domingo, 7 de julho de 2013

Pazes Envenenadas

Os dirigentes dos dois países do governo, qual meninos indisciplinados e teimosos, fizeram as pazes. Fizeram-nas com um aperto de mão para as câmaras, com mil insultos mordidos entre dentes um para o outro, de certeza. Foi uma semana de o meu partido é melhor do que o teu, como se tivessem sete anos e garantissem o meu pai é mais forte do que o teu... Foi uma semana de loucura! Andamos quase todos, houve quem nem quisesse saber porque a desilusão grassa, pendurados das notícias e do cai que não cai do governo para, no fim, o dr. Paulo Portas vencer (aparentemente) o braço de ferro e ganhar mais força. Pires de Lima será ministro da economia (dizem) e eu acredito que será capaz de fazer um bom trabalho. Pessoalmente, acredito muito mais nos boys do CDS do que nos do PSD e, por isso, ainda tenho alguma esperança que estes miúdos, na sua maioria palermas, que formam o governo de Portugal, consigam fazer alguma coisa melhor do que o péssimo trabalho que têm mostrado.
Na próxima semana, se calhar, vem nova crise. Talvez o dr. Nuno Crato se demita quando saírem os resultados dos exames que, temo, serão muito maus....

sábado, 6 de julho de 2013

ACASOS

Encontraram-se numa festa de amigos de amigos comuns, os dois um pouco perdidos, nenhum directamente convidado. Ela vinha de um divórcio longínquo, dois filhos crescidos com pouco tempo para a sua solidão. Aceitara os argumentos de uma amiga, era uma festa de Verão, ia imensa gente, não iria com certeza aborrecer-se. Ela cedera. Ele viera com outra amiga, para ocupar o tempo de estadia pois vivia no ar, comandante da TAP, com longos períodos fora do país. Carregava dois divórcios na bagagem mas, talvez por ter malas Sansonite com rodinhas, não lhes sentira nunca o peso. À volta da piscina, iluminada por modernos archotes plastificados, os dois acharam-se sozinhos e a conversa fluiu. Ele falou do ar, da vida feita de idas e vindas, de aeroportos e hotéis. Ela, jurista, falou do país, da crise, das dificuldades.
Ele propôs uma fuga, a festa nada lhes dizia, e acabaram a noite comendo ostras junto ao mar. Com as férias judiciais a começarem, ela aceitou o convite para uma viagem a dois. Eram adultos, que tinha o mundo a ver com a vida que escolhiam?
Juntos viajaram por Bruxelas, Bruges, Praga. Ao lado corria o Tempo, sempre apressado, mas eles nem davam por isso. Passou o Verão, voltou a rotina, e ela habituou-se às despedidas no aeroporto, aos sms de chego às 23,50h, sempre apressados. Foi aos poucos que a nova solidão dela começou a doer demais. Ela precisava dele, ele garantia amá-la. Casaram. Continuaram viajando, devorando a vida, devorando-se também, aproveitando momentos, agora já falando de amor, de  entrega, de cumplicidade, de unidade, de futuro.
Um dia, a amiga que a arrastara para a festa à volta da piscina, telefonou. Acabava de chegar de Sidney, uma Conferência, e, por acaso, encontrara-o a ele, ao marido da sua amiga, saindo do hotel com outra mulher. Uma americana, parecera-lhe. Tinham-se cumprimentado e a mulher, desembaraçada, falara dele como seu marido. Ele, atrapalhado, confirmara assumindo a traição, por acaso a bigamia.
Ela desligou o telefone agora sem mundo. Doía-lhe a raiva, a revolta, o orgulho. Feriam-na as pontas de um amor feito, de repente, em cacos. Fez a mala e partiu. O sms habitual de chego às 23,40h não obteve resposta. Ao chegar a casa, ele viu que a fechadura, por acaso, tinha sido mudada.
Ela reencontrou a companhia da solidão, essa não trai, e reaprendeu a tomar café bem cedo, olhando o mar, na esplanada onde habitualmente, por acaso, davam as mãos.


 
Ele, felizmente, por acaso, ainda conservava a mala Sansonite onde mais uma traição, mais um divórcio, mais um fim, não fariam peso nenhum.


