sábado, 18 de abril de 2020

25 de ABRIL 2020

Tinha pensado passar ao lado da polémica dos festejos do 25 de Abril. Ando um bocado farta de polémicas, num período em que os problemas como a doença, a falta de dinheiro, a violência e o desemprego se agigantam, mas, não resisto!
Em causa não está a importância, o significado, o Valor da Revolução de Abril. Para mim, tudo isso são verdades sem discussão.
O 25 de Abril de 1974 foi um dia inesquecível na conquista da democracia e da Liberdade. Claro que não temos a democracia perfeita, a liberdade ideal. Mas, sem dúvida, vivemos hoje incomparavelmente melhor do que a 24 de Abril de 1974. Posto isto, e deixando de lado as reflexões e polémicas sobre o PREC, o 25 de Novembro, etc., creio que o que hoje se discute não é a essência da Revolução mas, sim, a oportunidade de a assinalar, e festejar!, contrariando as regras de isolamento social que tanto têm custado à maioria de nós.
Defendo que, este ano, em tudo excepcional, os festejos deveriam acontecer pelas televisões, com programas alusivos ao dia, com os discursos habituais, etc. Vejo a festa na AR como quase provocatória para o português comum. Vão estar menos pessoas, dizem. Mas, ainda assim, vão estar muitas pessoas juntas e, a não ser que se comprometam a não respirar (??!!) salvo se com máscara, é uma situação de risco. Num momento tão difícil como o que vivemos, não compreendo estes festejos. Como não compreendo as manifestações e desfiles agendados para dia 2 de Maio.
Ser livre, liberdade que o 25 de Abril nos permite, implica responsabilidade e sentido de cidadania. Acho eu que, há mais de um mês, estou em casa.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

INSÓNIA

Possíveis que nunca o foram desafiam os sonhos passados. Enfrentam-se. Provocam-se num tango alucinante ao ritmo de cada dia. A orquestra não pára, as voltas sucedem-se, passos quadrados e a geometria da razão a falhar os ângulos. Não chega o sono. Morfeu não abraça e o tango segue inglório.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

AFOGAMENTO

Estou sempre a defender a necessidade de nos adaptarmos a novas circunstâncias, de responder, com energia e confiança, a desafios. Mas não é fácil... A formação à distância carece dos olhares que comunicam, dos sorrisos cúmplices, da proximidade. Sim, claro que é possível, com qualidade e eficácia, fazer formação à distância. Mas não é a mesma coisa e, para mim que não sou grande especialista nas tecnologias, é muito mais cansativo. 
Hoje, apetecia-me poder ignorar o Covid-19, mandar às urtigas as limitações, meter-me no meu carro, escolher música boa e ir ver o mar. Tenho dolorosas saudades do mar, talvez, também, por ter uma imensa vontade de afogar algumas situações...

quarta-feira, 15 de abril de 2020

AVALIAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

Tenho lido, e ouvido, muita coisa sobre avaliação pedagógica. Sendo, para mim, absolutamente claro que avaliar e classificar são processos distintos, não tenho nenhuma dúvida em afirmar, e defender, que a avaliação pedagógica deve estar ao serviço das aprendizagens dos alunos, deve andaimar (como refere Bruner) o sucesso de cada aluno. Por isso, sei que o feedback, sempre individualizado e de qualidade, é fundamental, que os alunos devem ser participantes activos no processo. Em relação à classificação, as coisas são, para mim, muito mais complexas... 
Classificar é discriminar. Sem dúvida. Mas tem de traduzir, o melhor possível, o nível de aprendizagem de cada aluno. Assim, não cabe na minha consciência profissional que se possa classificar alunos com ponderações em processos de recolha de informação! 
Defendo que devem existir, e estar na posse de alunos, pais e professores, descritores claros para cada disciplina e que os alunos devem saber onde se situam. Na minha opinião de profissional com alguma experiência, ainda há muito trabalho para fazer no que respeita à avaliação pedagógica... E, sobretudo, há muito que pensar. E pensar dá muito trabalho!!

