É um problema antigo, de sempre talvez, a dificuldade em conciliar a Liberdade Individual (essa mesma maiusculizada!) e a suposta ordem, regras?, sociais. O homem é um ser social - frase feita que aprendi nas minhas aulas de Filosofia, a professora Celeste a falar-nos de coisas de pensar e desafiar sentidos. Na época, eram palavras sonoras, lógicas certificadas por sabedorias confirmadas, que me ajudavam, muito jovem, a olhar e tentar compreender o mundo que integro.
Mas o tempo passou, as rugas chegaram e instalaram-se,a vida fez estragos e provocou questões. Hoje, quase-quase a fazer meio-século de vida(é muito!), relembro as aulas de filosofia, as palavras da professora Celeste, e esbarro com non-senses dolorosos. Até que ponto poderá fazer sentido subjugar a liberdade individual, as opções pessoais, às normas, maioritariamente hipócritas, de uma sociedade anquilosada? Que lógica pode haver em abdicar de vivências de felicidade, de oportunidades de VIDA REAL, só porque o mundo comenta, opina, critica? A chegar aos meus 50 anos, com muitos fios e nós de vida tecida em momentos plurais, surpreendo-me ao esbarrar com olhares e atitudes da sociedade que, apesar de não querer, integro. Mas não cedo. Hoje, estou segura do valor da Liberdade Individual acima de qualquer imposição social. Hoje, como Ávaro de Campos, grito "Vão para o diabo sem mim. Ou deixem-me ir para o diabo sozinho!". Hoje, contrariando (ou não...) José Régio, afirmo "SEI por onde vou! Mas sei que não vou por aí!". Hoje, Carnaval ainda, recuso a máscara social e afirmo, de alma e coração, a minha convicção na minha LIBERDADE!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Carnaval - Pleno
Boa tarde, os seus documentos por favor. E, calmamente, eu apresentei a minha carta de condução, os documentos da viatura. Seria uma operação de fiscalização de trânsito normal, vulgar, se, de repente, à minha janela não tivesse aparecido a senhora governadora civil de Évora. Ela mesma, em pessoa e de colete verde, sorridente, congratulando-me por não circular em excesso de velocidade (nem ela sonha o acaso...) e oferecendo-me balõezinhos para testar o nível de alcoolémia. Original (??) e português! A governadora civil, que devia estar a trabalhar em prol do distrito, procurando soluções para desenvolver um Alentejo envelhecido e ultrapassado, passa uma tarde de colete verde, agora que até o Sporting está em crise, a fazer marketing!! Com ela, obviamente, a TV! Porque é preciso vender a imagem, falsa e gasta, de que o governo, e os seus relativamente legítimos representantes, se preocupam com o povo, com os transgressores aceleras, com os ousados alcoólicos que - hélas! - beberam um copo de vinho à refeição.
Eu sei que é Carnaval, que vivemos a época dos mascarados e das fantasias, que este é o tempo das aberrações. Mas, por favor!!, será que merecemos ser forçados a entrar na mascarada deste governo idiota??
Eu sei que é Carnaval, que vivemos a época dos mascarados e das fantasias, que este é o tempo das aberrações. Mas, por favor!!, será que merecemos ser forçados a entrar na mascarada deste governo idiota??
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Pontos de Vista
Pois há tantas realidades quantos os olhares. E a frase dita e repetida, eco de muitos outros momentos, a ganhar novo sentido. Porque o Tempo faz mudar tudo... E, assim, a realidade idiota dos dias (dos pais, das mães, da árvore, do lixo, do ambiente, da água, das mulheres, da SIDA, da droga, do cancro, da tuberculose, dos amigos, dos avós, dos tios, dos namorados e das bruxas, entre centenas de outros) a ganhar para ela novo sentido. De lado as camisas por passar, os trabalhos para corrigir, os emails para responder, e ela, inteira, de sorriso n'alma, alterada pelo telefonema rápido, pela proposta ousada e finalmente possível. Sim, claro que podia! Podia impôr à vida uma pausa e oferecer-se o privilégio de assinalar o idiota do Dia dos Namorados! Na sua cabeça soavam os jingles de que sempre troçara, as imagens gastas dos cartõezinhos vermelhinhos (sempre infantilmente inhos), as frases ridículas coladas nas montras - para a melhor namorada do mundo! - as flores de plástico com frases foleiras: - És a namoradinha dos meus sonhos... ou, pior??, és o namoradinho que pedi às estrelas... Ria-se com gosto, dobrando, à pressa, a saia preta e o lenço longo. Sim, garantira há dez minutos. E o SIM pronto a fazê-la rir-se da própria descrença, da entranhada desilusão, da habitual rotina a que, agora, virava costas com gosto. Ia festejar, ou assinalar?, o Dia dos Namorados! Em breve, ele chegaria e, rindo e brincando, levá-la-ia no cumprimento da promessa feita, dos amores anunciados, das ousadias intensas. Mala pronta,pouca coisa, afinal dois dias voam, um último olhar ao espelho, espelho amigo de muitos olhares, para confirmar que a idade, os estragos do Tempo, não eram (ainda) agressivamente visíveis... Via-se mulher namorada, enamorada, segura e firme, decidida e ansiosa e, sem conseguir apagar o riso idiota que a fazia trautear - MAL!! - a melodia de Mamma Mia, pensava que, de facto, ainda bem que a vida permite diferentes pontos de vista!!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Diferenças
Às vezes, felizmente, a diferença acontece. Aconteceu hoje, no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre, numa sala cheia de miúdos, uns mais curiosos e interessados do que outros, quando o Manel, descontraidamente, a propósito de José Régio, falou de vida. De ser e seres. De diferenças fundamentais, da necessária coragem para, como o Poeta, afirmou "Não sei por onde vou. Sei que não vou por aí!"
