Um grande psicólogo e pedagogo do Reino Unido defende agora a tese de que é importante para as crianças e jovens terem tempo para se aborrecerem. Diz ele, fundamentando a sua tese em estudos científicos validados, que a fobia de ocupar constantemente as crianças, de correr com elas da natação apra a dança, do futebol para a música, do ballet para o judo, dos grupos de leitura para as oficinas de expressão dramática, não lhes permitindo ficarem, simplesmente, sem fazer nada, é péssimo para a sua formação como Pessoas.
Eu não podia estar mais de acordo! Sempre achei que a paranóia social de encher o tempo dos miúdos de actividades não podia dar bom resultado.
Portugal, provavelmente, levará ainda muito tempo a adoptar esta proposta inovadora e, assim, lá continuarão as nossas crianças a crescer como robots, sem tempo para se aborrecerem e, consequentemente, sem tempo para se recriarem e reinventarem! Vejo os alunos das nossas escolas com aulas das oito e meia às seis, mais explicações, mais actividades, mais aulas de apoio, mais aulas de substituição, mais projectos de recuperação, e tremo. Tenho pena dos miúdos portugueses de hoje! Estes meninos precisam que os deixem aborrecer-se, ocupar algum tempo só com conversas de amigos ou, até, ficando a olhar para o ar sem nada fazer.
Daqui a uns anos, vamos ter uma geração que não pensa, não escolhe, não decide. Uma geração que apenas sabe cumprir horários e arranjar forma de boicotar a vida que tem e não escolheu... Pessoalmente, acredito que muita da violência escolar decorre, exactamente, do excesso de ocupação dos alunos. É urgente revermos o que estamos a fazer com os nossos miúdos!
Mas é urgente tanta coisa...