terça-feira, 12 de novembro de 2019

FORA DE TEMPO

Oiço, cada vez mais, falar em inteligência emocional. Sempre que surge uma formação com este tema, chovem inscrições , e eu, que tenho os sentires à flor da pele, que acredito mesmo na força das emoções, já não me surpreendo. Não tenho dúvidas que sentir, viver, experimentar, levar ao rubro emoções, é das melhores formas de viver e de ser. Eu, que não sou existencialista e que, por isso, acredito que há essência para lá da existência, reconheço a força e a influência que os espaços, físicos e psicológicos, exercem sobre mim. Em Inglaterra sou sempre mais EU, mais completa e realizada, do que em Portugal. Claro que o facto de ter lá a minha filha, e dois netos que adoro, tem influência mas, penso, há mais do que isso. Ou, se calhar, esse facto despoleta outros pensares, sem dúvida outros sentires.
Em Inglaterra as cores, o frio, os sabores, tão diferentes!, sempre me transportam para vivências de real entrega e paz. 
Às vezes, tenho pena de já não ter força, ou coragem, para emigrar e ir construir sentidos nesse país que foi dos meus antepassados e, hoje, é dos meus descendentes! Falhei a vida. Talvez, como Carlos da Maia e João da Ega. Talvez, como quem sonha sempre. 





segunda-feira, 11 de novembro de 2019

FACILITISMO

Quando aterrei em Portugal, e me dispus a ouvir e ler notícias, esbarrei com a indignação de muitos professores por o Ministério da Educação defender a não existência de reprovações, de chumbos, até ao nono ano. Os docentes mais inflamados, lamentando a sua sina de docentes, diziam mesmo tratar-se de uma política de facilitismo.
Não posso discordar  mais destas afirmações!
E explico!
A escola Pública, que nos últimos anos tem feito um percurso muito positivo, é, ainda, das que, na Europa, mais reprova alunos. E fá-lo, penso eu, porque há alunos que não aprendem ao ritmo da maioria, porque há alunos desinteressados e preguiçosos, dizem. Conheço, muito bem!, todas as justificações. O que discuto, o que contesto, é em que medida as reprovações têm contribuído para as aprendizagens dos alunos. Ou seja, um aluno que repete um ano, no ano seguinte torna-se bom aluno? Sabemos que não. Um aluno que repete um ano tem tendência a repetir muitos outros. Fica, por assim dizer, pré-destinado à exclusão social. Ora, se queremos, e eu quero!, uma Escola que possa ajudar a construir uma sociedade mais democrática e equitativa, os professores, que são os especialistas em Educação, têm de ser capazes de encontrar soluções para que a aprendizagem aconteça, muito mais do que limitar-se a constatar o insucesso. A Autonomia e Flexibilidade Escolar, que desde 2017 está em vigor, permite às Escolas, e obviamente aos professores, encontrarem as estratégias, e os processos, que permitem promover o sucesso de todos! A ciência prova-nos que todas as pessoas aprendem. E que não aprendem ao mesmo tempo, nem do mesmo modo. 
Assim, o sucesso das aprendizagens pode SIM ser alcançado por todos. E, SIM também, facilitismo é chumbar alunos. Não implica trabalhar de outro modo, não implica procurar soluções, basta atribuir um número!
O mundo mudou muito. Evoluiu em muitos aspectos, regrediu noutros. Não vai, com certeza, deixar de se modificar e, penso eu, quem é professor e lida, diariamente, com crianças e jovens, tem de reconhecer estas transformações e de lhes dar resposta.
Analisar cada aluno, procurar estratégias e soluções, olhar a pessoa que mora em cada aluno, é parte integrante da acção docente! Chumbar alunos é  facilitismo, sim! 

sábado, 9 de novembro de 2019

INTERVALO

Inglaterra nunca para de me surpreender.  Gosto das cores, dos prados, da música nas conversas. Desta vez, Jane Austen abriu-me as portas de sua casa. Lugar da magia da escrita! O Romantismo puro, a vida real também. A minha grande costela inglesa delicia-se com estas vivências! São, digo sempre, intervalos na minha existência.



 Sr

terça-feira, 5 de novembro de 2019

LUGARES

Sem dúvida, o melhor lugar num aeroporto, e num avião, é dentro de um livro!!

NECESSIDADE

Finalmente, chove decentemente. Chuva escorrida, constante, a lavar a existência e a refrescar a essência. Faço de novo a mala. E com que entusiasmo o faço! Ir ver os meus netos, ter a possibilidade de, durante oito dias, encontrar verdadeiro sentido na minha vida, faz-me muito bem. 
Preciso de coisas, vivências, factos, práticas, que me façam bem. Preciso de reconhecer afectos, de encompridar ternuras, de renovar a minha fé numa existência que, vezes demais, me parece absurdamente cheia de insignificantes aparências. 
Preciso de sentir que faz sentido, ainda, acordar a cada manhã. 

domingo, 3 de novembro de 2019

MAIS UM DOMINGO


Como eu gosto de um Domingo assim, com chuva, vento e Outono! Gosto de caminhar no campo, de ter os cães por companhia, de troçar do catavento que, desnorteado, não cata vento nenhum. E gosto de colher dióspiros, de me enfiar por debaixo das árvores para chegar aos mais maduros, de identificar o perfume das ervas misturado. 

Hoje, já sem netos e com a solidão a esticar-se para lá do absurdo, desfrutei deste domingo como Caeiro, estando de acordo com a Natureza sem porquês nem razões. 
Agora, quando a noite se aproxima, acendo o lume, cozo castanhas acabadas de apanhar e penso que a vida podia só ser isto: - Aceitar cada dia com perfume de autenticidade e sabor de castanhas cozidas. Com erva doce, claro!!

sábado, 2 de novembro de 2019

NOVEMBRO

O mês de Novembro começa com a tradição de pedir os santinhos. Quando era miúda, lá na Serra, íam miúdos pedir e sempre levavam muito para casa. Este ano, comecei os santinhos com o Dia das Bruxas. Sim, o Halloween não é uma tradição portuguesa mas, sem dúvida, o mundo mudou e, hoje, o mundo existe no global e as tradições também. Gosto imenso do Halloween! 
Desde logo, sempre tive uma paixão por bruxas e, se eu pudesse, bem que gostava de ter uma vassoura voadora e um chapéu bicudo... 
Este ano, porque os meus netos vieram ter comigo, esmerei-me nos enfeites: - Pendurei bruxas e morcegos, comprei abóboras e até arranjei um bolo  com doces morcegos! 
No dia 1, quando as bruxas já tinham partido, fui, de longe, acompanhar os meus netos pedindo santinhos. Trouxeram dois sacos de guloseimas mas, muito mais do que comer os doces, a euforia foi bater às portas e dizer "gostosuras ou travessuras"... é que eles, pequenos, baralharam as tradições!!