quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

EUTANÁSIA

Se há tema que me angustia, e há muitos, sem dúvida a eutanásia, como o aborto, ocupam o primeiro lugar. A Vida é, para mim, o Primeiro dos Valores e não consigo aceitar, por mais que me esforce, que se possa legislar contra a mesma. 
Em Portugal, infelizmente, a eutanásia está a ser discutida como se apenas de um facto político se tratasse, como se fosse uma decisão passível de ser votada, como se não estivesse em causa a dignidade do ser humano, a VIDA! 
Sou claramente contra liberalização da eutanásia. Para mim, a vida deve ser cuidada, o sofrimento deve ser minimizado, o estado deve investir na preservação da vida, nos cuidados paliativos, e nunca na morte. 
Tenho medo da liberalização da eutanásia. Não acredito que seja possível ter-se clara consciência do que deseja quem está a sofrer (até porque, muitas vezes, o sofrimento deturpa a capacidade de pensar) e temo, mesmo, que seja uma porta aberta para se descartarem vidas. 
A eutanásia não pode ser uma moda, ou uma bandeira para se parecer progressista e moderno. A Vida não pode, nunca, ser posta em causa!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O VERBO IR

Começo a planear a minha viagem a Berlim. 
Penso, sempre, que as viagens têm início na sua preparação, na antecipação do que vamos visitar, no prazer de fazer planos, e roteiros, que, normalmente, não se cumprem. Estou nessa fase. Antecipo Berlim, caminhar na cidade que durante anos esteve dividida entre a liberdade do ocidente e o totalitarismo violento da Europa oriental, olhar a imponência dos monumentos, espantar-me com a arte de rua e sorrir perante a diversidade e originalidade que esta cidade alberga. Ainda faltam uns dias, mas já iludo o cansaço, a fartação do quotidiano, com a preparação da ida. 
Sem dúvida, o verbo ir é o meu verbo de eleição!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

URGÊNCIAS


O dia, hoje, acordou embrulhado num silêncio que me impressionou. Não ouvi pássaros, os cães não ladravam, as folhas não restolhavam. Da janela, pensei que Deus tinha estendido um lençol para calar a humanidade, para não a ouvir, talvez. Não ousei ligar o rádio sequer, dei comigo a pisar de mansinho e, quando saí, olhei o céu tão azul . Lá estavam os rastos dos aviões, cada vez mais, a furar as nuvens, a confundirem-se com elas. Hoje, parecia-me que só no céu havia urgências. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Brexit infantil

O meu neto Manuel, com dez anos de curiosidade e atenção ao que o rodeia, quando lhe perguntei o que achava do Brexit, respondeu:- Sabes avó, é assim um pouco como um divórcio. Não vão ter mais filhos, vão viver com menos dinheiro, mas não é muito grave.
Fiquei a pensar nesta lógica.

Guildford


As saudades da minha filha, a falta que os meus netos me fazem, são impossíveis de dizer. Não há como quantificar! Frequentemente, sinto que a ausência deles me sufoca mesmo! Sempre que posso, e nunca posso as vezes que desejaria, voo para Inglaterra. Aqui estou agora. A conceder-me quatro dias de vida com sentido. Eu devia viver aqui!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

MATEMÁTICA??

Esta coisa dos números, de fazermos a democracia depender de contas, adições de votos e subtrações de direitos, não me convence. Não é (apenas) porque eu não gosto de matemática, mas é, sobretudo, porque não consigo compreender que exista uma relação directa entre os números e a razão. Ou seja, lá porque a maioria das pessoas gosta de queijo, e a mim o dito cause repulsa e vómitos, significa que eu nasci com defeito? Significa que devia gostar de queijo? Lá porque a maioria das pessoas prefere o sol e a praia, à neve  e à montanha, significa que eu devia não ser adepta de ski e lareiras em casas de madeira bebendo vinho quente? Decididamente, as maiorias não me convencem. Mais grave é que sinto, hoje, que vivo numa maioria de minorias que tenta impingir-me razões que não o são. A soma de diferentes minorias são maiorias? decididamente, não gosto de matemática!
Gostava de viver em democracia real. Num espaço social e geográfico, podia ser o mundo, onde cada pessoa pudesse, livremente e em consciência, ser minoria  sem ser insultada, ou agredida.
Há pouco, tive uma ideia. Se nós trocássemos os números pelas letras, e, em vez de fazermos adições, fizéssemos argumentações racionais e plurais?Eu, tenho essa convicção, seria mais feliz.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

TOSSE

Não fui à China, mas tenho uma tosse que me mata aos poucos. Trabalho num edifício que tem, no tecto falso, um qualquer material (dizem que lã de vidro?) e, mal entro na sala vem a  tosse e a comichão na garganta. Se, no início, brincava com a situação e o mau estar era passageiro, com a continuação tem-se tornado cada vez mais incomodativo. A rouquidão é constante, a tosse não me deixa dormir e a asma chateia mesmo. Voltei à cortisona, à bombinha para respirar. 
Cansada da situação, expus o caso ao Instituto Ricardo Jorge. Não obtive resposta! 
Neste mesmo espaço, há crianças e jovens. Até pode não ser nenhum material perigoso, não sei, mas é, de certeza, algo que me incomoda e retira qualidade de vida. Será legítimo ter de continuar a trabalhar nestas condições?
Sinto-me doente, cansada de tudo e de tossir. 
Hoje, particularmente, o meu mau-estar é imenso. Não pode fazer sentido ter de se suportar este ambiente, acho eu.