quarta-feira, 8 de março de 2017

DIA DA MULHER

É hoje o dia da Mulher. Sim, devia ser todos os dias. 
E o dos homens, também! Devia ser a cada dia, a cada hora, Tempo das Pessoas. Das dos afectos, das dos saberes, das das cumplicidades efectivas. Devia ser sempre tempo de homenagear todos, de sorrirmos, de brincarmos e ofereceremos flores. Mas, como isso não é possível, é bom que haja no calendário o Dia da Mulher. 
Não por causa das rosas vermelhas, ou dos jantares no feminino (nunca fui, não sei como é), ou sequer pelos cumprimentos mas, sobretudo, porque faz sempre sentido, pelo menos para mim,lembrar a luta que, desde há séculos, talvez desde sempre, a mulher vem travando para provar a sua identidade.
Eu gosto de ser Mulher. Gosto de usar vestidos e saias, gosto não ter pelos, gosto de poder carregar um filho dentro de mim. Mas, sobretudo, eu gosto de ser pessoa no feminino e, para não tornar o meu texto circular, vou mesmo acabar por aqui sem frisar que o importante mesmo é, sendo homem ou mulher, ser-se Pessoa!

terça-feira, 7 de março de 2017

Perfil do Aluno

Está em discussão a proposta de perfil do aluno, apresentada pelo Ministério da Educação. Estranhamente, nas escolas pouco (ou nada) se ouve dizer. 
Parece-me, sem dúvida, uma proposta necessária, urgente e pertinente. O Mundo mudou, o telefone mudou, o automóvel mudou, a forma de cozinhar mudou e a Escola, por absurdo, parece insistir em não mudar! O aluno de hoje não é nem parecido com o aluno que tínhamos há 10 anos. DEZ anos, não cem! Mas a Escola insiste em pouco fazer e, hipocritamente, parece surpreender-se com o insucesso crescente e com a agressividade latente.
O perfil do aluno vem dar forma de letra a um novo paradigma, vem sugerir (impôr) uma nova forma de ensinar, uma nova forma de olhar a Escola e, sobretudo, muitas novas formas de dinamizar a sala de aula. São enormes os desafios que se colocam aos professores e, por isso mesmo, não consigo compreender tanta indiferença, ou resistência?, por parte de grande parte do corpo docente.
Pessoalmente, agrada-me o que li sobre o novo perfil do aluno. Acredito que é possível transformar a Escola num espaço com sentido e, decididamente, defendo que a Escola é um lugar vocacionado para o sucesso, e não para o insucesso e exclusão. Talvez a minha jornada seja solitária, mas vou continuar a fazê-la...

domingo, 5 de março de 2017

Reles

À hora do almoço, o telejornal abriu com a notícia da reeleição de Bruno de Carvalho. Foram dez minutos dedicados ao futebol, foi o discurso de presidente que, com voz rouca, garantia seguir as pisadas do tio avô, o ex-ministro Pinheiro de Azevedo, anunciando, e cito "Badamerda para todos os que não são do Sporting"!. Nem pestanejei. Nem me indignei porque, afinal, a gente acostuma-se a tudo... É elucidativo, contudo, a escolha do vocabulário. 
Eu não sou do Sporting, nem sequer é o Sporting que está em causa. O que está em causa é a pouca (ou nenhuma) educação, ou  competência cívica. O que o presidente do Sporting disse, infelizmente, qualquer outro dirigente, desportivo ou não, poderia dizer... Talvez seja moderno, e eu esteja velha. Mas ninguém me convence que modernidade seja sinónimo de mediocridade!

sábado, 4 de março de 2017

TEMPO

Há muito tempo já que não venho ao meu blog. A vida, ou o que eu tenho feito dela, ocupa-me o tempo, distrai-me, afinal, do que me dá prazer: a escrita. Pensei deixar morrer o portugalagoia - afinal, que falta faz? -mas, agora, mudei de ideias. Preciso da escrita! Preciso da liberdade que alinhar letras me dá e, se bem que um texto só existe se for lido, alivia-me produzi-lo, dar-lhe forma. De alguma forma, estranha talvez, a escrita liberta-me de algumas angústias, tal como falar me ajuda a ser mais pessoa.
Volto, então, ao meu blog. Imagino que ele está ressentido, afinal continuei sempre escrevendo no facebook..., e peço perdão pela pequena traição. O blog é mais pessoal, mais íntimo, do que o face. Tem menos visibilidade e, talvez também por isso, permite textos mais longos, mais pessoais também.
Volto ao meu blog, como tantas outras vezes, por causa da educação, por causa da escola... Acredito, convictamente, que é possível transformar a Escola num espaço de sucesso, sem retenção, capaz de responder individualmente a cada aluno. Não acho, sequer, que seja uma tarefa hercúlea! Basta que os professores, a maioria, acredite nesta possibilidade e compreenda que, afinal, hoje formam-se os adultos de 2020 e ... Ou seja, não podemos (não devemos) continuar a formar para o passado, para um modelo social que, sem dúvida findou há pelo menos 20 anos!
É sábado. Trabalhei a manhã inteira. Tenho para fazer um trabalho de Seminário e, em vez de estar a cumprir obrigações, dou-me ao luxo de partilhar reflexões. A Escola também devia ser isto: - Um leque de possibilidades, um conciliar de diferenças!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

