sábado, 3 de outubro de 2009

Nuvens

Dia cinzento em Cambridge. Saí de manhã, meia hora de caminhada até ao centro por prados, lagos, edifícios imponentes e muitas muitas sebes de azevinho. O vento batia com força na minha cara, fazendo-me andar com esforço. Cheguei ao centro e a agitação era imensa: - Turistas, sobretudo milhares de japoneses em fila, vendedores, e jovens estudantes tentando alugar os músculos num passeio pelo rio Cam. Entrei no Costa e tomei um café, um regular one que é o que mais parecido com bica consigo encontrar. Depois fui ao pão, no vendedor da Galiza que já é amigo da minha filha e fiquei vagueando por ali, no meio de cheiros, muita música, muita cor e frio bom. Pelas duas, voltei para casa. Vim de autocarro, o 4, porque ameaçava chuva mas, afinal, não choveu ainda. Almocei, estive a corrigir trabalhos dos meus miúdos e vim, então, trabalhar na minha formação. Detesto a plataforma moodle! Sinto-me uma idiota a trabalhar assim, sem olhares reais, sem estabelecer laços, em a proximidade de um sorriso. Aqui, em Cambridge, parece que ainda faz menos sentido este projecto do novo programa de português para o ensino básico...
Agora, vou fazer scones para a Filipa e para o Guilherme comerem quando, logo mais, chegarem do longo dia que foram passar ao Hospital!!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

De longe

Almoço no King's College. Uma sala austera, paredes altas, vozes graves, telemóveis proibidos e a sensação de ter entrado num dos livros do Harry Potter. Depois, a sala vermelha, o café, as mesas e sofás, as conversas dos Fellows, o verde lá fora, sedutor e intenso. Ao meu lado, a minha filha feliz, o Manel Bernardo na barriga muito redonda, o olhar vivo e a conversa risonha e solta. Saí do King's sem resistir a lembrar-me do meu espaço, da minha Serra, da solidão que partilho com os meus cães, dos problemas que parecem agora insignificantes. Sei que 2ªfeira, no feriado sem sentido, vou ter de voltar e tenho já saudades. Mas, ao mesmo tempo, parto sem ansiedades porque sei a minha filha feliz, amada e amando muito, construindo uma vida com essências e sentires! Agora, já nem acho os ingleses snobs...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Amanhã

Finalmente, vou a Cambridge abraçar a minha menina! Amanhã, depois das aulas (é bom esclarecer isto porque a censura existe mesmo e alguém pode achar que estou a faltar...), vou para Faro e, daí, voando para Cambridge. Levo trabalho comigo, claro!, mas levo, sobretudo o desejo de ver a minha menina, a sua barriga, o espaço onde vive e se faz cada vez mais Mulher.
Gosto muito de Cambridge. Gosto das ruas movimentadas, dos cheiros, das misturas de idiomas, dos cafés italianos, dos relvados imensos, das vacas pachorrentas, dos jardins, dos velhos e sábios Colégios, do rio Cam,dos Pubs quentinhos onde o Pinot Noir é delicioso! Mas gosto, sobretudo, do tempo de qualidade, das conversas boas, das caminhadas com o nariz vermelho de frio e o coração quente de ternura.
Perfeito seria se levasse comigo a Joana. Mas consola-me saber que, em breve, iremos as duas!Dia 5 de Outubro, vou ter de voltar. Já adivinho o regresso a doer...
Um dia de cada vez: - Amanhã vou partir!!!

domingo, 27 de setembro de 2009

Impossível???

E não é que aconteceu mesmo?! Confesso que, no fundo-fundo,eu achava possível esta desgraça. No fundo-fundo, eu sei que o povo português nasceu para obedecer e ser estúpido, para se lamentar e insistir no erro, para ser roubado e mimar o ladrão. Só que, perante a realidade, tinha esperança que a minha gente tivesse já aprendido alguma coisa.
Hoje, no moderno século XXI, só há países esquerdosos na América Latina, em África e... em Portugal!!! Bloco de Esquerda e PS no governo: - taxas sobre telemóveis, impostos sobre quem trabalha, cunhas e favores a liderar, estupidez e ignorância a comandar.
Talvez, no fundo, tenhamos o que merecemos. Fernando Pessoa dizia que o povo é, na sua essência, impossível de educar. Como sempre, tinha razão.
Hoje, agora, queria poder ir embora de vez para um país com sentido!!É que, a juntar a toda esta mediocridade, há o medo. Tenho medo! Medo de falar, de escrever, de opinar. Ter medo faz-me sentir infeliz. Estou infeliz!!

Life goes on...

Hoje, foi a Joana que partiu. Deu-me para me lembrar do episódio das Despedidas de Belém, n'Os Lusíadas, talvez por sempre achar que, apesar de tudo, as despedidas são mais dolorosas para quem fica. Quem parte, vai em busca de algo, leva um propósito, um sonho, um destino, um objectivo. Quem fica, guarda saudades, memórias, ausências que o tempo faz cada dia mais dolorosas... As minhas filhas partem, o meu Pai já não existe, e eu penso na razão que me leva a ficar aqui, sempre, numa eternidade de desilusão, sem confiança num futuro diferente. Porque não parto também? Porque não ouso mudar, rumar ao estrangeiro ou a outro lugar limpo de memórias e ausências? Porque não tenho resposta, consolo-me com a meu amor a esta terra, com a necessidade de, manhã cedo, ver as torres da Sé rasgando o nevoeiro. Digo-me que este é o meu espaço, aqui estão, fundas, as minhas raízes, preciso dos olhares que conheço no meu dia-a-dia. Mas sei que se calhar não é assim. Que, recionalmente, nada me prende a um país que agride e desrespeita. Contudo, vou ficando e, um dia, será tarde demais para mudar...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vertigem

É uma vertigem a minha vida neste início de ano lectivo. Faz-se de velocidade, falhas, ausências, desejos dolorosamente contidos, revoltas caladas, ternuras adiadas, preocupações e ansiedades. Corro de formação para formação, falo de possíveis e mudança, desmonto textos, sorrio mesmo quando me apetece gritar: - ESTUPIDEZ!!
Hoje, alguém perguntava, via mail, se estou viva. E não é que nem sei o que responder?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Campanha irritante

Dolorosa, a campanha eleitoral. Para mim, pessoalmente, violenta até. Perturbam-me, magoam-me, as demonstrações de retórica sem sentido, fora de moda, repetitivas, ocas. Chateia-me a partidarite que ocupou, indecentemente, a domocracia em Portugal e, honestamente, enojam-me os comícios, os jornalistas a inventarem casos mediáticos, as revistas a fazerem concursos de sensualidade entre políticos, etc. Quero lá saber se o primeiro-ministro é charmoso, até nem acho!, ou se o papagaio do Louçã é adepto das marcas, ou se a Manuela só usa tailler ou se o Portas compra só gangas Levi's!! O que é que isso interessa, meu Deus?? Irrita-me isto tudo!!!
Claro que me irritam mais uns que outros. E irrita-me, mais ainda, encontrar pessoas que tinha como inteligentes a, publicamente, assumirem o que considero ser burrice certificada: - as suas opções pela esquerda, seja ela bloco ou cdu, só para, como dizem, abandalhar. Num país onde se vota para abandalhar, que sentido faz falar em cidadania, em democracia, em modernidade???