 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O MEXILHÃO

Perguntaram-me, num tom provocatório e, ainda assim, simpático, o que aconteceu à minha veia política, insinuando que estou calada porque, desta vez, o "culpado" é o "meu" CDS. Ri-me, garanti - o que é verdade! - que já não acredito nos políticos que, no mundo, agora pretendem liderar, mas fiquei a moer na provocação.
Que me desculpem os meus amigos do PS, e tenho muitos, mas penso que, neste momento, eleições antecipadas seria a maior das asneiras. Isto, garanto, tentando ignorar o facto de que eu não acredito no socialismo, acho ridículo o Tó Zé, e não sou capaz de concordar com os princípios que o PS enuncia. Continuo, desculpem!, a acreditar que o caminho se faz apoiando as pessoas individualmente, apostando na liberdade de cada um, na diferença que caracteriza a Humanidade, valorizando a iniciativa privada, preservando Valores, com um Estado não castrador nem explorador do trabalhador. Posto isto, e olhando a crise, cabe esclarecer que, com alguma mágoa, já não sou militante do CDS porque o dr. Paulo Portas se zangou também comigo. (Sorte a minha, talvez...)
Conheço razoavelmente bem o presidente do PP e continuo a vê-lo como um homem inteligente, culto, educado e de princípios. Como um enorme egocentrista, também... Não dá ponto sem nó, sabe o que faz!
A crise, mais uma, que agora vivemos, pode ser uma mola para a mudança. Creio que Portas não conseguia mais impôr o seu/do CDS pensamento e, desta forma, mostrou a Passos Coelho que o caminho que insiste percorrer não nos levará a bom porto. À distância, sabendo apenas o que a Comunicação Social e os comentadores vão dizendo, penso que chocaram duas personalidades fortes e que, porque estes dirigentes são escandalosamente jovens, resolveram fazer birra.
De longe, vivendo uma desilusão intensa e dolorosa, sob um calor horrível e desmoralizador (também o clima!), penso que, como dizem os pescadores (ah! como eu queria estar agora junto ao mar!) quando a água bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão... Portugal, país de mar, faz-se de mexilhões que, com tanta pancada violenta, até já as cascas têm partidas! Um dia o naufrágio será definitivo.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

METAS SEM GLÓRIA

Habituada a desafios e ordens por vezes bizarras, não estranhei que me mandassem ir para a velha Faculdade de Letras (onde até fui feliz!) para frequentar uma acção de formação sobre Metas Curriculares para o Ensino Básico - Português. As expectativas não eram muitas, confesso, e a ideia de sair de casa às seis da manhã, num dia de calor , não ajudava... Mas gosto sempre de novidades, ainda que relativas..., e não tendo ainda percebido muito bem a pertinência das mesmas, lá despachei de véspera a entrega dos exames de 12º para me fazer ao caminho. Cheguei a horas, como sempre acho que deve acontecer, procurei a sala 10.14, e sentei-me à espera de um dia de pensares. se as minhas expectativas eram poucas, a desilusão foi enorme! Logo de início, e contrariamente ao razoável, a formadora anunciou que tinha 40 diapositivos, que mais não eram do que documentos em PDF, para apresentar. Fê-lo. Perante uma assistência descrente, passiva, e cada vez mais desinteressada, lá fez a sua apresentação. Fiquei a saber que adora Jorge de Sena. Depois do café, um pouco mais retemperada, voltei à sala. Mudara a formadora, aumentara o calor, o suor escorria-me pelas costas, o ecrã  não se lia porque o sol incidia nele, mas o discurso animou-se um pouco. A formadora, professora também, parecia mais próxima da realidade, mais viva e mais dinâmica. Acho (?) que abordou a leitura (já nem me lembro bem, tal foi o impacto...), e, sem tempo para a prática, acelerou até às 13,30h. Almocei com colegas, conversas com sentido, partilha de angústias temperadas com bacalhau à minhota muito saboroso.
A tarde iniciou-se com uma outra formadora e com uma lição de gramática para os meninos do 3º ciclo... Aprendi que o sujeito e o agente não são obrigatoriamente coincidentes, que os pronomes pessoais mudam de posição de acordo com o tipo de frase, coisas que a formadora entendeu que nós, professores de português há 30 anos!, desconhecíamos  Um muro de pedra cresceu entre mim e a sessão! O cansaço deu as mãos ao desespero.
Não resisti até ao final e às 17,00h vim embora. Vim desiludida, frustrada, sentindo-me gozada! 
Alguém está a gozar comigo, com o meu tempo, com os professores, com o ensino! O que são, afinal, as Metas Curriculares? Uma síntese do programa, com mínimos mesmo mínimos, para que as criancinhas sejam preparadas para os exames. A grande Meta da Educação mudou de facto e já não é desenvolver competências, formar pessoas. É, apenas, treinar para exames! Brilhante país o meu!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Um Dia...

