quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Escola do Futuro??

 "Às vezes, oiço passar o vento..." Alberto Caeiro

Às vezes, oiço falar de escola do Futuro, Luísa Moreira. E, tal como vento passa, já passou, continuará a passar sem nada dizer, também esta frase gasta pouco ou nada me diz. O que eu quero mesmo, o que eu gostava de ajudar a fazer, é mesmo uma Escola do Presente. 

Uma Escola onde seja possível inovar, criar, ser diferente. Uma Escola onde os alunos possam, por exemplo, consultar o dicionário no telemóvel, sem ter de requisitar um dicionário na Biblioteca. Uma Escola onde se pudesse conversar e ouvir música. 

A Escola que eu quero, quero-a Hoje. É a Escola urgente.

O Futuro é, sempre, um tempo que corre à nossa frente e onde, de certeza, nunca chegaremos. 

Assim,  Escola do Futuro será, sempre, a do passado, se a não fizermos no presente.

Associação de Estudantes

 Na Escola onde trabalho, provavelmente noutras também, estão a decorrer eleições para a Associação de Estudantes. Vibro com estes dias. Enche-me de esperança ver como os jovens, quando motivados, se movimentam e concretizam sonhos. 

Este ano, há duas listas: a E, Elefante; a F, Fox. Eu, triste porque não posso votar, torço pela lista E. Tem projectos, tem alunos com sucesso escolar, tem olhares irreverentes que me encantam. 

Como professora, defendo que a Escola devia envolver-se activamente nestas acções. A aprendizagem da cidadania efectiva é assim que acontece! Por isso, não deveriam os adultos alhear-se deste processo. Também penso, e sei que é uma opinião polémica, que alunos com insucesso declarado, jovens de 20 anos, não deviam poder ser candidatos. Assim como, na política adulta, os vigaristas e criminosos não deveriam poder ser eleitos também...

domingo, 16 de outubro de 2022

DE VOLTA

Podem esquecer-se os amigos? Diria, imediatamente, que não. Mas eu tenho desleixado o meu blog e este espaço tem sido, sem dúvida, um bom amigo. Um pouco como os peixes que Vieira elogia, também ele me ouve e não fala. Desleixei-o porque o tempo não estica, porque, se calhar, baralhei as prioridades, porque me esqueci como é importante ter tempo para ser comigo. E estou arrependida. O meu blog, este espaço de escrita, tem-me feito muita falta... 

Atravesso, mais uma vez, um terrível período na vida, e estes momentos, quando os meus dedos dançam sobre as teclas sem procurar sentidos correctos, fazem-me falta. 

Se nunca abrirmos uma garrafa de vinho, por mais prometedor que seja o rótulo, nunca saberemos da qualidade do mesmo. E apetece-me tirar a rolha da garrafa, embora saiba que o rótulo não é prometedor.

Estou de volta. Prometo não voltar a abandonar este amigo!

quarta-feira, 9 de março de 2022

A GUERRA

Não tem um tempo, a guerra. É de sempre, e sempre assenta na injustiça, na violência, no sofrimento, no sangue, na morte. Acontece por pequenos motivos, por grandes também, mas sempre tendo na raiz a sede de poder e de domínio.

Parecia impossível, a mim pelo menos, que a guerra voltasse à Europa, mas um louco, Putin, conseguiu instalar de novo o horror. Tenho medo. 

Medo do que ainda está para vir, medo da incapacidade da Europa democrática dar resposta  aos milhares de desalojados. Este tempo é também, acredito, um desafio a cada um de nós. Já não é suficiente falar de solidariedade, de justiça, de apoio ao próximo. Agora, urge agir. É preciso acolher desconhecidos nas nossas casas, é preciso partilhar o pouco que temos, é preciso mostrar que somos o que dizemos, que não nos fazemos de palavras sonoras, mas ocas.

Tenho muito medo!


domingo, 20 de fevereiro de 2022

INGLATERRA

 Já há dois anos que não ía a Inglaterra. Tinha saudades de viajar, de respirar outros ares e ouvir outras realidades e, finalmente, embora muito lentamente, a vida vai retomando a normalidade. Cheguei a Inglaterra com muito frio, apanhei uma tempestade Eunice, mas, ainda assim, lavei a alma e carreguei baterias.

Em conversa com o meu neto, 12 anos e muita curiosidade e gosto de aprender, confrontei-me com a Escola que defendo. O Manuel Bernardo tem muitas disciplinas, inglês, francês, espanhol, ciência, geografia, história, matemática, moral, cidadania, educação física. biologia. Achei que era disciplinas a mais e, por isso, perguntei como era possível entrar às 8,30 e sair sempre às 14,45h. Explicou-me, com segurança, que trabalha muitas vezes diferentes áreas, em projectos, com diferentes professores. Falou-me da avaliação. Não há classificação, mas estão sempre a ser testados e têm como resposta a forma de melhorarem, e se estão aquém do desejado, no desejado ou se superaram os objectivos em diferentes domínios. De facto, esta é a avaliação pedagógica que faz sentido, colocada ao serviço das aprendizagens e do sucesso.

O meu neto tem sorte, penso eu. Mas todas as crianças podiam ter a mesma sorte. Não implica dinheiro, a legislação portuguesa permite, há propostas e orientações para se fazer assim. Porque não se faz? Porque há direcções com medo da mudança. Porque há, ainda, professores que defendem que o modelo tradicional de ensino é fantástico porque, graças a ele, o homem foi à lua.

Volto para Portugal sem vontade de lutar mais. Chega. Agora, só quero a reforma para poder, mais vezes, voar para lugares com sentido. 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

NÃO VIDA

 A culpa é do Tempo. Sempre acelerado, não deixa espaço para essências e vai-se enchendo de existências excessivamente ocas. Surpreendo-me por não conseguir vir aqui, a esta minha janela, porque constato que, afinal, não tenho Tempo para mim. 

Se me perguntarem se faço coisas muito significativas, terei, honestamente, que responder que não. Corro da Escola para a Santa Casa, tento resolver problemas, brinco à pressa com os cães, leio para temperar a alma, e no fim, bem espremido tudo, não há sumo. 

Estarei a desistir de viver? Penso nisto e, sinceramente, fico preocupada. Porque eu defendo que é preciso  construir sentidos se, de facto, queremos viver...

sábado, 1 de janeiro de 2022

2022

 365 dias inteirinhos, cada um com 24 horas, mas podermos viver, ser Pessoa, sonhar, lutar, chorar, mimar, acreditar, rir. Uma quantidade fantástica de verbos para conjugarmos como formos capazes, como conseguirmos, dentro das circunstâncias de cada momento. Tenho muitos sonhos. Não exclusivos para 20222, a maioria já transita de anos passados, mas são sonhos. São dias a haver.

Para já, com urgência, quero voltar a poder viajar sem zaragatoas nem máscaras, gozando a liberdade que devia ser minha.  

Mas quero mais. Quero aposentar-me. Quero sair de uma Escola onde sou diariamente infeliz, esmagada pela rotina medíocre de que não ousa sonhar. Sempre disse que só me queria aposentar aos 70 anos, mas agora, porque as circunstâncias se alteraram, desejo a reforma com urgência. Porque a escola que defendo não se faz se proibições e papeis, de grelhas e fichas. Porque cada aluno é, para mim, uma Pessoa que merece o melhor e a quem, acredito, não podemos roubar o agora.

2022. Que narrativas iremos escrever, neste ano novinho em folha?