Decididamente, este governo PS não pára de lançar enormidades. Mesmo agora, a pouco mais de um mês do fim de mandato - que Deus é grande e não dorme! - continua a publicar o que, como Mãe, Mulher e Professora, considero verdadeiras aberrações. Desta vez, foi o diploma sobre a obrigatoriedade da disciplina de educação sexual... Não há formação séria para a mesma, não se sabe como vai funcionar, não se conhecem conteúdos (?) nem processos, mas diz-se que é obrigatória!! Incrível!! Surpreendente e cómico, se não fosse dramático.
Defendo, há muitos anos já, que é um erro reduzir a sexualidade a uma disciplina, ao seu lado meramente biológico. Para mim, deveria falar-se em educação dos afectos, numa visão transversal a todas as disciplinas, contemplando a dimensão humana, o respeito pelo eu e pelo outro, a dignificação das relações entre pessoas e não, como se insiste em fazer, reduzir a sexualidade ao perigo de DST ou ao combate a comportamentos de risco. Para mim, uma criança, um jovem, é um ser humano, complexo, tecido de vivências diversas e sempre, mas sempre, movido por afectos. Para além de todos os motivos e razões que fazem a minha razão, há ainda o facto de considerar que o estado está a meter-se demais na vida das gentes. As famílias devem ser as principais educadoras, os pais devem poder escolher o que querem para os seus filhos também em termos educativos. A liberdade faz-se de autonomia e não de imposições! Que estado tem o direito de impor uma determinada linha sexual?! Que raiva!
Revolta-me o que este governo continua a fazer com a (des)educação. Hoje, ao longo do dia, tem ecoado em mim a frase poderosa de Martin Luther King "Não são os gritos dos maus que me preocupam. É o silêncio dos bons!"
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
A pressa
Ouvi um dia, não sei quando nem onde, uma história de um negro, algures na África imensa, que, depois de por oito dias ter caminhado a alta velocidade, terá parado debaixo de uma árvore aparentando não ter pressa nenhuma. O seu senhor, dono talvez porque era uma história de tempos idos, ter-lhe-á perguntado porque parara. Calma e sabiamente, ele respondeu:"Viemos tão depressa que perdi a minha alma, ficou para trás. Agora, tenho de esperar que ela me encontre." Muitas vezes, e por variados motivos, esta história me surge. Hoje, lembrei-me mais uma vez dela. Porque o tempo está a correr a uma velocidade alucinante e eu, sempre tentando fazer render cada minuto bom - têm sido dias bons! - começo a perder a minha alma. Hoje, num longo serão sozinha, vou ficar muito quieta a ver se ela me encontra...
sábado, 8 de agosto de 2009
Raul Solnado
Um dia, ele disse "Há dois tipos de discurso, o grande e o pequeno. O pequeno é: obrigado. O grande é: muito obrigado!" Hoje, quando ele desapareceu, apetece-me fazer-lhe um discurso enorme: - Um imenso muito e muito obrigada! Pelas gargalhadas da infância, da adolescência e da idade adulta. Pelas memórias que guardo. Pela ternura daquele senhor que parecia fazer parte da família.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Outro Tempo
Este é o tempo da gravidez da minha filha. Vejo o Manel Bernardo a mexer, a minha menina-mulher a viver em pleno e peço à vida que seja suave e complacente. Peço-lhe que deixe passar tempos de sentidos, que não atraiçoe a minha menina-mãe, que permita que os sonhos dela, deles, se façam verdade. Às vezes, tenho medo. Medo apavorado e intenso dos desvairos de uma existência que insiste em ignorar a essência. Nesses momentos, respiro fundo e afasto os fantasmas-reais que me atormentam. Agora, vivo outro tempo. Tempo com conversas longas, futuro a fazer-se, sentido nas horas que fazemos de boas conversa. Este é o tempo que faz, para mim, todo o sentido. Deus mo conserve!!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A outra solidão

Saí de casa com calma, sem rumo, pensando nessa coisa que dizem ser vida, em encontros e desencontros, saudades e recordações, projectos e sonhos, e rumei a Marvão. É o meu refúgio de sempre. Dantes, com as minhas filhas pequenas, fugia para lá com elas, nas longas manhãs de domingo, para conversarmos e brincarmos no parque infantil. Um dia, uma manhã de Abril, encontramos o parque infestado de bichas-cadelas (as horríveis rapas) e fugimos dali com a Filipa a ordenar,sempre foi boa para dar ordens..., que acelerasse de forma a que elas fossem atropeladas! Mas, tirando esse incidente, que hoje recordamos as três entre gargalhadas, passámos lá óptimas manhãs. No domingo, sozinha, voltei a Marvão e, em vez de bichas-canelas, descobri muitos bichos-homens ruidosos. Indiferente aos turistas, na sua maioria espanhóis buscando comida barata, descobri o outro lado da solidão. O bom. Descobri que é muito bom mesmo, às vezes, estar sozinha e fazer o que nos dá na real (ou republicana) gana. Foi o que eu fiz! Andei pelas ruas escadeadas, espreitei a igreja, reparei no parque infantil recuperado e, tristemente, cercado de grades qual jaula para feras, e comprei um travessão de barro para o meu cabelo num artesanato de dono inglês. Depois, tomei um café com um pacote de açucar, que não uso nunca, onde se lia "um dia, vou ser feliz. Hoje é o dia!" e foi mesmo! um dia feliz do outro lado da minha solidão!
domingo, 2 de agosto de 2009
A máquina
Tenho uma nova máquina fotográfica e testei-a no Tango que, embora tenha medo-pavor de tudo o que não conhece, adora ser modelo! A velha máquina, a que se seguiu à que perdi em Viena de Áustria, creio que foi a magia da cidade da música e dos cafés que me fez esquecê-la, avariou-se e, parecendo raivosa, enchia de riscas as minhas fotos. Foi para o lixo. Melhor, para a reciclagem.
Acho incrível a ligeireza com que deitei uma coisa, de quase 200 euros, para o lixo ao fim de dois anos!! Agora, garantiram-me, é sempre assim, quando algo se avaria, é comprar novo e esquecer. Aliás, disse o senhor da loja, assim que compro algo novo chego a casa com algo velho... Porque a inovação e desenvolvimento tecnológico acontecem a uma velocidade alucinante. Então, já de máquina nova (?), deu-me para pensar que bom seria se pudesse também deitar fora sentires e pensares para, com a maior das eficácias, os substituir por outros menos dolorosos.
sábado, 1 de agosto de 2009
Obrigatório
Começaram hoje as férias para milhares de europeus. Os portugueses, claro, não fogem à regra e, desde manhã, as rádios anunciam trafego intenso rumo ao Algarve. Sabe-me bem pensar que não vou ter de passar por isso. Não gosto de nada que seja obrigatório e, menos ainda, que envolva multidões. Por isso, estou na calma da minha Serra, com os meus verdadeiros e inseparáveis amigos, gozando o privilégio de ter tempo para mim. Hoje, só para chatear quem arrancou para a praia, chove bastante. E eu fico a gozar o cheirinho bom a terra molhada, o silêncio do quintal, a boa leitura. Para me incomodar, só mesmo essa coisa que não se escolhe, que nos cai na rifa, que se faz de mãe e irmãos... Que saudades do meu Pai!!
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