sexta-feira, 11 de março de 2011

O cavalo do espanhol

Toda a gente, ou quase, conhece de cor a história do cavalo do espanhol que, quando estava mesmo já habituado a não comer, morreu. É, como todas as histórias populares, uma metáfora simples para explicar, aos mais ignorantes, que não é possível viver sem comer e que, se a poupança for total, a morte é certa.
Em Portugal, só o actual governo parece não compreender a história do cavalo do espanhol...
Temos um governo que nos mata, nos sufoca, nos prejudica diariamente e que, tal como o espanhol do cavalo, continua insistindo na sua estupidez sem ver a morte chegar!
Há limites, ou devia haver..., para os sacrifícios que se pedem às pessoas!
Não é razoável, penso que nem devia ser aceitável, que se continuem a aumentar impostos e a reduzir salários. Estas políticas levam ao empobrecimento (mais ainda) do país, ao desânimo das populações, à emigração daqueles que, com valor, conseguem ser reconhecidos lá fora. O nosso governo bajula a senhora Merkel, humilha-se perante os patrões europeus (quais parceiros qual carapuça!), para vir  faz-se de poderoso cá dentro.
Este governo já não está a hipotecar o futuro dos nossos netos, está a envenenar o nosso presente!
Este governo que, mês sim - mês sim, diminui vencimentos (e pensões!) e aumenta impostos: - O IVA, os combustíveis, o IRS, o pão, a eletricidade, a água, os transportes, as portagens, a saúde, o leite, a carne, o papel higiénico, etc., é mais perigoso do que o vírus da SIDA ou o HN1! porque, infelizmente, parece não haver vacina contra este foco de infeção que não pára de alastrar!!
Se o povo (seja lá isso o que for) não tomar medidas drásticas, a epidemia da injustiça e do mau governo não vai parar mais!! Às vezes, quando o foco de infeção é incurável, é preciso recorrer à amputação!!

domingo, 6 de março de 2011

Regresso

Como seria a vida, se não houvesse morte? Como seria o negro, se não existisse o branco? Como seria o escuro, se não existisse o branco? Como seria a solidão, se não existisse o tu? Como seria o mar, se não houvesse a montanha? Como seria o frio, se não houvesse calor? Como seria a amizade, se não houvesse antipatias? Como seria o amor, se não existisse o ódio? Como seria a esquerda, se não houvesse direita? Como seria a tristeza, se não existisse a alegria? Como viveriamos a realidade, se não tivessemos  direito ao sonho? Mas, acima de tudo, como seria a partida se não houvesse regresso?...

sábado, 5 de março de 2011

Carnaval

Não gosto do Carnaval. Nunca gostei das máscaras, dos homens a fazer de mulheres, das mulheres vestidas de palhaços, das crianças transformadas em espanholas e cawboys. Não acho graça, pronto. Vejo sempre o Carnaval como uma festa de países sub-desenvolvidos, não consigo compreender que graça tem dançar e beber até cair na rua. Concedo o Carnaval aos brasileiros, tem tudo a ver com eles... Mas não resisto a achar que é uma malandrice intencional de Deus mandar um frio de neve para Portugal quando os desfiles, à moda brasileira, enchem as ruas de gente pouco vestida...
Este ano, felizmente, estou livre do Carnaval. Aqui, em Cambridge, não há mascarados, não há serpentinas, não há samba de importação e não há as portuguesas bombinhas de mau cheiro! Assim, aqui de longe, até consigo imaginar o carnaval português, a pobreza disfarçada, a alegria postiça, sem ter vontade de chorar Como dizemos no meu país:  -Longe da vista, longe do coração!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reencontro

Chegaram em cima da hora, olhando o número da fila, da cadeira, e sentando-se enfim. Ele viu-me primeiro e sorriu um cumprimento tímido e simpático, murmurando olha a professora. Ela abriu-se no sorriso lindo que recordo na carteira junto à janela. Olá Professora! Há quanto tempo!!
Começou o jazz. Intenso, muito bom mesmo, embora vindo da Suécia (lugar estranho para jazz), lembrava New Orleans...
De vez em quando, discretamente, olhava os meus antigos alunos. Há quanto tempo? Dez anos? Nove? Pareciam-me os mesmos miúdos. Ela, trabalhadora e brilhante, sempre atenta e empenhada; ele sendo rebocado, mais preguiçoso, menos voluntarioso, igualmente educado. Agora, ali estavam, de mãos dadas, lindos!, com aquela beleza que só a cumplicidade efectiva, o Amor verdadeiro consegue dar. Ela mais mulher, ele mais homem, e as mãos esguias sempre unidas, os dedos naturalmente enlaçados.
No final, aplaudindo de pé, perguntei-lhes pela vida. Se lhes fora mansa. E ela, como se pedisse desculpa pela perfeição, anunciou o curso de medicina concluído, o lugar no Hospital de Évora. E ele? Terapeuta. Não perguntei se já tinham casado porque, sinceramente, com a felicidade que transpiravam esse pormenor nada interessava.
É bom assistir à passagem do tempo, quando a vida faz sentido!! É bom reencontrar gente que vi crescer e que, para além da literatura e da gramática, acertou no texto da existência humana...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Fantasia

Segurava com força a mão da Mãe e sorria um sorriso total. Ali, mesmo junto dele, estavam o Peter Pan, a Wendy, a fada Sininho, a torre de Londres onde todos voavam descalços e de pijama. Lá atrás, vinha o Rei Leão, o Simba, o Timon e o Pumba e, ali mesmo dançando na estrada, estava a Minnie e o seu eterno namorado, o Mickey! A seus olhos, era a felicidade suprema , ela mesma feita de faz-de-conta e realidade. Os olhos brilhantes, as mãos sujas de algodão doce, as meias caídas e os cabelos desalinhados não denunciavam o galopar desenfreado do coração de criança. Sentia a presença da Mãe de um lado, do Pai do outro, e não sabia o que dizer. Afinal, os livros que lhe enchiam as prateleiras do quarto, as histórias que sempre o Pai ou a Mãe lhe liam antes de adormecer, vinham daquele lugar de verdade. Os seus amigos de papel pintado tinham vida e saíam da caixa da televisão, do ecran da consola e do computador!
Tinha sido o seu presente de anos, oito anos!, e percebia agora o que Mãe, ao ajudá-lo a vestir o casaco, lhe dissera: - Para que percebas que a fantasia e o sonho fazem sempre sentido, vamos passar dois dias na Eurodisney!!!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

OCO

Quando as palavras perdem o sentido, a escrita apaga-se.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os Românticos

Amantes incondicionais, carregados de subjetividade, os românticos identificavam-se com a Natureza. Hoje, olho da minha janela e sinto ecoar em mim a poesia de Garrett, as palavras dos poetas da paixão e do amor exacerbado. É que parece que chegou a Primavera, ainda que com quase um mês de avanço. As mimosas estão em flor, as amendoeiras vestidas de branco, os campos atapetados de verde moço.
Hoje, agora bem cedo, a Natureza parece querer dizer que sim. Que vale a pena, que há sempre hipótese de renovação, que o cinzentismo não será eterno...
"...Todo o Mundo é composto de mudança". Seria Camões um percursor do Romantismo?!