Nasceu hoje, às 9.30h, o meu primeiro neto, o Manel Bernardo. Nasceu a marcar a vontade, antes da hora que lhe tinham destinado, loirinho e de olhos bem abertos para este mundo que o acolheu. Entre mim e o meu neto há uma imensidão de kms... E dói a distância, estilhaça-me por dentro a vontade de estar junto dele, de o olhar, de lhe garantir o meu amor. Quinta-feira, bem cedo, vou voar para junto dele!!
O meu neto é agora a minha maior ansiedade, e eu tenho tantas!! Lembro-me da minha filha bebé, minúscula, também de olhos grandes e curiosos, e surpreendo-me com a velocidade do tempo. Aquela menina que cabia na concha das minhas mãos é, hoje, uma mãe encantada com o seu bebé!!
Penso na velocidade vertiginosa do tempo e não consigo deixar de pensar que, de facto, a vida é curta demais para ser desperdiçada.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Idiotices
É assim o tempo: sucedem-se os dias, cruzam-se sentires, reconstroem-se estados de alma.
Hoje, vou à vida com garra! Espera-me um dia longo que terminará, uma vez mais, com reunião da Assembleia Municipal. E vou revoltada! Porque estão a acabar com o meu concelho, porque estão a levar para Évora as principais valências de saúde, porque os recém eleitos, e verdadeiros idiotas, no executivo camarário, vão impedir a construção da nova Escola, vão, uma vez mais, em nome de memórias inexistentes (um velho estádio sem utilização) colocar Portalegre na cauda do país! É por isso que eu não gosto destas democracias de pseudo-igualdades!Como pode o número significar razão?! Quem acredita que cem idiotas são melhores que dois seres inteligentes e competentes?? Hoje, apetece-me protestar, com veemência, contra aqueles que continuam a sufocar Portalegre. A minha cidade merecia melhor!!
Hoje, vou à vida com garra! Espera-me um dia longo que terminará, uma vez mais, com reunião da Assembleia Municipal. E vou revoltada! Porque estão a acabar com o meu concelho, porque estão a levar para Évora as principais valências de saúde, porque os recém eleitos, e verdadeiros idiotas, no executivo camarário, vão impedir a construção da nova Escola, vão, uma vez mais, em nome de memórias inexistentes (um velho estádio sem utilização) colocar Portalegre na cauda do país! É por isso que eu não gosto destas democracias de pseudo-igualdades!Como pode o número significar razão?! Quem acredita que cem idiotas são melhores que dois seres inteligentes e competentes?? Hoje, apetece-me protestar, com veemência, contra aqueles que continuam a sufocar Portalegre. A minha cidade merecia melhor!!
domingo, 22 de novembro de 2009
Distorções
A vida cumpre-se num fazer de pequenas coisas, disse alguém. Eu gosto da frase. Sobretudo, gosto porque me faz ter esperança nos momentos péssimos e, simultaneamente, valorizar os momentos bons. Nos últimos dias, tenho vivido assim, num carrossel de altos e baixos, sentada naquelas coisas que giram-giram a uma velocidade alucinante fazendo ver o mundo distorcido. Ou, se calhar, o mundo está mesmo distorcido. Ou eu estou distorcida. Nestes últimos dias, cheia de mil afazeres, com o meu neto quase a nascer - uma nova etapa, uma ansiedade indescritível -, o meu coração tem galopado a mil dando sinais de querer parar. Às vezes, apetecia-me deixá-lo parar. Sair de mim e ficar de fora, cumprindo só o essencial, sem me fazer sentir a solidão, a saudade, o desejo, a memória, o medo de um futuro que desconheço. Hoje, queria que o meu coração requeresse a reforma!
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Vila Viçosa - MULHER
De quinze em quinze dias, Vila Viçosa acolhe-me. Chego cedo, pelas duas e meia, e sempre me surpreendo com a entrada imponente do castelo ao fundo da praça simpática. Estaciono, tomo um café, às vezes peco uma queijada (são deliciosas, de requeijão), e rumo à Escola. Lá, encontro os colegas que, como eu, procuram facilitar a urgente mudança que a educação exige. Partilhamos experiências, discutimos metodologias, espiolhamos o novo programa, comentamos, produzimos, vivemos momentos que, quero crer, serão marcantes no nosso quotidiano lectivo.
Hoje, uma vez mais, fui a Vila Viçosa. Cheguei dividida, ou mesclada, os sentires profissionais tecidos por angústias particulares, tinha vontade de chorar, apetecia-me ter a força da D. Luísa de Gusmão que dali partiu em busca de um reinado difícil. Deu-me, então, mordiscando a queijada (foi dia de pecado), para pensar como é duro e doloroso sentir no feminino. Vila Viçosa conheceu, acolheu, Mulheres sofridas: D. Luísa, D. Catarina (coitadinha, o marido fê-la de fel e vinagre), Florbela Espanca... Agora, acolhe-me a mim! E, se não sou comparável em importância, sou-o decerto no sonho que acalento. E os meus sonhos...
