domingo, 6 de novembro de 2022

Vigarista em Formação

 Desilusão? Não. Revolta calma, por paradoxal que tal possa ser.

Uma aluna, copiou um texto e entregou-mo. Não sei se é o facto de ela menosprezar a minha inteligência, achando que eu não daria por isso, se é o nem se ter dado ao trabalho de corrigir o português do Brasil, se é o facto de ser uma vigarice, uma trafulhice, que é tomada por normal. Por sem problema.

Para mim, tem gravidade e é, sim, um problema. 

Muitos problemas, mesmo! É problema não se importar com a aprendizagem, tendo como objectivo conseguir uma nota a qualquer custo; é problema roubar o trabalho de outrem; é problema assumir a aldrabice como normal; é problema estar há 12 anos na Escola e ainda não distinguir o certo do errado, o Bem do Mal.

Esta miúda é das que gosta muito de falar em Direitos e Liberdades. Gosta de cartazes e campanhas.  Ou seja, de pouco (ou nada) serve andarmos nas Escolas a fazer campanhas quando continuamos a permitir  que os vigaristas cresçam ao nosso lado. E eu continuo a pensar que esta mudança de forma de pensar e agir, tem de ser trabalhada na Escola...


quarta-feira, 2 de novembro de 2022

TRADIÇÕES

 

O mês de Novembro, mês que sempre pinto de cinzento e vento, começa com tradições diversas. Vem o Dia das Bruxas, depois os Santinhos, a seguir o Dia de Finados. Gosto do Dia das Bruxas. sei que não é uma tradição portuguesa, mas gosto dos miúdos mascarados, das vassouras, das bruxas (o mundo sempre teve medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, fadas, ou ousadas), das abóboras luminosas, dos doces e das

travessuras. Não me parece, de todo, que importar tradições implique denegrir, ou ignorar, as nossas. De facto, este ano o Dia dos Santinhos começou cedo e foram muitos, mas muitos mesmo, os grupos de miúdos que me bateram à porta pedindo os santinhos.

Às vezes, muitas vezes,  penso que a diversidade nos enriquece e que querer ficar agarrado a um agora que foi ontem, nos impede de conhecer muitas das coisas boas da vida.

Gosto de inovação, de transformação. De viajar lá fora, e cá dentro.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

A Visita de Estudo

 Muito por causa da pandemia, e por ter estado cinco longos anos afastada da sala de aula, há muito tempo que não fazia uma Visita de Estudo. No dia 20, aconteceu.

Bem cedo, partimos ao encontro de Pessoa. Não foi o dia triunfal, não era 8 de março de 1914, mas foi um dia especial. A Casa Fernando Pessoa, que eu ainda não tinha visitado após as obras, cativou-me absolutamente. Depois, de tarde, a caminhada seguindo os passos do Poeta acabou de completar o dia. 

Os meus alunos, e como gosto deles!, revelaram-se excelentes companhias e eu senti, juro que senti, que a Escola é isto: - Vida, descoberta, alegria e, também muito bom, um arroz de cabidela na Lisboa dos sentidos (e dos sentires).

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Escola do Futuro??

 "Às vezes, oiço passar o vento..." Alberto Caeiro

Às vezes, oiço falar de escola do Futuro, Luísa Moreira. E, tal como vento passa, já passou, continuará a passar sem nada dizer, também esta frase gasta pouco ou nada me diz. O que eu quero mesmo, o que eu gostava de ajudar a fazer, é mesmo uma Escola do Presente. 

Uma Escola onde seja possível inovar, criar, ser diferente. Uma Escola onde os alunos possam, por exemplo, consultar o dicionário no telemóvel, sem ter de requisitar um dicionário na Biblioteca. Uma Escola onde se pudesse conversar e ouvir música. 

A Escola que eu quero, quero-a Hoje. É a Escola urgente.

O Futuro é, sempre, um tempo que corre à nossa frente e onde, de certeza, nunca chegaremos. 

Assim,  Escola do Futuro será, sempre, a do passado, se a não fizermos no presente.

Associação de Estudantes

 Na Escola onde trabalho, provavelmente noutras também, estão a decorrer eleições para a Associação de Estudantes. Vibro com estes dias. Enche-me de esperança ver como os jovens, quando motivados, se movimentam e concretizam sonhos. 

Este ano, há duas listas: a E, Elefante; a F, Fox. Eu, triste porque não posso votar, torço pela lista E. Tem projectos, tem alunos com sucesso escolar, tem olhares irreverentes que me encantam. 

Como professora, defendo que a Escola devia envolver-se activamente nestas acções. A aprendizagem da cidadania efectiva é assim que acontece! Por isso, não deveriam os adultos alhear-se deste processo. Também penso, e sei que é uma opinião polémica, que alunos com insucesso declarado, jovens de 20 anos, não deviam poder ser candidatos. Assim como, na política adulta, os vigaristas e criminosos não deveriam poder ser eleitos também...

domingo, 16 de outubro de 2022

DE VOLTA

Podem esquecer-se os amigos? Diria, imediatamente, que não. Mas eu tenho desleixado o meu blog e este espaço tem sido, sem dúvida, um bom amigo. Um pouco como os peixes que Vieira elogia, também ele me ouve e não fala. Desleixei-o porque o tempo não estica, porque, se calhar, baralhei as prioridades, porque me esqueci como é importante ter tempo para ser comigo. E estou arrependida. O meu blog, este espaço de escrita, tem-me feito muita falta... 

Atravesso, mais uma vez, um terrível período na vida, e estes momentos, quando os meus dedos dançam sobre as teclas sem procurar sentidos correctos, fazem-me falta. 

Se nunca abrirmos uma garrafa de vinho, por mais prometedor que seja o rótulo, nunca saberemos da qualidade do mesmo. E apetece-me tirar a rolha da garrafa, embora saiba que o rótulo não é prometedor.

Estou de volta. Prometo não voltar a abandonar este amigo!

quarta-feira, 9 de março de 2022

A GUERRA

Não tem um tempo, a guerra. É de sempre, e sempre assenta na injustiça, na violência, no sofrimento, no sangue, na morte. Acontece por pequenos motivos, por grandes também, mas sempre tendo na raiz a sede de poder e de domínio.

Parecia impossível, a mim pelo menos, que a guerra voltasse à Europa, mas um louco, Putin, conseguiu instalar de novo o horror. Tenho medo. 

Medo do que ainda está para vir, medo da incapacidade da Europa democrática dar resposta  aos milhares de desalojados. Este tempo é também, acredito, um desafio a cada um de nós. Já não é suficiente falar de solidariedade, de justiça, de apoio ao próximo. Agora, urge agir. É preciso acolher desconhecidos nas nossas casas, é preciso partilhar o pouco que temos, é preciso mostrar que somos o que dizemos, que não nos fazemos de palavras sonoras, mas ocas.

Tenho muito medo!