quinta-feira, 18 de julho de 2019
terça-feira, 16 de julho de 2019
Caminhada
Chego muito cedo à areia. Largo o saco, estendo a toalha e vou caminhar. Pessoa surge, faz-me boa companhia"Quando as crianças brincam, e eu as vejo brincar, qualquer coisa na minh'alma começa a se alegrar". Sorrio à memória-lembrança, troco as crianças, que não chegaram ainda, pelas gaivotas sonoras. Molho os pés no mar tão calmo, tão quieto, tão falsamente inocente. Não penso. "Pensar é estar doente dos olhos" e, hoje, eu sou saudável.

domingo, 14 de julho de 2019
sábado, 6 de julho de 2019
PRAIA
Porque não gosto de calor, não devia gostar de praia. Mas gosto, ou não fosse eu feita de paradoxos... Gosto muita de manhãs e fins de tarde, na praia. Gosto das caminhadas, do mar mansinho, do cheio forte misturado com bronzeadores, das marcas dos pés na areia molhada, do café no bar da praia, da caipirinha o fim da tarde. Gosto de, à noite, me sentar numa esplanada a ouvir música e de fingir que acredito que as luzinhas do céu brilham para mim.
A minha praia, depois de muitos anos a errar pela zona de Albufeira e praia da Oura, é a Praia da Rocha. Já fui imensamente feliz lá, já fui dolorosamente infeliz também. Ainda assim, é a praia que escolho sempre que posso.
Agora, aproxima-se a minha semana de Rocha. E eu antecipo, com gosto, as manhãs em que as gaivotas me acordam, as caminhadas e os pôres do sol. Falta pouco, penso. E é o que me faz ainda ter energia para trabalhar. Falta pouco. Falta mesmo pouco para eu sentir que, de verdade mesmo, a felicidade está em nós próprios e na forma como valorizamos cada momento.
domingo, 30 de junho de 2019
O POEMA
Pensei fazer um poema. Com calor, ouvindo as rãs, olhando os cães, pensei que a poesia era só isso mas, ainda assim, pensei escrever o poema. Um, não o. Não me tenho na conta de poetisa, não sei encontrar palavras bonitas, mas apetecia-me um poema. Decidi escrevê-lo. Malgré tout.
E comecei a sonhá-lo, porque tudo sonho antes que o seja.
Meti-te no meu poema, inteiro, sem sequer te despir das maldades humanas. Depois, meti-me lá a mim também, cheia de paradoxos, de antíteses e anástrofes. Cruzei o meu eu com o teu tu em versos de pé quebrado, mistura de verso branco. Os cães, nas suas corridas loucas, íam fazendo a métrica, cadência original.
No final da primeira estrofe, uma quintilha esquisita, pensei no refrão. Dois versos chegavam, mas desisti. Há tantas repetições chatas na vida que o refrão pareceu-me agressor e abusivo.
Segui na minha escrita. Saíu a segunda estrofe, despidos os dois, enlaçados nas palavras que ficaram por dizer. Havia, no meu poema, elipses estranhas. Já tinha mais uma quadra, esta certa e de rima emparelhada, obviamente irreal. Terminei o poema com um terceto cruzado. Assim, a provocar o soneto certinho que nunca serei capaz de escrever.
Como na vida, na minha, a perfeição falhou.
Ah, mas o poema surgiu!
sexta-feira, 28 de junho de 2019
Assim
Há dias assim. Assim apenas, sem nada que os justifique, com pouco que lhes dê sentido. Há dias que parecem ser, apenas, um quadrado escuro no calendário, sem espaço sequer para aí construir sentidos. Hoje, para mim, é um desses dias. É um dia oco, e estranhamente cheio de afazeres e de urgências que bem podiam ser eternamente adiadas.
Nestes dias, os meus sentires, tecidos de memórias e cheios de espuma de sonhos, insistem em molhar-me os olhos. Não há um motivo particular. mas também o não há para sorrir e acreditar na vida. Hoje, é um dia assim.
quarta-feira, 26 de junho de 2019
SALA DE AULA
Para quem é professor, o final do ano é em Junho/Julho e nunca em Dezembro. Nesta altura, acontecem as despedidas dos alunos que partem, o até Setembro áqueles que vão a banhos, as saudades já antecipadas, a ideia (pura ilusão) de descanso e férias.