terça-feira, 14 de abril de 2020

JÁ PASSOU

Já passou a Páscoa. Diferente, estranha, mas passou. Agora, o tempo impõe e desafia, provoca e exige. Os professores (como quase todos os profissionais) têm de se adaptar a um novo tempo, a novas formas de agir, a diferentes processos de trabalho. É o tempo do online, da distância, do virtual, do afastamento. É o possível.
Eu não gosto do virtual. Não sou adepta das novas tecnologias, provavelmente porque não sou suficientemente competente na utilização das mesmas, e sinto falta da presença física, dos cheiros, dos olhares. Mas não adianta chorar sobre o leite derramado. A vida cumpre-se em mil fazeres e responder às circunstâncias e aos desafios é existir. Quero existir. E imagino a formação online, penso estratégias, reformulo materiais. Tem de dar certo! Porque acredito que os professores, como sempre acontece em momentos de crise, vão responder com vontade.
E, quem sabe?, talvez um dia até achemos que é melhor assim. 

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Sexta-Feira Santa

Dia triste, este. Quando eu era miúda, enquanto tive quem pensasse na minha felicidade, este dia fazia-se de muitos rituais: - Almoço de bacalhau, jantar de polvo, e, ás três da tarde, a família junta no quintal para ouvir a sirene que marca a morte de Cristo. Lembro-me que, criança, ficava muito angustiada com a sirene, invariavelmente acompanhada pelo ladrar dos cães e, em vez de rezar, pedia para que a normalidade voltasse ao quintal.
Este ano, ouvi a sirene com os meus dois netos mais novos, pensando nos que me faltam, rezando para que sejam, todos, muito felizes.
Sei que este é tempo de renovação, a natureza não se cansa de mo lembrar, mas quero que seja, para as minhas filhas e netos, só mais um tempo de ser feliz.Eu, que tenho fé, acredito que Cristo morreu para que nós vivêssemos e, penso, viver não é sofrer sempre. 
Amanhã, será sábado de aleluia. Depois, comeremos a fantástica sopa e o cabrito assado, tradição de Domingo de Páscoa. E assim, repetindo tradições, quero acreditar que dou aos meus netos vivências para envelhecerem mais tranquilos. 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

EXPERIÊNCIA OU VÍCIO?

O Tempo, que na Antiguidade era deus, é algo complexo, dúbio e, simultaneamente, honesto. Sabemos todos qual o fim. Como dizia Pessoa " (...) somos o cadáver adiado que procria", (ou não, acrescento eu).
O Tempo dá sabedoria, dizem alguns, mas implica degradação , sem dúvida.
O Tempo é usado, por vezes, para valorizar conhecimento - faço isto há 14 anos, ou há 30 - como se a simples passagem dos dias, o continuado desempenho de tarefas, por si só, significasse competência. Não acredito nisso!
Sem dúvida que a prática, a continuidade, nos pode dar mais competência mecânica (será que isso existe?), mas se levarmos 14 anos, ou 30, a fazer erros, de que adianta prolongá-los? Se, perante as transformações da vida, continuarmos as mesmas práticas, de que servirá a experiência? Acho mesmo, e a sério, que é exactamente a capacidade de resposta a novas situações, a forma como lidamos com o que nos convoca por diferente, que nos ajuda a ser melhores profissionais. Melhores pessoas também. A capacidade de adaptação inteligente, a selecção do que urge mudar e conservar, a disponibilidade para transformar formas de pensar, são essenciais para que o mundo, evoluindo, mantenha os Valores que o fazem humano. Não acredito em quem certifica o seu trabalho com a resistência à mudança, hasteando a bandeira do "é assim que eu penso, é assim que eu faço, e não vou mudar nunca!".
É por isso que não me convencem os argumentos de "faço isto há anos"... Enfim. Coisas que eu penso. Porque eu penso há 60 anos, só para que conste!