quinta-feira, 11 de junho de 2009

MILHÕES DE VERGONHA!

Mais de 90 milhões de euros por uma transferência de um jogador de futebol. E milhares de crianças morrem à fome. Mais de 93 milhões por um miúdo com pés mágicos. E não há vacinas em muitos países africanos...
Não percebo o mundo que integro! Não consigo compreender assimetrias desta imensidão.
Num mundo cada vez mais pequeno, a tal aldeia global, creio que o provincianismo (no que de pior tem!) ganha destaque! Não tenho nada contra o Cristiano, até gosto de o ver jogar e desejo-lhe toda a felicidade do mundo, gosto que seja português!! Mas, hoje, ao ser confrontada com vinte minutos na abertura dos telejornais em torno da sua transferência para o Real Madrid, não pude evitar a sensação de revolta a fazer-me acelerar o coração. Não pode estar certo, não pode fazer sentido. O mundo parece ter definitivamente enlouquecido e eu tenho medo... Um medo feito revolta angustiada, receio de um amanhã que me apavora.
Também hoje, tentando ajudar a Ana e a Alexandra a prepararem o exame de Português, falei de Humanismo, de Valores éticos, da consciência da dimensão Humana. Falei, com entusiasmo, de sonhos escritos, de originalidade, da Arte transfigurando a realidade. E, agora, sinto-me perdida, temendo a noite misteriosa por duvidar que seja possível, ainda, carregar no ventre escuro um amanhã com sentido...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As Reflexões do Poeta

Olha do alto o país que o comemora e surpreende-se. Não o incomodam as porcarias que os pombos doentes lhe deixam em cima, ignora a pressa de quem nem o olha, acolhe com tolerância os cansaços que procuram a sua sombra sem lhe pedir autorização. Nada disso, por muito que seja, é suficiente para lhe perturbar a paz de pedra, a intemporalidade da permanência ou a segurança do lugar.
O que o incomoda, violentamente, é a memória de um povo que já o não é, que esqueceu a Razão, desvalorizou a experiência, menosprezou a essência, manchou a história e faz a realidade de desvalores despidos de sentido. Incomodam-no os discursos gastos, as condecorações abusivas que o fazem gritar do mutismo da pedra: "Mais vale merecê-los sem os ter, que tê-los sem os merecer". É o seu dia! E sorri com tristeza. O seu dia...feito de tudo o que despreza, recheado de factos que o fazem desejar, agora, nunca ter conseguido libertar-se da "lei da Morte". Ele, o Poeta - como lhe chamam, esse mesmo que apavora alunos e ainda encanta os resistentes leitores, relembra os seus versos e interroga-se sobre o efeito dos mesmos. Sim, cantou o Amor "Amor é fogo que arde", mas hoje a chama parece vir de isqueiros eléctricos, sem autenticidade, sem calor sequer. Sim, cantou a saudade da amada "Alma minha gentil que te partiste, tão cedo desta vida descontente", mas hoje os afectos são de reduzida duração. Sim, enalteceu a experiência "Mais vale experimentá-lo que julgá-lo", mas, hoje, todos julgam sem saber de que falam, porque falam ou como falam. Sim, elogiou os portugueses "Eu canto o peito ilustre lusitano", mas, hoje, o lusitano não tem peito, só bolso. Sem fundo, sem limite, bolso apenas!!
Triste, indiferente ao Hino que sabe ser cantado em Santarém, olha o Tejo. Não há ninfas já. Olha melhor, quer sentir que tem de ser possível..., mas apenas vê garrafas de coca-cola vogando, pernas mais ou menos musculadas correndo nas margens e presenças ausentes de sentido luso.
É o seu Dia! Também o de Portugal e o das Comunidades. E a pedra gasta e suja disfarça a vergonha que o faz corar de revolta. Porque será que nem as palavras têm sentido, que tudo lhe parece tão intensamente triste e vazio?
Vendo passar um abraço forte, um olhar lascivo num corpo despido, sente a dor de não poder chorar. Ele, ele mesmo que cantou o sofrimento intenso do Gigante ousado que se fez promontório, revolta-se, agora, face à ligeireza da palavra que tão fortemente lhe ocupa os sentidos. Mas, é o seu Dia! E, com a frieza da pedra que o imortaliza, pede aos Homens a mudança. Que volte a Portugal a Razão, a Verdade, a Nobreza e o Amor. Que este país que o festeja consiga, depressa!!, recuperar algo da sua essência... E volta a olhar Tejo, cantando:"Ó glória de mandar, ó vã cobiça//Desta vaidade, a quem chamamos Fama"

domingo, 7 de junho de 2009

Eleições Europeias

O PS perdeu as eleições!!! VIVA!!! Até que enfim!!! Hoje vou, de certeza, dormir melhor.
O meu CDS/PP ficou atrás dos comunas que abomino, dos esquerdosos que receio. Mas nem isso me tira o sono porque a derrota do PS encheu-me de esperança de mudança.
Até já gosto mais (um bocadinho...) da Drª. Manuela!!!

