domingo, 1 de dezembro de 2019

PESSOAS

São sempre as pessoas quem me marca. Esta semana, ou melhor, na semana que ontem terminou, tive muitas realidades com pessoas e, pior para mim, com pessoas diferentes! Tive o privilégio, sou mesmo sortuda, se conhecer, ao vivo e a cores - muitas cores! - a Professora Ivete Azevedo. É uma mulher fantástica! Bem disposta, conhecedora, atenta, envolvida de facto na construção da tal Escola que eu tanto ambiciono. Veio falar de criatividade, veio ajudar-nos a aprender a melhor forma de facilitar o desenvolvimento de competências criativas no quotidiano. Podia tê-lo feito de cátedra, afinal é doutorada e pós-doutorada, mas fê-lo com a simplicidade dos que, porque são Bons, não precisam de se colocar em bicos de pés. Trabalhou, desafiou-nos, corrigiu-nos, ouviu-nos e deixou-nos (a mim e a outros colegas) com vontade de saber mais, de treinar mais tempo. A Professora Ivete naturalmente perguntou-me para que queria José Régio tanta tralha, e riu-se das minhas histórias contadas junto ao túmulo de D. Jorge de Mello. Quando se foi embora, fiquei mais sozinha, mais vazia também.
Na mesma semana, e pouco antes da Ivete chegar, vivi momentos de terror com outra pessoa. Calúnias, insinuações, provocações, formas de agir que sempre revelam personalidades insignificantes, mentes vazias e corações azedos. 
Hoje, domingo, fazendo o balanço da minha semana, voltei a agradecer a Deus a presença  destas duas pessoas na minha vida: - Uma, porque me ajuda a ser melhor; outra porque me permite saber como não ser e, simultaneamente, expiar os meus pecados!

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ESQUEÇAM-ME


Esqueçam-se de mim. Isso mesmo. que ninguém me telefone, que ninguém me mande sms ou modernos watsapp, que o meu telemóvel não bipp de e-mails. Quero, hoje, a paz da solidão, o silêncio do alheamento, a tranquilidade de ser  sozinha. Quero desfrutar da queda das folhas amarelecidas, do vermelho que borda o limite negro do alcatrão, quero caminhar sobre a macieza da alcatifa de folhas. 


Esta é a Fall lagóia. Sem a enormidade das Américas, com a simplicidade pura de Portalegre. Por isso, esqueçam-me. Deixem-me, hoje, ser feliz sozinha. É bom não ser animal de companhia. Às vezes.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

AS CRIANÇAS PORTUGUESAS

"As crianças portuguesas são as que passam mais tempo na escola, jardins de infância e creche. Em média, cada criança cumpre um horário de doze horas" - Fiquei assustada. Claro que eu já sabia que as crianças passam tempo demais nas Escolas mas, dito assim, com números e força de estudo científico, parece ser ainda pior.
Sem dúvida, as sociedades desenvolvidas, na sua maioria, deixam para trás muito do essencial da vida em nome do trabalho. Em Portugal, infelizmente, exagera-se mais ainda. Os portugueses gastam muito tempo nos empregos e, paradoxalmente, produzem menos do que outros povos que estão menos horas nos seus empregos. Parecia, assim de repente, que seria possível, até fácil, reorganizar as coisas: - Horários mais flexíveis, trabalho por objectivos, mais tempo para se ser pessoa. Mas não é fácil. O que vemos, cada vez mais, são pessoas fechadas oito horas por dia, muitas vezes fazendo cera, outras consumindo bicas. 
Li, há pouco tempo, uma reportagem que dizia que numa qualquer província do Japão tinham feito uma experiência e, durante seis meses, tinham reduzido a semana de trabalho a quatro dias. No final, verificaram que a produtividade aumentara 72% e os índices de felicidade 92%. Claro que o Japão não é Portugal mas, neste caso, até eu fiquei com os olhos em bico...
As crianças que passam sete horas na creche, nas amas, nos infantários e nas Escolas, são geralmente

crianças com baixos níveis de felicidade. São crianças às quais falta tempo de qualidade na construção de teias de afecto e emoções capazes de sustentar os embates da vida adulta.
Gostava muito que Portugal olhasse as suas crianças com outro olhar. Com mais respeito, com mais seriedade. Mas, neste meu país eternamente por cumprir, as Pessoas nunca são prioridade...

