritante e continuada, da incapacidade de fazer funcionar a justiça de oportunidades. De forma clara, denunciou o vício das "famílias influentes", das cunhas, das eternas preferências por conhecimentos pessoais e/ou partidários.
Lembrou a sua história, cada um de nós tem uma para contar..., e mostrou que, embora o 25 de Abril tenha, sem dúvida, trazido muitas melhorias sociais, não estão assumidas todas as necessárias. O João Miguel questionou o futuro, sem dramatismos mas com verdade. Ouvi, com a alma encolhida e os olhos cheios de água. Como fazer diferente? É tão urgente...
Olho a minha cidade, constato o peso - imenso e insuportável - da interioridade. Também as minhas filhas partiram, e os meus irmãos também. Fiquei eu. Feita de um telurismo que me encanta e limita. Fiquei eu. Num lugar onde os espertos se safam sempre, onde a inteligência tem medo, onde o silêncio cresce no medo continuado...
domingo, 9 de junho de 2019
14 ANOS
Mais um ano. 14. E as saudades crescem, doem. Sabia que o meu Pai me ía fazer falta, muita!, mas nunca imaginei que fosse TANTA... os anos somam-se e a dor é cada vez mais viva. Garantiam-me que viria a aceitação, a dor calma, a saudade limpa. Mentira! A dor continua viva, dilacerante e a tirar-me o sono. O meu Pai foi o único amigo real que tive.
O meu Pai aceitava-me como sou, ensinava-me a tentar ser melhor, sorria para mim sempre. O meu Pai ensinou-me a amar o Alentejo, a distinguir a corrida do coelho da da lebre, a identificar o vôo da perdiz. O meu Pai ensinou-me os vinhos bons, o prazer das conversas compridas à mesa, os segredos da Fé!
O meu Pai desapareceu num nove de Junho maldito, há 14 anos. Eu tenho muitas saudades do meu Pai!!
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Tom Jobim
Tom Jobim canta só para mim. Eu sei que eu vou-te amar. Eu sei também. Eu sei que ainda que respondas com raiva, com ódio, com adeus e acusações, eu sei que eu vou-te amar. Vou amar-te sempre, mesmo quando o adeus acontece, a impossibilidade se faz real e a vida se impõe. Tom Jobim canta só para mim na noite que não traz o sono. Eu sei que eu vou-te amar. Para sempre eu vou-te amar.
terça-feira, 4 de junho de 2019
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