FONDUE DE LAGOSTA

Ao fim do dia, depois de muita reflexão e discussão, afinal o que são competências? Será possível ensinar de facto as crianças portuguesas a ler, falar e compreender? E estratégias são só opções militares? - Aconteceu o fondue de lagosta em Porto Brandão. É um lugar lindo e pobre, miserável, a ilustrar o verdadeiro Portugal: - Uma enseada romântica carregada de lixo, um edifício em escombros, um largo com estacionamento caótico, o Cristo Rei espantado e impotente, um restaurante terno com uma oferta saborosa.
Fui de barco, um barquinho sujo e velho, partindo do Porto de Belém a esforçar-se por ser moderno, bilhetes recarregáveis, entradas computorizadas, a modernidade a tornar-se dolorosamente agressiva face aos olhares gastos, à barba suja do bêbedo que, numa cantilena incompreensível, aguardava o barco onde não entrou. Depois de dez minutos de espera, oscilando sobre o Tejo irrequieto, no barquinho quase vazio, lembrei-me de Fados conhecidos, e agradeci a ausência das ninfas que, sem dúvida, iam sentir-se muito deslocadas no Tejo actual... Num instante cheguei à enseada triste.
No restaurante, com uma travessa de boa lagosta e um prato largo de frutas coloridas, bebendo uma deliciosa sangria de champanhe (o espumante português feito pretensiosismo...), vi anoitecer sobre o Padrão dos Descobrimentos, vi acenderem-se as luzes sobre a Ponte Salazar e vi Lisboa aconchegar-se no manto negro. Podia ser uma fadista, a cidade das varinas, se em vez de lixo e miséria tivesse encontrado limpeza e harmonia.
Soube-me bem o jantar. Boa companhia, boa conversa, e eu a tentar distrair os pensares das opções dolorosas que insistiam em fazer. Porto Brandão.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Tristeza imensa

Olho para dentro de mim e vejo um monte amarfanhado de desilusões e desesperanças. Olho-me no espelho e vejo as olheiras que fazem com que me perguntem se estou doente. Estou, de facto, doente. De uma doença que não passa com aspirinas, nem melhora com antibióticos, nem mata como a gripe mexicana.
A minha doença chama-se revolta sufocada! Revolta séria e funda. Revolta porque não consigo aceitar o que a sociedade está a fazer com os jovens de hoje!! Pior do que a anormalidade da avaliação dos professores, é a aprendizagem dos jovens.
Hoje, 3 de Junho de2009, numa turma de 12º ano, jovens de 17 e 18 anos insultaram-se, agrediram-se, movidos pela inveja, pela desconfiança, pelo ódio, pelo espírito mesquinho que esta sociedade promove. Jovens que, há uns anos, se uniam para puxar pelos mais fracos, agridem-se agora por décimas nas classificações finais. São jovens hipócritas, velhos por dentro, falsos e dolorosamente ajustados à sociedade actual...
Felizmente, para me animar um pouco, aconteceram momentos de afectos efectivos num almoço de despedida de outra turma. Talvez para me lembrar que a maioria não é a razão.
Como eu gosto destes miúdos! Como me dói ver raiozinhos de ódio nos olhares que deviam ser frontais e puros...Apetecia-me contar-lhes as histórias de Coimbra, memórias herdadas que me marcaram, para lhes ensinar como se constrói a essência humana, como se tece uma Amizade! O que está Portugal a fazer com a próxima geração??

terça-feira, 2 de junho de 2009

O TEMPO

O meu pior inimigo, e eu tenho muitos, é o tempo. Parece um glutão com barriga interminável, nunca fica saciado, exige devorar cada cagagésimo de segundo a uma velocidade alucinante. O tempo esgotou este doloroso ano lectivo. Num instante, um instante marcado de muita revolta, angústia, dor, mágoa, frustração, incompreensão e desilusão, chegou ao fim o ano lectivo 08/09. Para mim, ficará nas minhas memórias profissionais mais negras. Fez-se de muito sofrimento, de dolorosa solidão.
Agora, vejo partir os miúdos, três meses de inactividade (só em Portugal) e assusto-me. É que eu ainda tinha muito para viver com eles... Queria, agora, tempo de efectiva aprendizagem. Sem a maldita avaliação sumativa, com tempos de qualidade. Queria poder ir sair com eles, visitar museus, ouvir boa música, correr na praia, conversar sem campainhas inoportunas. Se eu mandasse alguma coisa, ou se alguém me ouvisse de facto, os miúdos apenas ficariam em casa em Agosto. Até lá, haveria aprendizagens de SER, reais e efectivas, feitas de cumplicidades, de diversidade e de imensa qualidade!
Mas, porque o tempo é mesmo meu inimigo, vou morrer com esta mágoa de ser professora num país que reduz a aprendizagem à instrução (pouquinha, ainda assim...)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Inhos e Inhas

Somos um país de inhos e inhas. Um país de pensamento diminuto, de ódiozinhos, de paixõezinhas, de vingançazinhas, de vidinha, de percariazinha. Sim, nem a porcaria chegamos: - Somos uma porcariazinha! Só assim se compreende, entre muitas e violentas realidades, a questãozinha que surgiu por a Escola de S. Lourenço ter recebido a medalha de ouro da cidade e a Mouzinho não. Como se a medalha trouxesse às escolas mais qualidade, mais verdade, mais prestígio... Enfim... Por uma questão de somenos importância, azedaram-se os ânimos e até o Presidente da Câmara foi à Mouzinho esclarecer as coisas!! Será possível?! Obviamente, uma questão destas nunca surgiria num país inteiro, sem inhos. Porque nesses há mais preocupação como o SER do que com o PARECER!!
Às vezes, chateia-me imenso viver no meio de tantos inhos e inhas. Apetecia-me uma verdade inteira!!