domingo, 24 de novembro de 2019

ANIVERSÁRIO

A Vida cumpre-se num fazer de pequenas coisas" é um lema que tento seguir. São os acordares com chuva, uma caipirinha junto ao mar, um abraço bem forte, os beijos dos netos, um café com amigos, uma caminhada na serra, e mais mil vivências, rotineiras e insignificantes, que dão sentido à vida.
Mas, talvez por oposição, há factos grandes, acontecimentos esporádicos, que também me fazem ser quem sou, que me marcam fundo. 
O nascimento do meu primeiro neto, faz hoje dez anos, em Cambridge, nessa Inglaterra de que tanto gosto, foi um marco na minha existência. Não imaginava que se pudesse amar assim, com tanta entrega e plenitude, um ser que não vinha de dentro de nós. Tinha experimentado essa avalanche de amor com as minhas filhas e, de repente, o meu neto voltava a despertar  em mim a força do AMOR total. Ao mesmo tempo, voltas da vida, nesta data voltei a acreditar que seria possível ser feliz a dois. Pura ilusão. Mas nem a dor, o sofrimento, a maldade alheia, a humilhação da frustração, conseguiram manchar o amor pelo meu primeiro neto.
Hoje, o meu Manuel Bernardo faz dez anos. Está longe, mas eu sinto-o bem pertinho de mim. 
Quero escrever hoje, porque acredito que a palavra fica quando a vida é nada, que o meu neto mais velho revolucionou a minha emoção. A minha vida também! 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

SONHOS

Tenho um sonho. Melhor, tenho muitos sonhos, utopias, lugares que  ainda o não são, vontades e desejos que um dia, acredito, serão. São sonhos com vontades essenciais, virados para fora. O que fiz aos sonhos meus, aos de dentro? Desfizeram-se . Esboroaram-se contra a espuma dos dias, diluiram-se no sal acre das mil lágrimas. Ficaram os de fora. Os que envolvem um mundo novo, cheio de possíveis, sem solidão e vazios.
Martin Luther King também teve um sonho. E desapareceu sem o cumprir. Herdei, creio, sonhos de outros. E, ainda assim, tenho os meus! 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

HÁ CANALHAS A MAIS

Tenho dificuldade, muita, em lidar com o desinteresse profissional. Eu sei, claro!, que ninguém vai mudar o mundo, que é impossível que todos estejamos em sintonia mas, ainda assim, não compreendo, não consigo aceitar, que haja profissionais que não cumprem, que não fazem, que não se empenham na construção de uma nova realidade, de um novo mundo. 
Kennedy disse, um dia, que "Uma pessoa sozinha não vai mudar o mundo mas, se agir bem, sempre será um canalha a menos". É isto! Há canalhas a mais...

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

TRISTEZA

Sophia dizia que "a saudade é a tristeza que fica quando alguém de quem gostamos vai embora". Eu sinto exactamente assim. Tristeza funda, magoada, feita de incompreensão e revolta. A ausência voluntária, o afastamento violento daqueles de quem gosto, fere-me fundo. Claro, eu sei, as pessoas têm o direito de se afastar e, muitas vezes, a saudade é só de quem fica no cais vendo as amarras desfazerem-se.
Há dias, muitos, em que a saudade, a tal tristeza que não faz parte apenas da Poesia, me embrulha numa dolorosa sensação de vazio dorido. Sei todas as razões, conheço todas as verdades e justificações, mas, ainda assim, a tristeza instala-se!