Não sou purista da língua. Gosto de brincar com as palavras, gosto de neologismos, sou admiradora da capacidade, quase plástica, que Mia Couto, como poucos, tem para inovar e reinventar a língua. Eu mesma, muitas vezes, gosto de inventar palavras, de encompridar sentidos, de adoçar ternuras.
No entanto, a "língua portuguesa é a minha Pátria" maior e incomoda-me, ao ponto de me provocar enxaquecas, confrontar-me com algumas barbaridades, verdadeiros atentados, cometidos contra a minha língua.
Os mais graves, para mim, são:
Discordo com... Devemos dizer discordo de; concordo com
Á ... o acento da preposição é grave! À
Há e ah ... um é verbo, outro interjeição
Hadem ... Deveria ser hão-de
Dou-te um concelho ... Vamos dar o país aos retalhos? pois, é conselho!
Depois, há aquelas afirmações, pomposamente ridículas, como "desconheço as razões mas sou veementemente contra!" Como se pode ser contra, ou a favor, do que se desconhece?
Às vezes, no meu quotidiano, parecem juntar-se todas as enormidades só para me estragarem o dia! Que irritação!











