terça-feira, 21 de dezembro de 2021

REUNIÕES

 Comecei hoje, bem cedo, as reuniões de avaliação de 1º período. Desde 2017, pelo menos, que se legislou para uma efectiva mudança de práticas na Escola mas, infelizmente, tudo, com mais uma grelhas pelo meio, segue igual. 

Preenchem-se fichas, verdes para haver esperança, e segue-se reproduzindo modelos. Fica-me a alma a doer de tristeza, de revolta indignada. 

Não tinha de ser assim! Tinha de ser possível, porque se junta um grupo de pessoas formadas e cosmopolitas (ou não?) constatar a óbvia mudança do mundo e construir diferenças. 

Talvez eu esteja, mais do que imagino, a sobrar no mundo. A precisar da reforma.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

COISAS

 Há mais de um mês que não passo por aqui. E espanto-me com o facto de ter a vida tão cheia de urgências desnecessárias que perdi o Tempo para o meu eu. Enfrento desafios, batalho, sofro, luto contra injustiças, choro, rio-me (às vezes) e, de repente, percebo que tenho a vida completamente inundada de vazios. Pior, constato que, aos poucos, fui deixando que os nadas, muitos nadas vestidos de falsa importância, tomassem conta de mim. 

À noite, quando o silêncio chega e os telefones páram de exigir a minha presença. não me reconheço. Estou cansada de tentar. Apetecia-me acertar. Ser. 

Talvez seja o Natal, porque eu adoro o Natal! Das luzes ao Presépio, dos presentes, do sabor a gengibre, do bacalhau e até do perú. Sim, talvez seja o Natal a puxar o fio da marioneta que é o meu coração...

domingo, 7 de novembro de 2021

PROJECTOS

 Cada dia que passa me faz olhar o mundo com mais curiosidade e estupefação. Multiplico em mim os como é possível, vejo crescer a desesperança e, paradoxalmente talvez, sinto crescer a minha vontade de agir. Claro que a minha maior desilusão é com a Escola. Eu, que quero muito um mundo melhor, acredito mesmo que só com uma Escola nova, absolutamente transformada, com práticas e metodologias que rasguem fundo a normalidade, poderemos construir uma realidade diferente. Oiço os políticos importantes, em Glasgow, entre fatos negros e máscaras personalizadas, falar do ambiente, do clima, da inexistência de um planeta B e espanto-me por não investirem, a ´sério e sem projectos inócuos, na educação das novas gerações.

Em Portugal, por exemplo, o projecto de Educação Sexual, seis horas no ensino secundário (a sério??), pode ser uma pesquisa sobre métodos contracetivos e produção de cartazes. Pode, também, o projecto de educação para a cidadania e desenvolvimento ser uma série de palestras (alguém muda comportamentos por ouvir??). Continuamos, e como isto me dói, a educar para o passado, sem querermos ver o óbvio, cegos da modernidade. 

A educação, a Escola de Hoje, não se pode limitar ao cumprimento de horário, à observação do enunciado nos documentos da tutela, aos testes de avaliação para classificar os alunos. É preciso pensar! É preciso ousar! É preciso ensina a pensar, a criticar, a seleccionar, a reconhecer, a sonhar. É preciso saber o que cada escola quer para os seus alunos em articulação com a comunidade que integra! 

Julgava que o tempo de Projectos Educativos iguais em diferentes escolas estava ultrapassado mas, infelizmente, não está.  

Esta Escola Portuguesa, que tem no papel práticas que louvo e sigo, que tem um documento norteador humanista e inovador, O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, não pode ter professores a dizer que esta, ou aquela turma, tem alunos do 54 (Decreto-Lei nº 54), que as questões aula são mini-testes, que é preciso decorar aquilo que um rápido clic no telemóvel nos diz.

Este ano, ando muito desiludida. Pensava, andava iludida, que a Educação estava bem diferente.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

O CDS

 Acho que tenho opção política, militância partidária, desde os 22 anos. Não tenho bem a certeza se seriam 22 ou 23, mas foi por aí que resolvi que era importante participar, escolher um lugar onde pudesse manifestar as minhas opiniões e ideais. Tornei-me militante do CDS e, tirando três ou quatro anos em que estive fora (porque o Dr. Paulo Portas me expulsou por indisciplina) sempre fui militante. Tenho cartão, e tenho orgulho nele. Gosto de ir a Congressos, de intervir, já fui Conselheira Nacional e não tenho vergonha, não escondo, a minha militância. Aliás, eu penso mesmo que se queremos um Mundo diferente, e melhor, e eu quero, temos de intervir! 