O Cântico Negro, uma vez mais, tocou-me fundo. E eu, que tantas vezes hesito nas encruzilhadas da vida, que tão bem conheço a aspereza das pedras bicudas por onde faço o meu caminho, desejei hoje, naquela sala da minha cidade, ao lado de um Homem que tece palavras com sentires sentidos, estar a trilhar o caminho certo.
Se eu pudesse, se eu mandasse,a Escola seria muito mais vezes assim: - Um fazer de partilhas, descobertas e desafios.
Obrigada, Manel!!
O Cântico Negro, uma vez mais, tocou-me fundo. E eu, que tantas vezes hesito nas encruzilhadas da vida, que tão bem conheço a aspereza das pedras bicudas por onde faço o meu caminho, desejei hoje, naquela sala da minha cidade, ao lado de um Homem que tece palavras com sentires sentidos, estar a trilhar o caminho certo.
Se eu pudesse, se eu mandasse,a Escola seria muito mais vezes assim: - Um fazer de partilhas, descobertas e desafios.
Obrigada, Manel!!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Nós de Sentires
O Malato apregoa milhões na TV, uma senhora de sorriso plastificado acompanha-o,os concorrentes tornam pública a sua ignorância. Chove lá fora, oiço o vento assobiar. Estou quente, calma, desfiando momentos e tentando, sem grande êxito..., desatar um nó chato, cerrado, não cego contudo, que surgiu nos meus sentires. Desta vez, conheço bem as pontas traiçoeiras, a força da volta que custa a desmanchar, a causa do aperto do nozinho incomodativo...Queria que a chuva da noite amolecesse o nó, o desfizesse, ou, pelo menos, o alargasse o suficiente para que não incomodasse os sentires bons, muito bons, que me fazem sorrir e acreditar que, apesar de muitos pesares (dizem que é a vida...), vale a pena crer e confiar!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Desafios
Falo-lhes em desafios. Em descobertas. Na força do sonho. Na coragem de se ser singular no meio da totalidade, da mediocridade vigente. Olham-me sorrindo, o sol lá fora a provocar agitação hormonal, o Frei Luís de Sousa a não fazer qualquer sentido. Um deles, franja nos olhos e sorriso aberto, faz anos. Cantamos os parabéns e falo-lhes de poesia Com que caíu na asneira de fazer na 5ªfeira 26 anos?? Que tolo... E é 3ªfeira, e ele faz apenas 17. Rimo-nos. Provoco-os intencionalmente, digo-lhes da igualdade de uma juventude que repete modelos, que busca a diferença na igualdade de uma irreverência sem rasgos de singularidade. Entre alguns protestos vem o teste, já na próxima aula, e os pedidos insistentes de diga lá professora o tema para o texto argumentativo. Apetecia-me dizer-lhes que não quero saber do teste para nada, que não me interessa nada que distingam as marcas do romantismo, ou papagueiem as caracteristícas da tragédia. Apetecia-me dizer-lhes que os quero incapazes da indiferença. Activos, pensantes, corajosos e, de facto, construtores de um mundo que quero MUITO MUITO diferente!!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Fevereiro
Soma e segue. O tempo, os dias, os meses. Mais um Fevereiro, frio, que me encontrou envolta em mil sentires, pensares, viveres.
Fevereiro é o meu mês preferido. Porque tem carácter, é incerto, traz frio e energia e porque, talvez, eu faço anos. Entrei em Fevereiro sacudindo dores antigas, de alma limpa, construindo realidades de dia-a-dia, tentando escapar às dores que me assustam e, vezes demais, me humilham. Entrei em Fevereiro cheia de energia, de força e vontade, de anseios e esperanças. Entrei em Fevereiro querendo crer que sim. Que a vida boa, cúmplice, é possível ainda.
Fevereiro é o meu mês preferido. Porque tem carácter, é incerto, traz frio e energia e porque, talvez, eu faço anos. Entrei em Fevereiro sacudindo dores antigas, de alma limpa, construindo realidades de dia-a-dia, tentando escapar às dores que me assustam e, vezes demais, me humilham. Entrei em Fevereiro cheia de energia, de força e vontade, de anseios e esperanças. Entrei em Fevereiro querendo crer que sim. Que a vida boa, cúmplice, é possível ainda.
Subscrever:
Mensagens (Atom)