quinta-feira, 25 de julho de 2019

LIBERDADE

"Liberdade, liberdade, 
quem a tem chama-lhe sua
Só eu não tenho liberdade,
Nem de pôr o pé na rua"

Creio que é mais ou menos assim a quadra popular que aprendi de cor, nos meus tempos de menina. Felizmente, eu posso pôr o pé na rua sempre que quiser, posso até pôr os dois pés, os braços, a cabeça, todo o corpo, mas, não tenho liberdade! A liberdade é muito mais , para mim, do que pôr o pé na rua, ou sair de casa para ir onde me apetecer.
Ser livre, para mim, é poder falar, e escrever, de coração aberto e sem medo de represálias, de processos ou de condenações. É esta a liberdade que me falta! 
Diariamente, alguém me diz tem cuidado, vê lá o que escreves, guarda as opiniões só para ti. Reconhecendo a bondade e racionalidade dos conselhos, com aprendizagem de experiência (dolorosa) feita, custa-me, dói-me, sentir que, vivendo num estado democrático,  não sou livre de facto... 
Claro que sei que ser livre implica, e ainda bem, ser responsável. Mas ter opinião contrária à de outrem não é também ser responsável? E opinar sobre a realidade, sobre factos sociais e políticos, implica não ser responsável?  
Vivo com medo, calando muitas vezes o que me vai na alma, na cabeça também! 
Se a democracia é isto, o que será a ditadura? 

LOUCURA MUNDIAL

O novo primeiro ministro britânico é assustador! Tem um olhar estranho, uma postura escandalosamente agressiva e, cada vez que fala, projecta obscenidades sociais, políticas e sociais. Desde que o Brexit teve início, parece que a Grã-Bretanha enlouqueceu  mesmo. Sou uma admiradora confessa dos ingleses, talvez porque a minha família materna veio da Ilha, talvez porque os meus netos nasceram em Cambridge, talvez porque sempre fui (e sou) feliz em terras de sua Majestade,  talvez porque gosto do clima e da literatura. Não sei! 
Sei que  sempre olhei o UK com respeito e admiração. Para mim, era a referência da democracia que funciona... Agora, tenho receio, tristeza e incredulidade. Como pode ser possível?
Pior, mais grave, é que olho o mundo e penso que há loucos a mais nos destinos do mesmo. Há os EUA, há o Brasil, há a Venezuela,  há a Rússia, há a Coreia, há agora o Reino Unido. São loucos suficientes para, sem que possamos fazer nada, destruam o que resta do Planeta Terra.
À noite, quando o silêncio chega e eu penso a existência (haverá ainda essência na humanidade?) temo pelos meus netos, por todas as crianças que crescem, e serão adultas, nos próximos anos. Cada vez mais  defendo políticas humanistas e, infelizmente, cada vez mais vejo práticas de políticas umbiguistas... 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

FALÊNCIA


Saí de casa cedo, movida pelas memórias da juventude: - os mesmos cheiros na Serra, o calor excessivo, os cães e o mundo lá em baixo, na cidade tão minha.
Saí, e procurei a boleima do meu Liceu. Aquela que comia nos intervalos, sentada nas escadinhas da Praça que ainda não era (ou se era eu não sabia) da República. 
Deparei-me com a padaria fechada. Férias, pensei. Procurei outra. Fechada. Férias, também? Perguntei na Farmácia: - Faliu, já nao há padaria! Mas pode comprar pão ali no café.
Comprei o pão no café. E a tristeza voltou. Pobre cidade onde até o pão leva à falência!

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Ferragudo

Almoçar em Ferragudo, atravessar o rio Arade no barquinho que funciona com energia solar, é sempre um momento alto das minhas pequenas férias. Que o possa fazer muitos anos mais, rezo baixinho...



terça-feira, 16 de julho de 2019

Caminhada

Chego muito cedo à areia. Largo o saco, estendo a toalha e vou caminhar. Pessoa surge, faz-me boa companhia"Quando as crianças brincam, e eu as vejo brincar, qualquer coisa na minh'alma começa a se alegrar". Sorrio à memória-lembrança, troco as crianças, que não chegaram ainda, pelas gaivotas sonoras. Molho os pés no mar tão calmo, tão quieto, tão falsamente inocente. Não penso. "Pensar é estar doente dos olhos" e, hoje, eu sou saudável.



domingo, 14 de julho de 2019

Mar

Há que tempos que antecipava

 este hoje. Sim, também se aproveita por antecipação. Finalmente, chegou o dia! A praia cedo e bem tarde, a caipirinha, a ida de barco até Ferragudo. Semana nobre na minha existência!!

sábado, 6 de julho de 2019

PRAIA

Porque não gosto de calor, não devia gostar de praia. Mas gosto, ou não fosse eu feita de paradoxos... Gosto muita de manhãs e fins de tarde, na praia. Gosto das caminhadas, do mar mansinho, do cheio forte misturado com bronzeadores, das marcas dos pés na areia molhada, do café no bar da praia, da caipirinha o fim da tarde. Gosto de, à noite, me sentar numa esplanada a ouvir música e de fingir que acredito que as luzinhas do céu brilham para mim.
A minha praia, depois de muitos anos a errar pela zona de Albufeira e praia da Oura, é a Praia da Rocha. Já fui imensamente feliz lá, já fui dolorosamente infeliz também. Ainda assim, é  a praia que escolho sempre que posso.
Agora, aproxima-se a minha semana de Rocha. E eu antecipo, com gosto, as manhãs em que as gaivotas me acordam, as caminhadas e os pôres do sol. Falta pouco, penso. E é o que me faz ainda ter energia para trabalhar. Falta pouco. Falta mesmo pouco para eu sentir que, de verdade mesmo, a felicidade está em nós próprios e na forma como valorizamos cada momento.