segunda-feira, 30 de setembro de 2019

TRANSFORMAÇÃO DE PRÁTICAS

Dormi agitada, receio, sempre, que o telemóvel falhe e o despertador não toque. Tocou. Saí de casa antes das sete da manhã, envolta em nevoeiro e desejando não ser D. Sebastião . Depois de mais de duzentos quilómetros, obrigada à modernidade do meu GPS, cheguei ao mar. Era o destino para dois dias de trabalho sobre a formação e a avaliação das aprendizagens.
 O mar, forte, está lá fora mas, ainda assim, sinto a sua intensidade dentro de mim. Queria poder beber-lhe a energia. Porque,
 embora eu saiba que "Deus ao mar o perigo e o abismo deu//mas nele é que espelhou o céu", às vezes fraquejo...

sábado, 28 de setembro de 2019

CONTRASTES EM PORTUGAL

Há muitos anos que não ia ao Bussaco. Ao Palace Hotel do Bussaco, a esse lugar onde o rei D. Carlos tanto caçou, onde houve batalhas, invasões e muitos romances. Este fim de semana, a propósito de uma exposição para mim imperdível, na praia da Vagueira, fiz caminho e dormi no Bussaco. Que desilusão! Encontrei um hotel degradado, alcatifas rotas, torneiras sem funcionar, mata cheia de árvores caídas. Que tristeza! Parece ser sina deste povo a que orgulhosamente pertenço:- nunca manter, nunca conservar! Somos povo de grandes ideais e pouca manutenção dos mesmos... Dá dó andar no Bussaco, pesadelos dormir naquele palácio lindíssimo!
Do Bussaco, rumei a Vagos, Costa Nova, Aveiro, Vista Alegre. Que maravilha de lugares! Que bem preservado o ambiente, que encantadora a Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, hoje de privados.
Pois é, o estado português não merece o património que tem a cargo. É pena...







quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A MATILHA

Na minha opinião, que vale muitas vezes só para consolo próprio, o ser humano é único, exclusivo, e, por isso mesmo, com singularidades. Eu vejo-me assim.
No entanto, a Pessoa só se realiza, plenamente, em relação com o outro - com os outros. 
Há assim uma espécie de sentimento de matilha, de grupo, que nos ajuda a sermos mais completos e realizados. Deve ser por isso, acho eu, que nós vivemos do avesso, virados para fora e não para dentro, olhando o exterior mais do que o interior. E é nesta relação do eu com o sentimento de matilha, que a existência se complica. Quando o eu se desmatilha, sofre. Quando a matilha o não reconhece, sofre. Se calhar, por isso, às vezes surgem dentadas no alheio.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

VERGONHA

Bem cedo, e tão tarde para a ida que é já segunda-feira, entra um pip e surge, no ecran do meu telemóvel, mais um email. É o Ministério da Educação a dizer-me que precisa dos meus serviços, a chamar-me para dois dias de formação no Vimieiro, a impor-me regime de internato, e a esclarecer que não paga as deslocações. Afinal, são só duzentos e muitos quilómetros... A falta de respeito que o sistema tem pelos professores, parece-me grave. 
Eu acredito na necessidade de mudar práticas, defendo, às vezes aguerridamente, o trabalho colaborativo, mas, sinceramente, não acho justo ter de pagar do meu magro bolso as sessões de formação.
Às vezes, este país envergonha-me!

terça-feira, 24 de setembro de 2019

DEPOIS

E depois, fechou a porta e ficou olhando o vazio. Porque tinha de existir um depois? Porque não podia tudo, ou pelo menos as coisas boas, só terem durante? Escorregou e ficou, aninhada em si mesma, trancada no abraço ao seu eu, sentindo os estilhaços do mundo, do seu mundo, a ferirem fundo o seu pensar. 
Devia ter desistido antes da desilusão. Devia ter travado antes de ganhar velocidade nas asas do sonho. Devia. Mas ela nunca acertava o fazer com o dever e, uma vez mais, tinha acreditado que seria possível, que ia, de facto, transformar a Escola, a sua escola, num lugar de construção de felicidade e aprendizagens de sucesso. E o sal secava-lhe a pele, magoava-lhe a garganta. Estava cansada de tanta desilusão. Não tinha, já, capacidade para o depois.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