Ainda não tenho aquelas mãos cansadas
Um dia virei a ter
Ainda não tenho as veias azuis à mostra
Um dia virei a ter
Ainda não tenho a cabeça branca
Um dia virei a ter
Ainda não esqueci que te amo
Um dia virei a esquecer
A olhar para ti
Sem te reconhecer
Um dia tu e eu
Havemos de envelhecer
E morrer.
 Helena Sacadura Cabral


E, depois, de nada terá servido tanta mágoa, 
tanto adiamento, tanto talvez.
E, depois, o passado será nada
o futuro inexistente.
Um dia...

Maria Luísa Moreira

terça-feira, 2 de julho de 2013

Amanhecer

A noite está prestes a parir um novo dia. Vai ser escaldante, espera-me uma viagem e muito trabalho. Saio da cama desperta por pensamentos que incomodam. Ou que me provocam, talvez. E escrevo antes do despertador tocar, antes de partir...
Muitas vezes penso que as pessoas, todas ou quase, só amam como sabem e não como nós desejamos. Talvez por isso, as desilusões são frequentes e os divórcios sucedem-se. 
Talvez cada um procure no outro um pouco de si mesmo, incapaz de aceitar e amar a diferença alheia, qual vara solitária num areal de emoções. Talvez. Quando sei de mais um fracasso amoroso, ou de mais um casamento desfeito, penso sempre que as pessoas não devem ficar agarradas a memórias, a destroços, debruçadas sobre passados  que, por serem mesmo passado, não poderão ser recuperados. Claro que um divórcio, que na maioria dos casos acontece por "lapsos" dos dois, é doloroso e triste. Deixa um sabor  a sangue moído que demora a passar. Isto compreende-se. O que já me custa um pouco a compreender, é que as pessoas, homens e mulheres, alimentem esta dor, prolonguem o luto da relação, em vez de olharem o amanhã e tentarem de novo. Às vezes, fica-se para sempre zangado com a vida, azedo e deprimido, e isso não leva a nada! 
Frequentemente digo aos meus alunos que crescer dói. Agora, deu-me para pensar que devo acrescentar que é preciso viver aprendendo a não sofrer. Afastar as pessoas que sabem tudo, que nos condenam sempre, e procurar um caminho onde haja lugar para se reinventar a cada amanhecer uma nova existência!
Se o amor existe, e eu SEI que existe, ele deve acontecer sem culpas nem reservas, com duas identidades e não com sobreposição de existências. Como no sexo, que só vale a pena se for bom para os dois!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Estranho

Estranho a euforia da Croácia por entrar na União Europeia. Creio que é um projecto falhado, nascido de um sonho, transformado num pesadelo, e faz-me confusão que ainda haja quem acredite que pode encontrar segurança, e apoio, num grupo desequilibrado, feito de injustiças, liderado por tecnocratas e vazio de sentido! Esta União Europeia falhou. 


A velha Europa de cultura e ideais, o espaço de Flaubert, Camus, Sartre, Beauvoir, Pessoa, etc, faliu. Porque perdeu os valores, porque, ignorando uma afirmação de Garrett, em 1840!, não compreendeu que a coerência política é de princípios, não de pessoas. Vi, e ouvi, o presidente da Croácia a tocar piano com vigor, assinalando a adesão à UE e fiquei estupefacta. Ou se vive mesmo em desespero total naquele país, ou desconhecem a realidade... A Europa dos 28 é uma barafunda sem rumo, um futuro sem sucesso (acho eu). Compreendo que é difícil (impossível talvez), sair desta falsa União Europeia, mas não consigo compreender como há quem ainda se queira juntar a um naufrágio de onde só mesmo os ratos, ratos de rabo longo e bigodes MUITO lambuzados, se poderão salvar...