Ilusão mesmo! porque começa a loucura dos exames. As vigilâncias, com professores aborrecidos e tornados agentes da polícia, alunos ansiosos e inseguros, as resmas de provas para corrigir, as matrículas. Vêm, ainda, as mil reuniões, algumas para coisa nenhuma, muitas a exigir uma concentração e esforço que o cansaço de um ano não permite.
Ilusão mesmo! porque começa a loucura dos exames. As vigilâncias, com professores aborrecidos e tornados agentes da polícia, alunos ansiosos e inseguros, as resmas de provas para corrigir, as matrículas. Vêm, ainda, as mil reuniões, algumas para coisa nenhuma, muitas a exigir uma concentração e esforço que o cansaço de um ano não permite.
Este ano, porque não tive turmas, tenho muitas saudades das despedidas. Saudades nenhumas do que, para mim, é o absurdo dos exames!
Tenho saudades dos alunos que partem, daqueles com os quais, ao longo de um ano, e às vezes mais, partilhava momentos, desentendimentos também, ternuras sempre.
Tenho muitas saudades da sala de aula! Tenho, até, saudades dos cheiros que enchiam a sala nesta época!!
Tenho muitas saudades da sala de aula! Tenho, até, saudades dos cheiros que enchiam a sala nesta época!!
sexta-feira, 21 de junho de 2019
LISBOA
Lá em baixo, Lisboa. Cidade com água, muito clara, que faz a senhora inglesa, que se senta no banco ao lado do meu, exclamar- GREAT! SO BRILLIANT! - Experimento algum orgulho.
De facto, Lisboa é uma cidade luminosa e, vista do céu, sem gente, fica mais bonita ainda. Eu, que tanto gosto de sair, o meu Pai costumava dizer que eu adorava conjugar o verbo ir..., experimento sempre uma boa sensação, uma vivência de pertença, quando aterro em Lisboa.
É verdade que Portugal é um país com problemas, com corrupção a mais, com lixo nas ruas, com muita pobreza, impostos incrivelmente altos e serviços públicos deficientes. É verdade que a gasolina é caríssima, que o custo de vida tem subido assustadoramente. É verdade, também, que é um país de profundas assimetrias, onde o interior sofre um abandono gritante. É tudo verdade!
Mas é verdade, também, que este chão é o meu e sabe-me muito bem voltar a pisá-lo!
terça-feira, 18 de junho de 2019
Quartos
Os quartos de hotel são, para mim, lugares estranhos. São passageiros, surpreendem por vezes, acentuam a solidão. E porque o sono tarda nestes lugares estranhos, penso nos muitos desconhecidos que já dormiram na cama onde estou agora, assustando-me com a intimidade desconhecida. Imagino gente em trabalho, homens apressados, mulheres que, como eu, amam o longe e choram ausências.
E eu gosto de hotéis! Gosto, exactamente, da impessoalidade, da indiferença,do colchão mole e da limpeza. Estranha a minha relação com os hotéis. Estranha eu, talvez.sexta-feira, 14 de junho de 2019
PARTIR
"Viajar, perder países, ser outro constantemente!" - E com que prazer faço a mala! Como anseio pelo abraço dos netos, pela companhia privilegiada da minha filha, pelos cheiros e cores da Inglaterra que adoro.
Partir! Com que prazer o faço.
terça-feira, 11 de junho de 2019
AINDA O 10 DE JUNHO
Já hoje é 11 de junho, já passou o Dia de Portugal, e eu continuo com os olhos húmidos, a alma surpreendida, após ouvir o discurso de João Miguel Tavares.
O João Miguel, tão lagóia como eu embora há menos tempo, teve a coragem de dizer o que muitos sentimos neste momento. Com frontalidade, o João Miguel falou da amnésia colectiva em que vivemos, de corrupção gritante e continuada, da incapacidade de fazer funcionar a justiça de oportunidades. De forma clara, denunciou o vício das "famílias influentes", das cunhas, das eternas preferências por conhecimentos pessoais e/ou partidários.
Lembrou a sua história, cada um de nós tem uma para contar..., e mostrou que, embora o 25 de Abril tenha, sem dúvida, trazido muitas melhorias sociais, não estão assumidas todas as necessárias. O João Miguel questionou o futuro, sem dramatismos mas com verdade. Ouvi, com a alma encolhida e os olhos cheios de água. Como fazer diferente? É tão urgente...