ILHA da MADEIRA

Na ilha da Madeira, naquele espaço fantástico abraçado pelo mar azul, as pessoas foram a votos. Correram com a extrema esquerda, e para mim fizeram muito bem, e dividiram-se entre o PS e o PSD. Infelizmente, a abstenção voltou a aproximar-se dos 45% o que eu acho absolutamente absurdo.
Não consigo compreender que as pessoas não votem. Reconheço a desilusão colectiva, os maus exemplos de alguns políticos, o aumento da corrupção, mas, ainda assim, continuo a pensar que o voto é a única forma de manifestar a nossa indignação. Enfim...
Na Madeira, a aproximação entre PSD e PS também me entristece. Claro que as práticas são semelhantes (infelizmente) mas, ainda assim, há fundamentações ideológicas que me impedem de confundir os dois partidos. Nunca votarei PS e nunca votei PSD... (Mas penso que poderei fazê-lo). 
Agora, recordo o carismático  Dr. Alberto João Jardim. Um dia, há aí uns trinta anos, fui ao Funchal com o meu Pai, num Congresso de Cardiologia. Num dos dias, houve um jantar oferecido pelo então presidente do Governo Regional e, ao cimo das escadas da Quinta da Vigia, o Sr. Dr. Alberto João recebia os convidados. 
Ao iniciarmos a subida, ele disse de lá, em voz de sonora simpatia . - Ora bem-vindo, Dr. Emílio Moreira, lá de Portalegre! 
O meu Pai nunca tinha estado com o Dr. Alberto João, ele também não o conhecia, mas teve a simpatia de se informar sobre as pessoas que recebia e de as acolher como amigos. Nunca mais esqueci este momento...
Não tenho a mesma simpatia pelo Dr. Albuquerque mas, confesso, fico satisfeita por saber que o PS não ganhou as eleições!
Às vezes, muitas vezes..., fico em pânico com a vivência da Democracia.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

19 de SETEMBRO

Nunca mais vou esquecer esta data! Ontem, Portalegre, uma vez mais, não me desiludiu. Foi uma tarde mágica a que acolheu o lançamento do meu terceiro livro, Prateleiras de Insignificâncias. Um momento de ousadias, com diferentes opções políticas a provar que a democracia é possível. Mas, muito mais do que a política, foi a amizade que esteve presente, que encheu o espaço e o meu coração. 
A escrita, como muitas vezes digo, é uma exposição da alma, e a minha está exposta com emoção. 
Sinto necessidade, neste espaço que é muito meu, de agradecer a algumas pessoas: - ao Raul; sempre presente. Ao João Matela; amigo de cada hora. À Piedade Murta; ombro onde tantas vezes choro. À Paula e à Carla; o que seria de mim sem o carinho irreverente destas duas amigas?. Aos meus sobrinhos Bernardo, João, António; os sobrinhos são um bocadão nossos. Meus. Ao meu primo André; que veio de Lisboa para me ouvir. Aos meus pequeninos, a Francisca, o Bernardo, a Maria, a Madalena, o Manel, o João pequenino; são as crianças do meu coração, são quem ilude e anestesia um pouco a falta que os meus netos me fazem. Aos meus queridos amigos da Universidade Sénior; todos sorrindo ternura para mim!
Há, de certeza, mais nomes que estão no meu coração. MUITOS! mas não é possível registar, aqui, todos. Registei-os nos meus sentires.
Às vezes, acho que tudo me corre mal e que eu nada valho. Ontem, rodeada de tanta gente e de tanto carinho, cheguei a ousar pensar que, se calhar, valho alguma coisa! OBRIGADA!