quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Insónia
Devia estar a dormir. Amanhã, espera-me um dia comprido, feito de tarefas obrigatórias, a impôr cabeça fresca, a exigir capacidade de pensar. Mas o sono não vem. Indiferente às urgências do quotidiano, sem pena de mim, sem compaixão pela minha necessidade de dormir, ele não chega. Em vez da paz do sono, vem a turbulência dos sonhos, a agitação dos sentires feitos desejo, revolta, mágoa, vontade e desesperança. Segui as indicações de um médico, há muitos - tantos!! - anos, e saí da cama. Ele dizia que o pior, face à insónia, é dar-lhe corda e ficar na cama desesperando. Defendia que nos levantassemos e aproveitassemos o tempo, virando costas à Dona insónia. Estou a tentar fazer isso. Só que, talvez conhecedora das minhas fragilidades, a insónia chegou carregada de sonhos e obrigando-me a vivê-los... Tentei, para a despistar, trabalhar na bendita da plataforma moodle, o meu mais recente pesadelo profissional, mas nem o computador me deu cobertura e a maldita da coisa recusou abrir. Tentei, depois, ir até ao fotolog colocar uma fotografia, mas a foto mói, mói, e não fica. Só o meu blog, que há muito se revela boa companhia, me abriu uma janela para sentires. E aqui estou, de costas viradas à insónia, pensando que seria bom, agora, estar numa praia tropical, Cuba?, ouvindo salsa e deixando o corpo colear a dois. Se assim fosse, com a ajuda das cores e sabores do lugar diferente, decerto com a cumplicidade a/efectiva de um abraço másculo, até a insónia me seria conveniente!!
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Marmelada

Já há marmelos, muitos, no meu quintal. Hoje, dia de grande neura e muito trabalho, cheguei a casa exausta, farta de computadores e escola, e resolvi ir fazer marmelada (da de verdade e possível). É difícil descascar os marmelos. São duros e parecem querer resistir ao abuso que é cozê-los, esmagá-los, torná-los pasta e enfiá-los em tijelas. Como se não bastasse, ainda lhes cozo as cascas para fazer geleia, com pouco ponto, como a Joana gosta. Sozinha na cozinha, com os dedos já a doerem e vendo o anoitecer lindo lá fora, dei comigo a pensar que os marmelos, pelo menos os do meu quintal, são muito melhores do que os homens! Os marmelos resistem, os homens cedem; os marmelos ficam doces, os homens andam cada vez mais amargos; os marmelos deixam-me bem disposta, os homens entristecem-me; os marmelos fazem doer os meus dedos, os homens magoam fundo a minha alma. Pus um tachão ao lume,muni-me de colher de pau e pus-me a pensar no que poderia fazer com os homens e uma colher de pau. Bem mexidos e misturados, talvez se conseguisse dar algum sabor ao mundo...
Depois, já com a luz acesa e finalmente com menos calor lá fora, conclui que os homens, afinal, são melhores do que os marmelos. É que eu detestava ter marmelos por cima de mim e, agora, um abraço masculino até me saberia a marmelada...
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Ressaca
Estou de ressaca mesmo. Ressaca social, emocional, política também. Depois da noite de ontem, feita de tanta angústia!, hoje apetece-me esquecer os outros e ser só eu, seja lá isso o que for. Apetece-me ficar por aqui, sonhando, lembrando, criando os possíveis mágicos que só fazem sentido na minha cabeça porque ecoam no meu coração. Hoje, apetecia-me ir em peregrinação, a dois!, até Santiago! Um dia, há anos, fui a Santiago. Ficámos, então, na Pousada de Viana - a rainha das Pousadas! - e depois de uma noite de loucuras, e de um pequeno almoço retemperador, rumámos a Santiago e à Corunha. Lembro-me que fazia frio. Frio bom, do que provoca abraços. Lembro-me, também, que comi uma paella de lavagante por um preço escandaloso. Mas lembro-me, sobretudo, da cumplicidade efectiva, do riso fácil, da necessidade do toque frequente. Fui, claro, dar as obrigatórias cabeçadas no Santo mas,fosse por falta de Fé, ou por carregar na alma um desejo muito pecaminoso, o que pedi não me foi concedido. Agora, apetecia-me ir lá de novo. E de novo chegar carregada de pecados feitos de desejos e sentires...
domingo, 11 de outubro de 2009
Semi-alívio
Foi uma noite difícil e muito dolorosa... Portalegre não aparecia nos ecrans, as rádios não referiam o concelho e a ansiedade começou a tomar conta de mim! Julguei que o pior dos cenários ia acontecer, e que o PS poderia ganhar a Câmara de Portalegre. Tremi e temi!! Felizmente, os meus receios não se confirmaram e o meu candidato, um Homem que conheço com trabalho feito, venceu. Não foi a maioria esmagadora da última eleição, mas o suficiente para continuar a presidir aos destinos do meu concelho. Foi também eleito um comunista, o que, obviamente, me desagrada. Mas, olhando o mapa eleitoral, há algo que me parece, tristemente, justificar esta eleição: - Só há câmaras comunistas no Alentejo, onde se vive pior, onde a miséria é maior, onde a ignorância é mais, onde o envelhecimento da população é a maioria. A norte do Tejo, onde se vive melhor, não há câmaras comunistas!! Assim, parece-me menos grave que o comunista de Portalegre tenha sido eleito e, ao mesmo tempo, fico sempre com esperança que a minha gente evolua e esta aberração se extinga.
Outro consolo, esta noite, foi ver o BE a não crescer. Que alívio quando ouvi, na televisão, um comentador dizer que era um fenómeno passageiro e que, provavelmente, vai extinguir-se dentro de dez anos. Que Deus o oiça!!
Outro consolo, esta noite, foi ver o BE a não crescer. Que alívio quando ouvi, na televisão, um comentador dizer que era um fenómeno passageiro e que, provavelmente, vai extinguir-se dentro de dez anos. Que Deus o oiça!!
Eleições
Daqui a pouco, vão saber-se os resultados das eleições autárquicas. Estou esperando, depois de uma tarde de muito calor (incomoda este calor fora de tempo!), cheia de ansiedade. Tenho confiança na vitória do meu candidato, um homem que fez muito pelo meu concelho, um homem capaz e trabalhador. Mas, confesso, tenho medo que as pessoas se deixem levar por mentiras, pela velha e má política, e deixem vencer a demagogia e a falsidade.
Muitas vezes já, nem sei quantas, decidi que não ia mais querer saber, que não ia preocupar-me, nem participar, nem prestar atenção sequer. Mas não sou capaz! Faço parte desta terra, desta gente, deste país que amo com um ódio furioso, e sinto a urgência de intervir. Portalegre merece a oportunidade de progresso sustentado, fundamentado na sua identidade, que apenas um candidato garante. Queria tanto que desse certo...
Muitas vezes já, nem sei quantas, decidi que não ia mais querer saber, que não ia preocupar-me, nem participar, nem prestar atenção sequer. Mas não sou capaz! Faço parte desta terra, desta gente, deste país que amo com um ódio furioso, e sinto a urgência de intervir. Portalegre merece a oportunidade de progresso sustentado, fundamentado na sua identidade, que apenas um candidato garante. Queria tanto que desse certo...
sábado, 10 de outubro de 2009
Outono

