quarta-feira, 9 de março de 2022

A GUERRA

Não tem um tempo, a guerra. É de sempre, e sempre assenta na injustiça, na violência, no sofrimento, no sangue, na morte. Acontece por pequenos motivos, por grandes também, mas sempre tendo na raiz a sede de poder e de domínio.

Parecia impossível, a mim pelo menos, que a guerra voltasse à Europa, mas um louco, Putin, conseguiu instalar de novo o horror. Tenho medo. 

Medo do que ainda está para vir, medo da incapacidade da Europa democrática dar resposta  aos milhares de desalojados. Este tempo é também, acredito, um desafio a cada um de nós. Já não é suficiente falar de solidariedade, de justiça, de apoio ao próximo. Agora, urge agir. É preciso acolher desconhecidos nas nossas casas, é preciso partilhar o pouco que temos, é preciso mostrar que somos o que dizemos, que não nos fazemos de palavras sonoras, mas ocas.

Tenho muito medo!


domingo, 20 de fevereiro de 2022

INGLATERRA

 Já há dois anos que não ía a Inglaterra. Tinha saudades de viajar, de respirar outros ares e ouvir outras realidades e, finalmente, embora muito lentamente, a vida vai retomando a normalidade. Cheguei a Inglaterra com muito frio, apanhei uma tempestade Eunice, mas, ainda assim, lavei a alma e carreguei baterias.

Em conversa com o meu neto, 12 anos e muita curiosidade e gosto de aprender, confrontei-me com a Escola que defendo. O Manuel Bernardo tem muitas disciplinas, inglês, francês, espanhol, ciência, geografia, história, matemática, moral, cidadania, educação física. biologia. Achei que era disciplinas a mais e, por isso, perguntei como era possível entrar às 8,30 e sair sempre às 14,45h. Explicou-me, com segurança, que trabalha muitas vezes diferentes áreas, em projectos, com diferentes professores. Falou-me da avaliação. Não há classificação, mas estão sempre a ser testados e têm como resposta a forma de melhorarem, e se estão aquém do desejado, no desejado ou se superaram os objectivos em diferentes domínios. De facto, esta é a avaliação pedagógica que faz sentido, colocada ao serviço das aprendizagens e do sucesso.

O meu neto tem sorte, penso eu. Mas todas as crianças podiam ter a mesma sorte. Não implica dinheiro, a legislação portuguesa permite, há propostas e orientações para se fazer assim. Porque não se faz? Porque há direcções com medo da mudança. Porque há, ainda, professores que defendem que o modelo tradicional de ensino é fantástico porque, graças a ele, o homem foi à lua.

Volto para Portugal sem vontade de lutar mais. Chega. Agora, só quero a reforma para poder, mais vezes, voar para lugares com sentido. 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

NÃO VIDA

 A culpa é do Tempo. Sempre acelerado, não deixa espaço para essências e vai-se enchendo de existências excessivamente ocas. Surpreendo-me por não conseguir vir aqui, a esta minha janela, porque constato que, afinal, não tenho Tempo para mim. 

Se me perguntarem se faço coisas muito significativas, terei, honestamente, que responder que não. Corro da Escola para a Santa Casa, tento resolver problemas, brinco à pressa com os cães, leio para temperar a alma, e no fim, bem espremido tudo, não há sumo. 

Estarei a desistir de viver? Penso nisto e, sinceramente, fico preocupada. Porque eu defendo que é preciso  construir sentidos se, de facto, queremos viver...

sábado, 1 de janeiro de 2022

2022

 365 dias inteirinhos, cada um com 24 horas, mas podermos viver, ser Pessoa, sonhar, lutar, chorar, mimar, acreditar, rir. Uma quantidade fantástica de verbos para conjugarmos como formos capazes, como conseguirmos, dentro das circunstâncias de cada momento. Tenho muitos sonhos. Não exclusivos para 20222, a maioria já transita de anos passados, mas são sonhos. São dias a haver.

Para já, com urgência, quero voltar a poder viajar sem zaragatoas nem máscaras, gozando a liberdade que devia ser minha.  