Olho a minha cidade, constato o peso - imenso e insuportável - da interioridade. Também as minhas filhas partiram, e os meus irmãos também. Fiquei eu. Feita de um telurismo que me encanta e limita. Fiquei eu. Num lugar onde os espertos se safam sempre, onde a inteligência tem medo, onde o silêncio cresce no medo continuado...
domingo, 9 de junho de 2019
14 ANOS
Mais um ano. 14. E as saudades crescem, doem. Sabia que o meu Pai me ía fazer falta, muita!, mas nunca imaginei que fosse TANTA... os anos somam-se e a dor é cada vez mais viva. Garantiam-me que viria a aceitação, a dor calma, a saudade limpa. Mentira! A dor continua viva, dilacerante e a tirar-me o sono. O meu Pai foi o único amigo real que tive.
O meu Pai aceitava-me como sou, ensinava-me a tentar ser melhor, sorria para mim sempre. O meu Pai ensinou-me a amar o Alentejo, a distinguir a corrida do coelho da da lebre, a identificar o vôo da perdiz. O meu Pai ensinou-me os vinhos bons, o prazer das conversas compridas à mesa, os segredos da Fé!
O meu Pai desapareceu num nove de Junho maldito, há 14 anos. Eu tenho muitas saudades do meu Pai!!
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Tom Jobim
Tom Jobim canta só para mim. Eu sei que eu vou-te amar. Eu sei também. Eu sei que ainda que respondas com raiva, com ódio, com adeus e acusações, eu sei que eu vou-te amar. Vou amar-te sempre, mesmo quando o adeus acontece, a impossibilidade se faz real e a vida se impõe. Tom Jobim canta só para mim na noite que não traz o sono. Eu sei que eu vou-te amar. Para sempre eu vou-te amar.
terça-feira, 4 de junho de 2019
sexta-feira, 31 de maio de 2019
BEETHOVEN
Ontem, depois de um dia de muito trabalho, tive o privilégio de ouvir, na minha cidade de Portalegre, a fabulosa orquestra da Gulbenkian. Os violinos tocam as cordas da minha emoção, mas a oitava sinfonia de Beethoven, a alegria enérgica, a força dos instrumentos, transportaram-me para espaços inexistentes. Hoje, a caminho do Norte, respondendo aquela necessidade intensa de lamber as crias, fiz 400kms ainda cativa de Beethoven. Incrível o poder da música!!terça-feira, 28 de maio de 2019
SENTIRES ABSURDOS
Sim, é verdade. Assumo, sem vergonha, que tenho saudades. Tenho saudades da presença, do abraço, da gargalhada, das perguntas inoportunas, das observações pertinentes.
É verdade que sei que a vida é mesmo assim, que se cumpre numa sucessão de dias que, por vezes, se enchem de coisa nenhuma, mas, mesmo assim, sofro. Tenho saudades do meu Pai. Tenho muitas saudades da casa amarela, das tardes na varanda, das noites com orquestras de cigarras, dos pirilampos que se escondiam nos vasos do rosmaninho e do alecrim. Tenho saudades de adormecer sem angústias, sem sentimentos de perda, sem a certeza de que, quando o sol nascer, é apenas só mais um dia...
É verdade que sei que a vida é mesmo assim, que se cumpre numa sucessão de dias que, por vezes, se enchem de coisa nenhuma, mas, mesmo assim, sofro. Tenho saudades do meu Pai. Tenho muitas saudades da casa amarela, das tardes na varanda, das noites com orquestras de cigarras, dos pirilampos que se escondiam nos vasos do rosmaninho e do alecrim. Tenho saudades de adormecer sem angústias, sem sentimentos de perda, sem a certeza de que, quando o sol nascer, é apenas só mais um dia...
É verdade mesmo. Tenho saudades. E sei que as saudades não servem para nada!
segunda-feira, 27 de maio de 2019
RESILIÊNCIA
Tudo começou em 2016.
Foi publicado o Despacho 1-F, começava a preconizar-se uma avaliação efectivamente para as aprendizagens, dizia-se que as Escolas deviam elaborar os descritores de desempenho. O 1-F era apenas para seguir até ao 3º ciclo e, ou fosse porque era mesmo inovador, ou fosse porque começava a romper práticas habituais, foi posto de lado na maioria dos Agrupamentos.
