terça-feira, 10 de março de 2020

A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA

Não sou purista da língua. Gosto de brincar com as palavras, gosto de neologismos, sou admiradora da capacidade, quase plástica, que Mia Couto, como poucos,  tem para inovar e reinventar a língua. Eu mesma, muitas vezes, gosto de inventar palavras, de encompridar sentidos, de adoçar ternuras.
No entanto, a "língua portuguesa é a minha Pátria" maior e incomoda-me, ao ponto de me provocar enxaquecas, confrontar-me com algumas barbaridades, verdadeiros atentados, cometidos contra a minha língua.

Os mais graves, para mim, são:
Discordo com... Devemos dizer discordo de; concordo com
Á ... o acento da preposição é grave! À
Há e ah ... um é verbo, outro interjeição
Hadem ... Deveria ser hão-de
Dou-te um concelho ... Vamos dar o país aos retalhos? pois, é conselho!

Depois, há aquelas afirmações, pomposamente ridículas, como "desconheço as razões mas sou veementemente contra!" Como se pode ser contra, ou a favor, do que se desconhece?
Às vezes, no meu quotidiano, parecem juntar-se todas as enormidades só para me estragarem o dia! Que irritação!

domingo, 8 de março de 2020

MULHER

É o Dia da Mulher. Eu, que sou normalmente contra os dias de, penso no que é ser Mulher. Não recordo só as mulheres da História, as que muito sofreram para ter direitos humanos, as que morreram lutando pelo reconhecimento da sua existência. 
Lembro, também, as mulheres da guerra. As mães que vêem os filhos morrer à fome, ou baleados, ou meninos perdidos da guerra. Lembro as mulheres sem pátria, as que morrem no mediterrâneo, as que fazem milhares de quilómetros atrás da possibilidade de paz. Lembro as mulheres sozinhas. Com filhos, sem filhos, com a solidão por companhia, com o abraço inexistente a cada adormecer.
Lembro mulheres próximas. As minhas avós, tão diferentes, a minha mãe, as mães de amigas que foram importantes na minha vida. 
Penso em mim, Mulher de sonhos, de perdas e lutas, de utopias eternas. 
Penso nas minhas filhas, Mulheres de garra que me fazem falta perto. E temo pelas minhas netas. Como será ser mulher daqui a dez anos? Talvez as lutas sejam outras, talvez, no essencial, sejam as mesmas. Não sei. Felizmente, não posso adivinhar o futuro (uma angústia a menos), mas penso muito nelas. Mulheres do daqui a bocadinho, num mundo ainda marcado pela maldade, pelo egoísmo, pelas injustiças.
Hoje, é o Dia da Mulher.
E eu, que gosto imenso da companhia masculina, que sinto que é a dois , sexos diferentes, que a vida se enfrenta com mais força e alegria, não consigo deixar de pensar que, apesar de muitos pesares, ser Mulher é um privilégio!

sábado, 7 de março de 2020

DOR

Nem sempre o inevitável, o certo e natural, racional até, é fácil de aceitar. Claro que as pessoas, como qualquer ser vivo, envelhecem e morrem. É a vida, dizem-nos, como se não o soubéssemos. Mas custa. Custa ver uma pessoa querida a degradar-se, a ficar perdida em si mesma, a sofrer perante a aproximação do fim. Nem sempre o natural basta para aceitar a dor.

quinta-feira, 5 de março de 2020

DIFICULDADE

Tenho muita dificuldade em obedecer. Muitíssima! Tenho a mania que somos, quase todos..., seres inteligentes, que devemos utilizar o cérebro e nele fundamentar as nossas opções. Acredito, mas convictamente, que as minhas opiniões são fundamentadas e que, porque me considero livre, posso responder por elas sem que isso implique condenação. É por isso, creio eu, que tenho dificuldade em obedecer só porque sim. Lido mal com as hierarquias, sou acérrima defensora do trabalho colaborativo, não gosto de quem impõe razões e defendo, sempre, que através do diálogo e do confronto saudável de ideias se podem construir novos possíveis. Lembro, muitas vezes, a minha querida Professora Catalina Pestana, a forma como, assertivamente, nos/me fazia reformular e evoluir.
Pois é, reconheço que tenho dificuldade em obedecer mas, verdade também, reformulo as minhas opiniões com relativa facilidade e estou sempre disponível para ouvir argumentos diferentes dos meus. 
É por isso, com certeza, que não gosto de ditaduras!

terça-feira, 3 de março de 2020

MAR DE OURO

Desta vez, contra todas as minhas expectativas, não tinha saudades nenhumas de Portugal, de Portalegre menos ainda. Afinal, só estive fora cinco dias, não é tempo suficiente para o coração se sentir estrangeiro, para os pés tropeçarem em chão desconhecido. Não me apetecia voltar. 
Esta viagem, como quase todas, foi uma vivência de direito ao espanto que eu aproveitei muito bem.
No entanto, ao entrar em Lisboa, no final da tarde, o mar parecia uma estrada de ouro, bem mais belo do que qualquer passadeira vermelha e eu até me emocionei. 





domingo, 1 de março de 2020

Parentesis

Como professora de português, muitas vezes trabalho a utilização da pontuação. É diferente, por exemplo, o sentido de uma frase, dependendo de onde colocamos uma vírgula. Hoje, tenho pensado que adoro os parêntesis. É que, muitas vezes, a minha rotina faz-me sofrer, desespera-me e, quando abro um parêntesis na vida e viajo, ganho novo fôlego!
Aqui fica, escrita, a minha homenagem aos parêntesis!




Coincidências?

Eu acho que há coincidências. Não é o destino, nesse não acredito, mas deve haver um alinhamento de energias que, por vezes, causa coincidências estranhas. Passeando em Berlim, e consolidando a minha certeza de que comunismo e fascismo são diferentes formas da da mesma violência, duas formas de impedir liberdade e democracia, quando de Portalegre me chegam notícias de 500 pessoas apoiando André Ventura. Como é possível?? Como compreender que se sigam ideais contrários a Liberdade? Ventura anuncia prisão perpétua, perseguições às minorias, horrores que eu não imaginava que pudessem a ser palavra de ordem. A minha revolta aumenta. Porquê Portalegre, onde ninguém se mobiliza por causa alguma, estar a festejar-se o fascismo?? Não compreendo mesmo. Há tempos que não deviam repetir-se.