A terra vestiu-se de novas cores, o Outono chegou sem querer saber do calor que continua. É a minha estação preferida, o Outono. Gosto das manhãs frescas, dos dióspiros, das romãs, dos marmelos que tanto custam a descascar. Hoje, véspera de eleições que me preocupam e angustiam, senti o Outono com força. Reparei que a relva está cheia de cogumelos, vejo sempre lá os duendes carregados de magias e guizos sonoros, e pisei sem querer os medronhos que já amadureceram. Se eu pudesse, gostava de poder conversar, conversa séria, com os duendes do meu quintal. Porque os duendes vivem séculos e, por isso, sabem muita coisa, acho que sabem mesmo tudo. Além disso,como o tempo não os persegue, nunca têm pressa, conversam ouvindo, riem-se com vontade e divertem-se com verdadeiro humor. Gostava de perguntar aos duendes como fazer para despertar nos meus alunos do 11º ano o gosto pela leitura, pela escrita, pela aprendizagem. Gostava que me ensinassem uma poção mágica para fazer aqueles miúdos, alguns..., crescerem sem a necessidade diária da prática da idiotice! Também gostava de saber se os duendes conhecem a magia para fazer as pessoas pensarem...É que, no meu país, essa actividade parece-me ter-se tornado escassa!!
Se debaixo dos cogumelos, tortulhos, do meu quintal, estivessem os duendes da minha infância, de certeza me explicariam porque é que a vida, a minha, se esgota em excessivas ausências!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Cores

Finalmente, choveu! Não foi uma chuva fresca, revigorante, boa, mas choveu. Chegou uma chuvada quente, a lembrar climas tropicais, e eu, que há tanto tempo a desejava, recebi-a desprevenida no que se tornou uma monumental molha. Estava em plena campanha eleitoral, naquela vila linda de Alegrete, quando começou a cair sem clemência. Cheguei a casa já seca, lamentando o meu cabelo..., e, adepta do perdida por um, perdida por mil, fui fotografar a chegada do Outono à minha casa. Ao primeiro clic, cacei as uvas murchas mas, ainda assim, com cores capazes de amolecer o meu olhar. Aqui ficam, para me alegrarem o serão!!!
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