Sempre me surpreendem, os meus alunos. Jovens com força, com querer e com CRER num futuro diferente e melhor. Foi assim hoje com o entusiasmo da Ana, com o humor inteligente do Miguel, com o sorriso tímido da Filipa, com o olhar curioso do Manel, com muitos olhos e ouvidos atentos às palavras do senhor deputado que nos visitou. Estes miúdos, as minhas crianças como gosto de dizer, mostraram que, às vezes, a Escola faz sentido. Disseram de vivências, teceram críticas, calaram, estou certa, as vozes que os intitulam de geração rasca. Se a Escola fosse sempre assim, feita de aprendizagens activas e participadas, não haveria Joões a defender o regresso à ditadura...
Hoje, numa sala fantástica da minha cidade, a Europa cresceu e fez sentido. Não fez sentido, para mim, a ausência de muitos professores, mas, como diz o povo sábio, as acções ficam com quem as pratica e quem não esteve não fez falta nenhuma. O que fez falta, e sentido, foi a competência dos meus alunos de quem tanto gosto!
Vale a pena ser professor quando as aprendizagens acontecem. Hoje, estou bem no meu papel de professora. Esqueci as enormidades do sistema, ignorei as decisões ocas da equipa do Ministério da Educação e senti que, pelos miúdos, vale a pena continuar a ser professora. Obrigada miúdos muito queridos!! Cresçam, mas, POR FAVOR!!, não deixem de ser quem são. Não percam a vossa essência, não deixem que a sociedade do nada vos formate.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
DIA DA EUROPA
9 de Maio, Dia da Europa. Actividades, discursos, apelos a votos, marketing de ideias ocas. Que Europa é esta? Esta que, como há cem anos "Jaz posta nos cotovelos", pendurada da História desprezada, fitando o ocidente com cobiça, vendo o fundo roto aos bolsos e sem hipótese de exterminar a pobreza? Que Europa é esta que bate no fundo, vê crescer a violência, vê morrer no mar os que a procuram, infelizes, escravos de sonhos prisioneiros, fugitivos de uma África explorada? Que Europa é esta que se faz de instituições pomposas, de reuniões e fotografias, de pessoas importantes que parecem viver planando sobre a realidade? Que Europa é esta que tem tantas, e tão diferentes, velocidades? Que Europa é esta que não convence sequer os seus habitantes da importãncia de participarem, de votarem, de opinarem?
Oiço falar em cidadania europeia, e encolho-me. O que é ser-se cidadão de uma realidade inexistente? Como se pode ser cidadão europeu se não se pode, sequer, ser cidadão de qualidade num qualquer estado-membro?
Não confio nesta Europa de mentira, feita de gente sem razão, movida pelos interesses materiais, indiferente face a Valores humanos realmente essenciais. O meu projecto europeu não compreende as injustiças sociais, a miséria, a violência sobre os jovens que vêem hipotecado o seu futuro. Esta Europa de hoje é, para mim, um projecto falhado.
Dia da Europa? Faz-me doer...
Oiço falar em cidadania europeia, e encolho-me. O que é ser-se cidadão de uma realidade inexistente? Como se pode ser cidadão europeu se não se pode, sequer, ser cidadão de qualidade num qualquer estado-membro?
Não confio nesta Europa de mentira, feita de gente sem razão, movida pelos interesses materiais, indiferente face a Valores humanos realmente essenciais. O meu projecto europeu não compreende as injustiças sociais, a miséria, a violência sobre os jovens que vêem hipotecado o seu futuro. Esta Europa de hoje é, para mim, um projecto falhado.
Dia da Europa? Faz-me doer...