Mas quero mais. Quero aposentar-me. Quero sair de uma Escola onde sou diariamente infeliz, esmagada pela rotina medíocre de que não ousa sonhar. Sempre disse que só me queria aposentar aos 70 anos, mas agora, porque as circunstâncias se alteraram, desejo a reforma com urgência. Porque a escola que defendo não se faz se proibições e papeis, de grelhas e fichas. Porque cada aluno é, para mim, uma Pessoa que merece o melhor e a quem, acredito, não podemos roubar o agora.

2022. Que narrativas iremos escrever, neste ano novinho em folha?

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

REUNIÕES

 Comecei hoje, bem cedo, as reuniões de avaliação de 1º período. Desde 2017, pelo menos, que se legislou para uma efectiva mudança de práticas na Escola mas, infelizmente, tudo, com mais uma grelhas pelo meio, segue igual. 

Preenchem-se fichas, verdes para haver esperança, e segue-se reproduzindo modelos. Fica-me a alma a doer de tristeza, de revolta indignada. 

Não tinha de ser assim! Tinha de ser possível, porque se junta um grupo de pessoas formadas e cosmopolitas (ou não?) constatar a óbvia mudança do mundo e construir diferenças. 

Talvez eu esteja, mais do que imagino, a sobrar no mundo. A precisar da reforma.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

COISAS

 Há mais de um mês que não passo por aqui. E espanto-me com o facto de ter a vida tão cheia de urgências desnecessárias que perdi o Tempo para o meu eu. Enfrento desafios, batalho, sofro, luto contra injustiças, choro, rio-me (às vezes) e, de repente, percebo que tenho a vida completamente inundada de vazios. Pior, constato que, aos poucos, fui deixando que os nadas, muitos nadas vestidos de falsa importância, tomassem conta de mim. 

À noite, quando o silêncio chega e os telefones páram de exigir a minha presença. não me reconheço. Estou cansada de tentar. Apetecia-me acertar. Ser. 

Talvez seja o Natal, porque eu adoro o Natal! Das luzes ao Presépio, dos presentes, do sabor a gengibre, do bacalhau e até do perú. Sim, talvez seja o Natal a puxar o fio da marioneta que é o meu coração...

domingo, 7 de novembro de 2021

PROJECTOS

 Cada dia que passa me faz olhar o mundo com mais curiosidade e estupefação. Multiplico em mim os como é possível, vejo crescer a desesperança e, paradoxalmente talvez, sinto crescer a minha vontade de agir. Claro que a minha maior desilusão é com a Escola. Eu, que quero muito um mundo melhor, acredito mesmo que só com uma Escola nova, absolutamente transformada, com práticas e metodologias que rasguem fundo a normalidade, poderemos construir uma realidade diferente. Oiço os políticos importantes, em Glasgow, entre fatos negros e máscaras personalizadas, falar do ambiente, do clima, da inexistência de um planeta B e espanto-me por não investirem, a ´sério e sem projectos inócuos, na educação das novas gerações.

Em Portugal, por exemplo, o projecto de Educação Sexual, seis horas no ensino secundário (a sério??), pode ser uma pesquisa sobre métodos contracetivos e produção de cartazes. Pode, também, o projecto de educação para a cidadania e desenvolvimento ser uma série de palestras (alguém muda comportamentos por ouvir??). Continuamos, e como isto me dói, a educar para o passado, sem querermos ver o óbvio, cegos da modernidade. 

A educação, a Escola de Hoje, não se pode limitar ao cumprimento de horário, à observação do enunciado nos documentos da tutela, aos testes de avaliação para classificar os alunos. É preciso pensar! É preciso ousar! É preciso ensina a pensar, a criticar, a seleccionar, a reconhecer, a sonhar. É preciso saber o que cada escola quer para os seus alunos em articulação com a comunidade que integra! 

Julgava que o tempo de Projectos Educativos iguais em diferentes escolas estava ultrapassado mas, infelizmente, não está.  

Esta Escola Portuguesa, que tem no papel práticas que louvo e sigo, que tem um documento norteador humanista e inovador, O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, não pode ter professores a dizer que esta, ou aquela turma, tem alunos do 54 (Decreto-Lei nº 54), que as questões aula são mini-testes, que é preciso decorar aquilo que um rápido clic no telemóvel nos diz.

Este ano, ando muito desiludida. Pensava, andava iludida, que a Educação estava bem diferente.