Tenho muito respeito pela Política. De verdade, e convictamente, considero que a política é a sustentação da vida em sociedade e que, por isso, não devia ser confundida com partidos, reduzida a conflitos politico-partidários. Muito jovem iniciei actividade política.
Quis, e quero ainda, um mundo melhor, um país mais justo, mais sério e mais digno. Ao longo dos tempos participei activamente na vida política. Integrei a Assembleia Municipal, fui candidata à CMP, à Assembleia da República, participei em Comícios e diferentes Fóruns. Tenho militância partidária. Consciente e consistente.
Ao longo do tempo, também, fui sofrendo desilusões. Perseguições individuais, má-língua, afastamento. E fui ficando cada vez mais calada, atenta sempre, escrevendo e dizendo o que penso de forma (relativamente) livre.
Nesta Campanha Eleitoral fiquei à margem. Fiquei olhando, observando. E não gostei NADA do que observei.
Não concordo com o ruído que fez Campanha, com os ataques pessoais, com o vazio de ideologia. A dada altura, a meio da Campanha, já ouvia distribuir cargos, pastas, tachos. Foi para isto que se fez a Revolução de Abril? Para abrir espaço a umbigos e vaidades? Não me parece...
Ontem, morreu o Prof Freitas do Amaral. Desapareceram já os principais construtores da Democracia em Portugal (Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa, Francisco Sá Carneiro, Mário Soares, Álvaro Cunhal), e eu temo que, com eles, tenha morrido a essência da Democracia. No domingo irei votar. Como sempre fiz, na ideologia que defendo, sem voto útil, consciente de que, por enquanto, o voto é a única forma de podermos manifestar uma opinião. Uma desilusão também.