sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

OBRIGATÓRIO

Obrigatório, verdadeiro, sentido e emocionado o meu post de homenagem a Nelson Mandela. Morreu um político, um estadista, um democrata, um leader. Morreu, sobretudo, um homem BOM, e os homens bons escasseiam!
Admiro Nelson Mandela pela coragem, pela força, pela resistência, pela fé nos homens, pela energia alegre que sempre imprimiu à sua luta. Lutou pela igualdade, pela fraternidade, pela Liberdade verdadeira, pelos direitos humanos que a ele próprio viu negados. O mundo ficou mais pobre, a compreensão entre os homens ficou mais difícil...
Nelson Mandela vai fazer falta a um mundo cada vez mais louco! Não o esqueçamos!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

MUITO À FRENTE

Alguém me dizia, muito a sério, que este país, o meu, é "muito à frente". Tudo é informatizado, computorizado, enfiado em excel colorido, grelhado em grelhas e gráficos, estatísticas e referentes ou indicadores. É tão à frente, que um velho agricultor que tem azeitonas que cabem nas traseiras de uma carrinha de caixa aberta, tem de ir ao portal das Finanças, imprimir uma guia e fazer-se acompanhar por ela até ao lagar. Ora, como os portugueses não são tão à frente como o governo, o velho agricultor, que nem computador tem, desiste de levar as azeitonas ao lagar...
É bom viver num país assim, muito à frente! Tão à frente que nem se lembra de olhar para quem vem atrás...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O Furto

Quando abriu a carteira não queria acreditar. NADA! Do seu porta moedas recém comprado, das fotografias de momentos irrepetíveis, de cartões de débito e crédito, nem vestígios. Apenas um enorme vazio. Um doloroso e agressivo vazio. Sentiu calor, frio, fúria, raiva, desespero, desalento. Como fora possível? Quando acontecera? De repente, reviu o passado recente, a correria para o comboio, os encontrões, um olhar mais fixo. Desesperada correu as carruagens, chorando, em busca do tal olhar. Nada! 
À sua volta reinava a indiferença. Afinal, todos os dias, a todas as horas, há furtos no comboio... Sentia-se impotente, magoada e revoltada. Procurou funcionários que a receberam com indiferença ineficaz. Está sempre a acontecer, não há nada a fazer. 
Mal chegou ao destino, foi apresentar queixa e, depois de longos e incómodos minutos, soube que nada seria feito. A queixa seguiria para o DIAP e seria arquivada, disseram-lhe. Pagou treze euros. Treze euros por ter declarado que fora roubada, treze euros para ter um documento que, no fundo, atestasse a violência crescente num país que era o seu, treze euros para, com o dito papel, poder voltar a pedir o seu cartão de cidadão. Cartão esse que, se pudesse, não quereria. Quem quer, livre e conscientemente, ter um cartão que certifique que é um membro de um país onde a violência cresce, a impunidade vigora e a indiferença vinga?! Para a consolar, apenas a ideia de  que só faltavam dois dias para partir. Dois dias para voltar ao país onde, sendo estrangeira, se sentia, de facto, cidadã...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

PRESÉPIOS



Estão já por aí, nas montras, nas casas, nas escolas, feitos nos suportes mais originais, os enfeites de Natal. À entrada do meu trabalho, por exemplo, há uma enorme árvore de Natal, feita com caixas de ovos de cartão, que, na sua originalidade, me anima o dia. Por baixo, está o Presépio. As figuras são feias, os rostos achatados, mãos ausentes, vestes amachucadas e a Nossa Senhora tem as maminhas exageradas. Mas, ainda assim, eu gosto de entrar no serviço com o coração aquecido por esta Presença. A minha fé está tremelicante, a minha dor é funda, mas o Presépio, seja ele qual for, ainda me enternece!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

VIOLÊNCIA

Sou claramente contra qualquer forma de violência. Acho que sempre revela cobardia, estupidez e mesquinhez. Não falo, claro, da palmada educativa que se dá ao cão que insiste em roubar comida da bancada, mas da violência entre seres humanos.
A violência entre casais, ou pelo menos entre homens e mulheres, tem aumentado em Portugal e isso apavora-me. Há homens que atiram a matar sobre as companheiras, há namoradas ciumentas que lançam ácido sobre os companheiros, há mães espancadas até em frente dos filhos. Olho tudo isto e arrepio-me. São, infelizmente, casos menos excepção do que deveriam ser...
E penso, também, na outra violência, a verbal, capaz de levar uma pessoa à loucura, à depressão, ao suicídio. A violência que, muitas vezes, se exerce sobre o outro, homem ou mulher, com a crítica constante, o desprezo, a humilhação. Falo no caso das pessoas que sofrem, quantas vezes caladas, as certezas alheias, os julgamentos arbitrários, as parangonas carregadas de moralidade oca.
Como católica, acredito que ninguém pode condenar ninguém. Acredito que a Palavra deve ser o primeiro poder e, confesso, tenho total desprezo pelas certezas que alguns têm a sorte de possuir. Tenho, também, profundo desrespeito pelas pessoas que (julgam) saber tudo e, por isso, condenam qual juiz supremo! Aprendi que o Amor é o primeiro dos mandamentos e, por isso também, não compreendo quando me dizem que o amor se faz de julgamentos e violentas condenações.
Agora, que é quase Natal, olho à minha volta e tenho vontade de fugir. Fugir para um lugar onde não exista significado para violência (seja ela de que tipo for). Fugir para um lugar onde o abraço exista inteiro, onde a compreensão se faça de ouvir, onde a ternura não traga no bolso a punição constante. Sonhos...

domingo, 1 de dezembro de 2013

Quase - Quase

Em 1640 os portugueses disseram basta. Uniram-se, combateram e venceram. Em 1640 foi possível pôr fim a um regime de opressão, de imposições arbitrárias, de força e agressão. 
Hoje, 1 de Dezembro de 2013, a situação quase se repete: - Vivemos sob opressão, injustiça, arbitrariedades, medo e agressões. Só falta a força que fez, em 1640, a diferença...

DEZEMBRO

Chegou o mês de Dezembro. Já não se lembra a independência, já nem se fala em D. João IV. Esquece-se o Portugal de ontem, com referências e sonhos, com lutas e liberdade.  Agora, o tempo é de preparar o Natal, de acreditar que, para lá do horizonte, no limite onde o fim se anuncia, pode haver uma linha que, mesmo ténue, pode trazer esperança. Quero acreditar! Quero ter força para continuar sonhando, lutando, aproveitando as brechas mínimas da realidade para sorrir ainda. Na vida quero descobrir o que está para lá da linha. Quero! E sei que preciso de ajuda para o fazer. Preciso, e como..., que a compreensão dê as mãos à ternura e ao amor. Preciso que o amanhã não chegue recuando, preso a um passado que já foi e não quero mais...