Ora, exactamente porque sou do CDS, não consigo ficar indiferente à crise que o Partido está a atravessar. Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito em Congresso. Um Congresso onde estiveram os barões do partido (Nuno Melo e seus seguidores), que apresentaram propostas que nós, militantes, rejeitámos. 

Agora, depois de umas eleições autárquicas duras onde o CDS conseguiu não perder votos, aparecem de novo os que se julgam donos do Partido a criar problemas. 

O CDS não tem donos! O CDS é um Partido conservador, de Direita Liberal, democrata-cristão, que defende a Liberdade e a Iniciativa Privada, a Verdade e o Humanismo, acima de egoísmos e vaidades.

Estou farta dos que se julgam donos de tudo. Farta de Nuno Melo, de Adolfos e seus amigos. Não me deixam dormir, fazem-me ter insónias feitas de revolta e indignação. Saiam de vez do CDS! 

domingo, 31 de outubro de 2021

VAZIO

 Não ter sonhos, não ter um projecto, uma ideia nova, diferente, é, para mim, uma das piores e mais graves pobrezas. E, infelizmente para mim, ultimamente tenho esbarrado com muita gente vazia de projectos. Como é possível alguém ocupar um cargo de liderança (se calhar é de chefia e eu estou enganada) sem ter um projecto arrebatador, inovador, capaz de congregar vontades? Para mim, não faz sentido. 

Não compreendo a razão de votar em alguém, de sequer ter de obedecer a alguém, que não seduz pela diferença, que não põe ao serviço de uma comunidade um sonho, um desafio, que permita acreditar num mundo melhor. 

Gostava de viver num lugar onde as pessoas só pudessem dirigir se fossem criativas, se acrescentassem algo de novo. É que, com tanta informação que existe na actualidade, para cumprir regras e seguir imitações, nem precisamos de liderança. 

domingo, 17 de outubro de 2021

PROIBIR

 Eu não quero o meu país a seguir pelos caminhos que agora lhe impõem. Não quero viver presa, limitada, subjugada à vontade de outros. 

Aos poucos, e no entanto depressa demais, o estado português está a entrar nos caminhos da ditadura e isso, sinceramente, assusta-me. Que direito tem o estado de decidir onde levo os meus netos? Onde vou e o que faço? 

Antes do 25 de Abril, lembro-me bem, os filmes e espectáculos eram também proibidos a algumas idades. Lembro-me de, à entrada do Crisfal, me pedirem o velho bilhete de identidade para ver um determinado filme. Depois de Abril, passou a existir o não recomendado a menores de... cada um podia decidir no pleno uso da sua liberdade, e era bom poder fazê-lo. Foi assim que vi o Belle de Jour, com a Catherine Deneuve, nos meus 16 anos. 

Agora, andamos para trás. Voltam as proibições, as imposições que saem de minorias que eu repudio e, no entanto, me limitam. Dizem os entendidos que é/foi moeda para a aprovação do orçamento. Um orçamento feito de despesa e sem uma única ideia capaz de criar riqueza. Um orçamento que envergonha um povo que quer crescer e ser livre. Um povo que festeja Abril!

Eu, euzinha que tanto amo Portugal, hoje penso que, se calhar, seria melhor ter nascido espanhola. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

EFÉMERO

 Há dias bons, dias maus, dias nem bons nem maus. Ultimamente, tenho tido dias muito maus. As saudades tornaram-se dolorosas, dilacerantes mesmo. 

Tenho saudades da Casa dos meus Pais, das conversas na varanda, dos passeios de carro ao fim da tarde para irmos ouvir o cuco - Quem ouve o cuco, não morre nesse ano- garantia o meu Pai. 

Olho à minha volta e o fosso que me rodeia enche-se de absoluta solidão. Filhas longe, netos longe, cada agora feito de memórias e amanhãs impossíveis. Para mim, digo que não faz sentido, não pode fazer sentido, encher de vazio os últimos anos da minha existência. Este devia ser o tempo dos afectos, das cumplicidades, dos passeios acompanhada.  Mas não é. O meu Tempo faz-se de muitas sombras e a memória só me devolve irrepetíveis.

Muitas noites, em insónias dolorosas, vêm os demónios troçar de mim e, rindo, garantem que em breve o Nada chegará. E eu tenho saudades das noites em que apenas anjos, invejosos da minha felicidade, me visitavam.

Tudo é efémero. Menos, penso, a minha tristeza.