terça-feira, 31 de julho de 2012

Marilyn Monroe

Há 50 anos, mais ou menos, esta loira histórica suicidou-se. Tornou-se, não percebo porquê, num ícon e num ídolo. Continua a encher páginas de revistas, a ser imitada e até, esforçadamente, ressuscitada.
O que tinha esta mulher, para além de uma sensualidade gritante e de uma beleza plena? Leio, pesquiso, e encontro uma mulher frágil, inconstante, alcoolica e viciada em drogas. Uma mulher que como actriz não foi nada de marcante, que soube (?) talvez usar a sua beleza e, simultaneamente, que deixou que a usassem pela mesma razão: - a intensa sensualidade. Valerá esta mulher ser um ídolo? Para mim, não com certeza. Paz à sua alma!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Aniversário

Ergueram as taças, vinho especial, fazendo um tchintchin baixinho para os miúdos não acordarem. Ela lamentou a falta de tempo para uma ida ao cabeleireiro, ele jurou-lhe que estava linda assim. A dois, celebravam anos de casados. E lembravam o dia mágico, os convidados, os votos e os deslizes nalguns (mínimos) pormenores desse dia único. Ela recordava as leituras que escolhera cuidadosamente - nada de subjugar a mulher ao homem! - e ria-se da leitura expressiva da grande amiga "...e era tudo muito bom." Era, de facto, muito bom o Amor! Ele lembrava-a linda, ela garantia ter-se sentido a mais bela e mais feliz das mulheres. a dois, riram ainda uma vez de situações passadas, recuperaram ternuras iniciadas nessa Escócia de castelos e fizeram, de novo, votos para sempre. Eram jovens ainda, cheios de sonhos e de possíveis, vivendo o presente à alucinante velocidade que o século XXI impõe. Dois filhos já, muitas exigências e a certeza, tranquilizadora, de uma cumplicidade efectiva e total. Eram os dois, os quatro, a olhar cada dia com o desejo de nunca se separarem, de, sempre, levantarem uma taça de vinho - sim, especial! - a cada dia 30 de Julho. Como fora há sete anos, seria daqui a 70.

domingo, 29 de julho de 2012

Os avós

Sei que há muitos sabedores, psicólogos e afins, a dissertar sobre a condição de avós. Tenho lido algumas coisas, discordado e apoiado, sempre com a incredulidade que experimento face a psicólogos e sociólogos (peço desculpa...). No entanto, agora que sou avó, tenho confirmado algumas das teorias que achava absurdas. É, com certeza, a experiência a dar sentido à teoria.
Os netos são a possibilidade de mimar, de rejuvenescer, com a tranquilidade segura que a idade conferiu aos avós. Com os netos aprendemos de novo a brincar, recuperamos a magia e, o que acho fantástico!, sem estarmos pressionados pela necessidade de desempenhar exemplarmente o nosso papel de educadores. Os netos fazem-nos olhar o hoje, viver cada instante, ignorar projectos de um futuro que, provavelmente, não nos incluirá. Com os netos, as fadas voltam, e as dores nas costas amenizam-se porque não são um problema. São, apenas, a consequência de muito colo terno!

terça-feira, 24 de julho de 2012

No Jardim das Pinhas

Uma toalha rosa, um relvado enorme e árvores seculares em volta. De vez em quando, rápido, passa um esquilo. Deito-me no chão olhando as nuvens e deixo os pensamentos vaguearem. Cruza-se o chapéu novo da Carlota, com as medidas recentes que a Europa tomou contra a Grécia, as descobertas do Manel, com os absurdos para a educação, a minha existência com as gargalhadas trocistas da Fada Sininho sempre que a Wendy tenta imitá-la. Levanto-me para procurar a Naná, a cadelinha que se perdeu, e deixo rolar para longe as injustiças da minha revolta. Pego no Manel e sentamo-nos no tronco largo da árvore enorme, agora é um navio, e rimo-nos com a Ariel sereia que não sabe voar. À minha volta,  a paz existe, é verde, cheira a flores e traz ninhos na cabeça. Retomo a toalha vermelha e olho os farrapos de nuvens que o vento leva para longe. "quem não viu árvores inglesas, nunca viu árvores!" - e até concordo com o terrível General Beresford... De facto, estas árvores, estes parques verdes no meio na cidade, permitem-nos reparar que o céu existe e que está lá, sempre, para além das copas densas e das florestas negras que, às vezes, nos fazem perder o rumo próprio...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Férias

Normalmente, este é o tempo da fuga à rotina. Procuram-se destinos diferentes, quem pode corre para a praia e acontecem as festas de Verão, as idas a restaurantes diferentes e as roupas coloridas. Gosto das férias! Gosto de bons lugares, junto ao mar, de caminhar bem cedo na areia, de nadar e de apanhar sol. Às vezes, cai-me a pele. Mas acho sempre que valeu a pena! Porque dava a pele - TODA - para ter férias reais... Para partir para o mar sem a certeza de, ao regressar, encontrar a vida exactamente onde a estacionei!

domingo, 22 de julho de 2012

Shrek

Embora não seja grande adepta de filmes animados, deliro com o Shrek! A história do enorme ogre verde, da bela (ou não...) Fiona, do burro e do dragão apaixonados(o dragão é fêmea! - nada de confusões), leva-me das gargalhadas às lágrimas. O Shrek tem um lema, que canta quando casa com a Princesa Fiona, com o qual me identifico completamente: - Quando encontras o verdadeiro amor, tu já podes ser quem és! Por isso a Fiona fica ogre, não tem de casar com o ridículo príncipe e pode convidar para o casamento todas as figuras de sonho, do Pinóquio à Cinderela! O Shrek fala de coisas de ternura, de cumplicidades e sentires, dos possíveis que os humanos adulteram sempre, indo para além do banal, tecendo pensares para lá do vulgar. Este enorme ogre, de ouvidos em canudo e mãos larguíssimas, mete qualquer príncipe garboso a um canto e, acho eu, é uma excelente companhia para as férias! Acho que gostava de ter o Shrek só para mim...

sábado, 21 de julho de 2012

José Hermano Saraiva

Chega-me atrasada a notícia, apanha-me longe e dedicada aos netos. Cá longe, lembro-me dele. Foi a Portalegre um dia e, da Penha, disse para toda a gente ouvir o que eu repetia sem eco: - Não podiam ter construído um mamarracho em cima da velha muralha do castelo! Disse-o com convicção, sustentado por um saber há muito reconhecido e, ainda assim, ninguém lhe deu ouvidos. Talvez, será?, não seja hábito dar-se ouvidos à razão...
Gostava de o ouvir contar a história, dando-lhe vida, recuperando-a dos livros de estudo, fazendo-a ganhar sentido e trazendo-a para justificar muitos presentes. Lembro os diálogos que ele dramatizava, com expressão própria, fazendo falar as rainhas mortas há séculos.
Agora, o meu país ficou ainda mais pobre. Porque a única riqueza que tem Portugal, hoje, são mesmo os homens de bem, os sabedores, os que sabem que ser sábio é uma construção diária e não um estatudo usurpado...
Senhor professor, obrigada por ter sido português!