Na minha escola, a luta começou feia. Argumentei, insisti, lutei, briguei, fiz exposições ao Conselho Pedagógico, mas não consegui nada. De facto "se uma pulga não pára o combóio, faz pelo menos muita comichão ao maquinista" e eu só consegui mesmo fazer cócegas a alguns maquinistas que defendiam as máquinas a vapor...
Em 2017, veio o Perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória. Era já subdiretora, nesse ano, e pude tentar discutir o documento de forma alargada. A direção promoveu diversas sessões de esclarecimento. Era, para mim, uma porta escancarada para a Escola em que acredito: - Uma Escola centrada em cada aluno, a ajudar a formar cidadãos, real e efectivamente para todos, onde a avaliação visa a melhoria das aprendizagens e não a classificação e seriação, (e exclusão), dos alunos.
Em julho de 2018, naquele dia 6 que não esquecerei, nasceram os gémeos, o 54 e o 55.
A meus olhos, tudo estava a acontecer na Educação e, pela primeira vez nos meus 34 de carreira, dizia-se - ESCREVIA-SE! - que cada Agrupamento/Escola tem identidade própria. Os professores, intelectuais e cosmopolitas, penso eu, podiam olhar a sua realidade e repensar metodologias. Podiamos até, e podemos!, mexer na matriz curricular. Podiamos criar novas disciplinas! E, se achassemos que 25% de autonomia era pouco, podiamos pedir mais. Houve quem pedisse, felizmente!
Agora está calor, estamos a terminar o ano lectivo de 2018/19 e eu ainda encontro muitos professores preocupados com os exames. (Como se os exames mostrassem fantásticos desempenhos de Agrupamentos...)
Eu acho que sou resiliente. Não desisto, continuo no meu combate por uma Educação mais equitativa, mais democrática, mais efectiva e real. Continuo a acreditar que se queremos um amanhã (daqui a bocadinho) melhor, e EU QUERO, temos de agir de outro modo. No entanto, às vezes sinto que já não tenho mais forças. Já não posso ouvir falar nos exames, nos dois ou três alunos de cada turma que entram na faculdade em cada Agrupamento!
Às vezes, já nem tenho paciência para esgrimir argumentos.
Às vezes, como o Poeta, tudo o que tenho em mim é um
íssimo, íssimo, íssimo
Cansaço!
domingo, 26 de maio de 2019
ASMA
Só quem sofre de asma, não apenas de alergias, compreende o sofrimento que implica a sensação de não poder mais respirar, de pensar que, num instante, tudo vai para sempre escurecer.
Tenho asma desde miúda, treze anos, e já tive alguns períodos muito maus. Nos últimos anos, felizmente, porque a ciência não pára de evoluir, andava até esquecida desta maldita doença. Este ano, como se a Vida achasse que tenho sofrido pouco, a asma voltou a incomodar-me muitíssimo. Carrego sempre uma tosse funda, uma falta de ar que me provoca indescritíveis dores de cabeça e um cansaço inexplicável. Às vezes, penso mesmo que o escuro definitivo seria um alívio, um terminar deste sufoco constante. Depois, olho o mundo, repenso a vida, lembro os abraços dos meus netos, as conversas com as minhas filhas, os passeios com os meus cães, as caminhadas à beira-mar, as cores da minha Serra, a Sé da minha cidade, e fico com muita pena se, de repente, o escuro vier de vez...
quarta-feira, 22 de maio de 2019
DESGOSTO
Os javalis fizeram um buraco na rede e, num instante, os meus cães, os três, desapareceram. Os meus cães são os meus mais fieis companheiros, os únicos que nunca me falhavam (até agora), os que me faziam sorrir mesmo quando chorar era a minha vontade. Agora, desapareceram. Fui à PSP, à GNR, pedi ajuda aos amigos, divulguei a minha preocupação nas redes sociais, mas já passaram 48 horas e eles não aparecem. Muitas pessoas os viram, garantem-me que eles andam por aí, correndo, explorando o terreno, mas ninguém os prende e eu continuo sem saber deles. Há duas noites que não durmo!
Ao longo da minha vida tenho sofrido muitas desilusões, muitos abandonos e injustiças, mas a fuga dos meus três cães está a ser difícil de superar. Talvez eles voltem, talvez os apanhem, talvez alguém mos traga mas, até lá, estou destroçada!
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