Hoje, uma vez mais, fui a Vila Viçosa. Cheguei dividida, ou mesclada, os sentires profissionais tecidos por angústias particulares, tinha vontade de chorar, apetecia-me ter a força da D. Luísa de Gusmão que dali partiu em busca de um reinado difícil. Deu-me, então, mordiscando a queijada (foi dia de pecado), para pensar como é duro e doloroso sentir no feminino. Vila Viçosa conheceu, acolheu, Mulheres sofridas: D. Luísa, D. Catarina (coitadinha, o marido fê-la de fel e vinagre), Florbela Espanca... Agora, acolhe-me a mim! E, se não sou comparável em importância, sou-o decerto no sonho que acalento. E os meus sonhos...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
São Rosas, Senhor!

Não as embrulhei no regaço, não serviram para ludibriar ninguém.
As minhas rosas chegaram, hoje, trazidas por uma mensageira com sorriso maroto (ora, ora, é a segunda vez, em poucos dias, que trago flores a esta professora...). Eu perdi-me nelas, cheirei-as, toquei-lhes, afaguei a presença que me faz falta e, de longe, mima a minha existência.
Agora, ao som do Oceano Pacífico, olho as rosas, penso como a vida se cumpre, de facto, num fazer de pequenas coisas, e sorrio à nova realidade que me desafia e provoca.
Ah! Como eu compreendo a Rainha Santa Isabel!!! Como eu sinto, agora, a importância de um ramo de rosas...
Monarquia versus República
Tarde de 4ªfeira e o Clube Europeu, o meu Clube Europeu (mentira... é da minha Escola, eu só coordeno), esse mesmo que tantas dores de cabeça, alegrias e preocupações me dá, a desenvolver mais uma iniciativa daquelas de aprender a ser Pessoa. Desta vez, confrontar Monarquia e República, ajudar os miúdos a perceber que ditadura e monarquia não são sinónimos, fazê-los perguntar, ter dúvidas, reformular ideias feitas e encontrar caminhos, era o desafio. De um lado, a minha amiga Teresa, monárquica de emblema na lapela, segura, fundamentada, apaixonada pela Causa; do outro, o meu colega Capote, experiente, treinado para o uso da palavra, sensato e racional, defensor da República. Esgrimiram-se argumentos, apresentaram-se ideias, deram-se exemplos, falou-se de cidadania e de liberdade, de tempos e de épocas, de indivíduos e de grupos. Os miúdos, jovens quase a poder votar, fizeram perguntas, contradisseram, optaram.
Eu, republicana convicta, olhava a discussão com a alegria, disfarçada, de ver a Escola acontecer. Porque eu acredito que é assim que se faz Escola! Acredito que é importante conversar, não contraversar, ouvir, dizer, questionar, reflectir e construir ideias novas. Saí da Escola depois das seis, cheguei lá às oito e dez da matina, mas vim para casa com a sensação do dever cumprido, com a certeza de ter feito alguma coisa pelo mundo que integro.
Talvez, daqui a 20 anos, estes miúdos não se lembrem das características do Romantismo, ou sequer da diferença entre um conector adversativo e um disjuntivo, mas, tenho a certeza, lembrar-se-ão de uma tarde, numa sala desarrumada, com ruído de obras a perturbar a comunicação, em que discutiram coisas de ser Pessoa!!
Eu, republicana convicta, olhava a discussão com a alegria, disfarçada, de ver a Escola acontecer. Porque eu acredito que é assim que se faz Escola! Acredito que é importante conversar, não contraversar, ouvir, dizer, questionar, reflectir e construir ideias novas. Saí da Escola depois das seis, cheguei lá às oito e dez da matina, mas vim para casa com a sensação do dever cumprido, com a certeza de ter feito alguma coisa pelo mundo que integro.
Talvez, daqui a 20 anos, estes miúdos não se lembrem das características do Romantismo, ou sequer da diferença entre um conector adversativo e um disjuntivo, mas, tenho a certeza, lembrar-se-ão de uma tarde, numa sala desarrumada, com ruído de obras a perturbar a comunicação, em que discutiram coisas de ser Pessoa!!
O que é que isso contribui para a minha felicidade?
O mundo, o de hoje, o meu, outro não conheço, faz-se de egoísmos mascarados de socializações. Todos andamos à procura de um lugar onde o Sol, ou um raio que seja, incida em exclusivo sobre nós. Todos queremos viver bem, não ter (grandes) preocupações e, numa fórmula que para lá do vazio pode fazer sentido, queremos ser felizes. Depois, há quem assuma isto e quem, sei lá porquê (idiotice, é uma hipótese), o tente disfarçar. Eu não disfarço! Eu procuro viver de modo a concretizar sonhos e a experimentar vivências de felicidade! Claro que, diariamente, sou confrontada com chatices. Mas continuo, ora chorando, ora praguejando, ora fazendo, ora refazendo,ora rindo, ora gritando, na minha busca de realização individual. Assim, muitas vezes partilho com os meus alunos, meus grandes amigos, esta questão da necessidade de fazermos "coisas" pensando em nós mesmos, na nossa realização e felicidade. E muitas vezes também, eles não me ligam nenhuma porque, se calhar, o que eu lhes digo em nada contribui para a felicidade deles... Ora, pensando em tudo isto, decidi impôr uma norma nova nas minhas aulas: - Perante qualquer comportamento considerado, obviamente por mim!, estranho ou desajustado, vou exigir ao responsável uma reflexão sobre o contributo do mesmo na consecução da sua felicidade! É que eu acho que, num mundo onde manda a economia, se pensarmos os nossos actos numa lógica de benefício próprio podemos conseguir mudar muita coisa! Acho mesmo!!
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