SAUDADES

Tenho muitas saudades dos meus netos. O mais crescido, o MB, faz amanhã sete anos e eu estou longe. Tenho saudades da pele deles, das conversas cheias de magia, da confiança deles em cada amanhã. Tenho saudades da mesa cheia de conversas cruzadas, da falta de sentido nalgumas respostas, dos pedidos para que faça aquele tal prato especial... Há sete anos, em Cambridge, fiz-me avó. Estava muito frio, nevou bastante, mas aquela criatura minúscula, no seu 1,900kg, aquecia-me o coração. Depois, o tempo foi passando, ele cresceu e, hoje, é um rapazinho curioso e bem disposto.
Agora, na noite fria, com a braseira ligada e o meu Zorba sobre os pés, lembro esse dia e as saudades doem com força demais...
Talvez eu tenha desrespeitado o destino; talvez tenha errado demais. Talvez eu devesse apenas estar feliz porque os meus netos são saudáveis e felizes. Mas, para além da razão, há esta emoção feita de memórias que, agora, dói e me rasga por dentro. 
Ah, se eu pudesse...

terça-feira, 15 de novembro de 2016

INDIGNAÇÃO

Na sala de professores de uma escola que conheço, afixado em lugar de destaque por um professor - por um professor! - está um slogan que diz: "Para que os aldrabões não vos possam manipular. filosofia devem estudar!"Olhei aquilo, lixo puro, e experimentei fundo a dor da revolta indignada. 
Defendo que a escola, e os professores, devem ser referências de qualidade e de dignidade. Defendo, convictamente, que a escola deve transmitir Valores, educar para a qualidade e para o respeito e, por isso, lamento, e incomoda-me, que haja professores que privilegiam o reles, a vulgaridade, o lixo.
Sempre defendi, e defendo cada vez mais, que as pessoas devem ser livres, autónomas e responsáveis mas, quando falta a noção de responsabilidade e  de respeito, devia ser possível interferir e agir. 
Sou grande defensora dos professoras. Sinceramente, acho sempre que é por os professores serem muito bons que o sistema ainda não ruíu e, penso, casos destes só servem para humilhar e denegrir a imagem de uma classe. Às vezes, tenho muita pena de ser professora neste país...

sábado, 12 de novembro de 2016

A História

Tia, conte-me uma história. Com meninas ou com animais? Com cavalos. Mas com meninas também, Meninas felizes? Claro, tia! E cavalos negros? Não, tia, amarelos. Ora bem, era uma vez uma menina que morava numa quinta com os avós. E os pais dela tia? Tinham ido fazer uma viagem. E porque não a levaram? Porque ela não podia faltar à escola. E os pais podiam faltar ao trabalho deles? Podiam, porque eram crescidos e tinham férias. E não podiam ter férias ao mesmo tempo da escola? Não, não lhes dava jeito. Mas porquê tia? Porque, às vezes, a vida dos adultos é muito complicada. Mas não querias a história do cavalo? Sim, mas com a menina a viver com os pais. Eles não tinham ido para férias sim? Está bem, Francisca. Era uma vez, então, uma menina que morava numa quinta com os pais. A menina gostava muito de montar a cavalo mas, um dia, o pai comprou um cavalo todo preto - todinho mesmo! - e disse à menina que aquele cavalo não podia ser montado. Se não podia ser montado, para que é que o Pai da menina o comprou, tia? Porque era muito bonito, e ele ia domá-lo. Ah... e depois? Depois, a menina resolveu ir ver o cavalo, desobedeceu... Não tia, não desobedeceu, o Pai só tinha dito que ela não podia montar. Pois, tens razão...
Uma hora depois, o cavalo voava e a Francisca dormia embalada na segurança desarmante da lógica infantil...