segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Conversar

Fala comigo. Senta-te aqui, deixa a luz apagada, este calor terrível não passa nunca mais!, e fala comigo. Sim, prometo desligar o computador, calar a televisão, fechar o jornal, desligar o telefone e tirar a bateria ao telemóvel. Tens razão, há tanta coisa a impedir-nos de conversar... Mas está tudo desligado! Fica aqui, ouve-me, tira a carapaça, aceita a minha diferença. Deixa-me falar-te dos erros, das hesitações, das minhas (pouquíssimas) certezas, dos meus anseios e sonhos. Deixa-me dizer-te que é bom sentir os teus pés descalços nos meus, que gosto do cheiro a café que vem da cozinha, que me desgosta a escola de hoje, que estou farta de notícias terríveis, que não gosto do meu país de agora. Ouve-me sim? Conversa comigo. É bom conversar.

sábado, 8 de setembro de 2012

Terapia a Dois

Sempre que a Meryl Streep aparece nos ecrãs, eu corro para a ver. A Dama de Ferro foi o último desempenho que aplaudi com entusiasmo, mas nunca esqueço o Mamma Mia... Foi  com altas expectativas que fui, por isso, ver a "Terapia a dois".
Saí com a sensação de ter assistido a uma chachada, a um esticar de um assunto de uma forma monótona e desinteressante.
Dormi e acordei a pensar outra coisa.
O filme faz sentido! Chama a atenção para o facto de dar muito trabalho ser feliz e de ser muito importante, fundamental eu diria, que os casais comuniquem. Que falem! Que conversem! Por outro lado, vem também abordar uma questão relativamente recente: - Em qualquer idade faz sentido acertar o passo e tentar estar bem e ser (se possível) feliz. Cruzar os braços? Só se for para abraçar alguém!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

E Agora?

Começou o novo ano lectivo, com muitos problemas e dificuldades. Nos Media fala-se dos direitos dos professores (existem?), fala-se de turmas enormes, de horários absurdos, de metas que não se adequam aos programas, de nomenclaturas diferentes para a mesma realidade, de avaliação, de objectivos, etc.
De acordo com o senhor ministro, não interessam competências e é importante valorizar o SABER. Eu, humildemente, pergunto para que serve, por exemplo, saber de cor a tabuada ou o alfabeto se não se for capaz de fazer contas ou escrever textos...
O senhor ministro sabe que, graças às famosas obras da PARQUE ESCOLAR as escolas, mesmo as pequeninas, pagam rendas mensais que chegam aos 50 mil euros (cinquenta mil!!) ficando sem dinheiro para nada mais? O senhor ministro terá noção das assimetrias? Será que já parou um minuto para pensar no que separa a oferta cultural do litoral para o interior? Terá noção de que o ensino obrigatório (que eu defendo!) não é o mesmo para todos os jovens portugueses? Saberá que jovens com necessidades educativas especiais necessitam - exactamente - de acompanhamento especial e não "mais do mesmo"?
 
Vou voltar a olhar os meus alunos com um misto de ansiedade e esperança. Mas, este ano, a ansiedade, a frustração, ultrapassam o entusiasmo que sempre experimento quando começa o ano. E não são os direitos dos professores o que mais me aflige. São os direitos dos alunos!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

LABIRINTO


Na noite vagueia na velha casa. Há ausência, está escuro, procura no vazio as presenças inexistentes, ouve os silêncios eternos, cheira os perfumes perdidos. Não procura certezas, mas deseja respostas, e segue no escuro com a luz do conhecimento afectivo do espaço. Não há espelhos, não se vê, toca a medo as paredes e sente a força do limite imposto. Caminha sempre, presa na liberdade da noite, adivinhando o luar constante. Ouve os cães, sente as corridas dos bichos, arrepia-a o pio da coruja. É noite ainda. É noite sempre nas esquinas da casa onde, perdida, procura as portas que não há. Precisa sair. Mas continua presa no espaço aberto, perdida no lugar que conhece bem, amedrontada pelas esquinas que vira continuamente. Ainda sem portas, ainda sem respostas, sente que as esquinas são sempre bicudas, nunca macias, no labirinto da noite. Da sua noite.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

LOUCURA

Sinto que o meu país se tornou num manicómio! Sou confrontada com leis absurdas, choco com contrasensos constantes, vejo alimentar-se o ódio e punir-se o amor e a ternura, oiço o riso escarninho face à dor alheia e não compreendo o egoísmo crescente. O sol nasce já furioso, querendo destruir tudo, e o desalento geral neste início de ano lectivo mete-me MUITO medo.
Se isto é Portugal, eu não quero ser portuguesa!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

De volta

Fim de férias. Retorno à vida real, feita de stress, de muita ansiedade, de repetições sempre traumáticas.
Mas é preciso viver. Ou sobreviver?

sábado, 1 de setembro de 2012

O Sinal!

Nada habituada a andar de autocarro, tentando agarrar-me ao varão ou, em desespero, à alça que pende do mesmo, sentia-me uma equilibrista de má qualidade, apertando o saco com os joelhos e tentando segurar a carteira só com dois dedos, quando, de repente, uma jovem, de enormes corações pendurados das orelhas, se levantou e me cedeu o lugar. Aliviada, agradeci e aproveitei.
De repente, lembrei-me que uma amiga, há meia dúzia de dias, me dizia que uma pessoa sabe quando chega à meia-idade quando "o trabalho deixa de dar prazer, e o prazer passa a dar trabalho." Na altura, achei que era uma verdade mas, depois da minha experiência de autocarro, concluí que uma pessoa chega à meia-idade quando nos cedem o lugar nos transportes! Dá jeito, mas é um sinal...