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Convite para jantar
Ligou com urgência. Que sim, que queria mesmo vê-la. Que claro, que ia buscá-la. Longe? O que é isso para quem, de facto, dá valor às essências, aos momentos exclusivos, à qualidade e à ternura? E a mesa marcada. Ela a ceder. Uma consciente inconsciência, uma transgressão assumida. E o automóvel veloz, fresco, Diana Krall e Rodrigo Leão por companhia. Palavras sem lógica, tentativas inglórias de vestir de razão a irracionalidade da paixão intensa. Que bom estarmos na UE, não há fronteiras, já viste o tempo que poupamos? Ela a sorrir. Ah, se a Europa fosse assim fácil, emotiva, feita de força e união, de paixão e entrega... E ele a impedir o mundo, os outros, o real, de invadirem o sonho, intrusos da banalidade. Peixe no sal, vinho gelado, crema catalana, café horrível e a tarde, inteira no pôr do sol a chegar, para os inconfessáveis. Inenarráveis também. É bom quando o sonho diz presente!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
IGNORÂNCIA
Recebi, das Finanças, um documento onde se lê "Rendimentos Perdiais". Recebi, de uma técnica de secretariado, um mail que terminava enviando-me "comprimentos". No Jornal da minha cidade lê-se "ofertas para oferecer". Na ementa de um restaurante onde ontem almocei, há "garoupa cosida" (Vá lá, não era cherne...).
A minha vontade, logo face aos perdiais, foi responder que, uma vez que os rendimentos estavam perdidos, nada teria de pagar... Mas, depois, lembrando as outras situações, e porque são meros exemplos, achei melhor calar-me e conformar-me. Afinal, nada disto me deve surpreender. É, apenas, a consequência directa da estupidez e ignorância que reinam no meu país! Claro que eu, em vez de comprimentos, desejaria alturas para os saltos que se usam exagerados; gostaria que as ofertas o fossem em si mesmas; saborearia melhor uma garoupa cozida em água fervente do que cosida com linha de alinhavar e dormiria mais descansada se não tivesse de esbarrar com a ignorância chocante deste Portugal de péssima qualidade. Mas, na impossibilidade de ter o que gostaria, vou tomar um ou dois comprimidos Xanax e hei-de dormir na mesma...
A minha vontade, logo face aos perdiais, foi responder que, uma vez que os rendimentos estavam perdidos, nada teria de pagar... Mas, depois, lembrando as outras situações, e porque são meros exemplos, achei melhor calar-me e conformar-me. Afinal, nada disto me deve surpreender. É, apenas, a consequência directa da estupidez e ignorância que reinam no meu país! Claro que eu, em vez de comprimentos, desejaria alturas para os saltos que se usam exagerados; gostaria que as ofertas o fossem em si mesmas; saborearia melhor uma garoupa cozida em água fervente do que cosida com linha de alinhavar e dormiria mais descansada se não tivesse de esbarrar com a ignorância chocante deste Portugal de péssima qualidade. Mas, na impossibilidade de ter o que gostaria, vou tomar um ou dois comprimidos Xanax e hei-de dormir na mesma...
domingo, 3 de maio de 2009
DIA DA MÃE
O calendário assinala: - 1º Domingo de Maio, Dia da Mãe. As lojas de flores enchem-se, as promoções anunciam-se, as reservas para almoços e jantares esgotam restaurantes. É a homenagem às Mães. Justa, merecida, imprescindível. A não precisar de dia próprio, a dever acontecer todos os dias...
Lembro-me de fazer o presente de Dia da Mãe na escola. Com a total inaptidão para tarefas manuais que ainda hoje me caracteriza, produzia umas coisas horríveis, esborratadas e mal pintadas, que a minha Mãe punha na cómoda no quarto e agradecia com furor. Furor, para mim, incompreensível. Como era possível que ela gostasse daquelas enormidades horrorosas? Vá lá uma filha compreender uma Mãe...
Depois, mais tarde, esmerava-me nos textos que lhe escrevia. Fugia dos presentes comerciais, aproveitava o Dia para lhe falar do meu ser que, então, mais me confundia e baralhava.
Agora, eu Mãe também, apetecia-me poder oferecer-lhe tempo reciclado para voltar a usar. De modo a que o tempo, dela e meu, não se esgotasse nunca. Mas, feliz ou infelizmente (reviver chatices???), o tempo não é reciclável e, por isso, tenho de me conformar com as rugas incómodas e as memórias imensas.
Lembro-me de fazer o presente de Dia da Mãe na escola. Com a total inaptidão para tarefas manuais que ainda hoje me caracteriza, produzia umas coisas horríveis, esborratadas e mal pintadas, que a minha Mãe punha na cómoda no quarto e agradecia com furor. Furor, para mim, incompreensível. Como era possível que ela gostasse daquelas enormidades horrorosas? Vá lá uma filha compreender uma Mãe...
Depois, mais tarde, esmerava-me nos textos que lhe escrevia. Fugia dos presentes comerciais, aproveitava o Dia para lhe falar do meu ser que, então, mais me confundia e baralhava.
Agora, eu Mãe também, apetecia-me poder oferecer-lhe tempo reciclado para voltar a usar. De modo a que o tempo, dela e meu, não se esgotasse nunca. Mas, feliz ou infelizmente (reviver chatices???), o tempo não é reciclável e, por isso, tenho de me conformar com as rugas incómodas e as memórias imensas.
sábado, 2 de maio de 2009
PESSOA e EU
Sábado de sol, Primavera incipiente, flores e muito vento. Fiquei por casa, cumprindo a existência num fazer de obrigações inadiáveis, procurando dar sentido, e muita qualidade, ao meu ser professora. Divaguei por Saramago, perdi-me em Pessoa e saltei Sttau Monteiro porque, de verdade, a minha consciência política (seja lá isso o que for) anda magoada demais.
Com Pessoa, eternos amigos, conversei de coisas e sentires. Ele, sempre trocista da vulgaridade, falou-me da necessidade de sentir-pensando, condenando o meu vício de pensar-sentindo. Eu falei-lhe de sonhos, de saudades, de filhas, de netos. E ele confrontou-me com a eterna procura do eu-no-outro, com a inevitabilidade do Tempo e com a urgência do momento. Quis falar-lhe de memórias boas, tenho muitas, mas estilhaçaram-se contra a racionalidade inteligente. É isso, ele tem razão: - Foram. não são!!
Com Pessoa, eternos amigos, conversei de coisas e sentires. Ele, sempre trocista da vulgaridade, falou-me da necessidade de sentir-pensando, condenando o meu vício de pensar-sentindo. Eu falei-lhe de sonhos, de saudades, de filhas, de netos. E ele confrontou-me com a eterna procura do eu-no-outro, com a inevitabilidade do Tempo e com a urgência do momento. Quis falar-lhe de memórias boas, tenho muitas, mas estilhaçaram-se contra a racionalidade inteligente. É isso, ele tem razão: - Foram. não são!!
sexta-feira, 1 de maio de 2009
1º de Maio
Feriado. O sol a acordar intenso, os campos brilhantes da chuva de ontem, os sorrisos descansados no café de sempre que, este ano..., não encerrou. Fecha amanhã, para ligar ao habitual descanso de Domingo num fim-de-semana maior, porque, de verdade, o que interessa é descansar e não lembrar a hipocrisia do Dia do Trabalhador num país de mágoas e desempregados.
Olho com descrédito, desânimo também, este feriado que surge, para mim, associado a democracia e a liberdade, dois Valores que, no meu país, estão gravemente postos em causa.
Dia do Trabalhador num tempo sem direitos, sem respeito, sem dignidade para quem, de verdade, trabalha. Tempo de escuridão, de revolta medrosa, de imposições ilógicas, de injustiças gritantes, de sentires humilhados e estilhaçados. Feriado sem sentido, de luto na minha consciência humana e cívica.
Olho com descrédito, desânimo também, este feriado que surge, para mim, associado a democracia e a liberdade, dois Valores que, no meu país, estão gravemente postos em causa.
Dia do Trabalhador num tempo sem direitos, sem respeito, sem dignidade para quem, de verdade, trabalha. Tempo de escuridão, de revolta medrosa, de imposições ilógicas, de injustiças gritantes, de sentires humilhados e estilhaçados. Feriado sem sentido, de luto na minha consciência humana e cívica.
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