sábado, 10 de agosto de 2019

Siesta ao jantar

A praia de Algés, reza a história, já foi lugar de nobres, de gente endinheirada, praia de ares puros. Hoje, é um rio oleoso e sujo, uma areia negra que mete nojo e a torre de controlo, até essa inclinada, que nos recebem. Felizmente, existe o La Siesta onde, com Margaritas saborosas, se tenta ignorar o cenário exterior. Há pouco, com os meus netos, jantei


lá muito bem. A dificuldade foi, no regresso ao Chiado, explicar ao Manuel Bernardo, verdadeiro inglês, porque razão os portugueses escrevem nas paredes e até nos monumentos!!

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

MULHER

Obviamente a brincar, costumo dizer que o Criador, quando fez o homem, ficou tão desgostoso com a sua obra que decidiu convertê-la em rascunho. Num borrão. Olhou com tristeza a criação, pensou como fora possível que Ele, perfeito, tivesse construído algo tão imperfeito e, para se redimir, focou-se em fazer algo realmente artístico: - A Mulher!
Como qualquer artista que se preza, escolheu com cuidado os materiais, procurou a Harmonia e esmerou-se nos pormenores. Podia, de facto, ter sido uma obra-prima, mas não o foi. Porque, acho eu, o Grande Artista, para compensar as falhas do borrão, abusou das emoções, da sensibilidade, da capacidade de amar. 
E é só assim que eu consigo compreender o que leva uma mulher a suportar o insuportável, a amar para além do razoável, a tentar limpar com lágrimas as nódoas negras que a vida lhe faz na alma.





quinta-feira, 8 de agosto de 2019

HIATO

Penso sempre que férias são hiatos na vida. Abre-se uma espécie de parentesis e, durante algum tempo, a vida real, essa que se faz de desilusões, mágoas, chatices, deixa de ser prioridade. É tempo de desligar a razão (quando possível) e ligar o eucomsentido na potência máxima. Neste tempo, de qualidade, até o corpo ganha nova cor, a gargalhada mais verdade. 
Claro que, só para chatear, nas férias também é preciso dizer adeus, também existem ausências e incompreensões mas, ainda assim, é este um Tempo de razoável desrazão. 
Como se os paradoxos fossem a verdade compreensível. Única.  

quarta-feira, 31 de julho de 2019

PÉNIS OU VAGINAS

Não gosto de quotas, até porque não gosto de discriminações, sejam quais forem os motivos invocados. 
As quotas, para mim, discriminam!
Na minha opinião, tem de haver mulheres nos lugares de liderança porque há mulheres muito capazes. Para o mundo atual, tem de haver mulheres nesses mesmos lugares para se conseguir um equilibrio sexual. 
Ou seja, independentemente do valor que se possa ter, parece que é o facto de se ter vagina, e não pénis, que valida o direito a determinadas funções. 
Será razoável? Para mim, não! 
Estou fartíssima do politicamente correcto, da afirmação do que considero idiotices em nome de modernices políticas ocas de significado.
Foi eleita a drª Ursula Von Der Layen para presidente da Comissão Europeia e logo veio a informação de que tem sete filhos, é médica, etc. Alguém disse quantos filhos têm outras figuras masculinas? Se cozinham ou não? Com certeza que não! É, a meu ver, mais uma pseudo-igualdade ! Atrevo-me a pensar que, para que Drª Ursula desempenhe o novo cargo, outra mulher terá sido contratada para as tarefas domésticas. Ou terá sido um homem? Gostava de saber.
Gostava que as pessoas valessem pelo que provam poder fazer de útil para a comunidade, e não pelo sexo que têm. 
Acredito, sinceramente, que há mulheres fantásticas e homens que o são também. Mas não consigo convencer-me que alguém, por ser mulher, seja bom; ou por ser homem o não seja!
Devo estar a ficar velha e rabujenta. Já não compreendo a pseudo-modernidade!

terça-feira, 30 de julho de 2019

ACEITAR

Sou católica. Praticante. Não santa, e grande pecadora.
E sou mulher que pensa, que lê, que se questiona e questiona, que tem dúvidas e receios, convicções e Valores. Gosto da missa, da paz e das leituras que me permitem, pelo menos uma vez por semana, fazer algum balanço da minha existência.
Gostava de ser melhor pessoa, de não desgostar de ninguém (acho que não odeio ninguém), de praticar mais, mais quotidianamente, o que o meu Cristo me pede, mas nem sempre consigo... 
No último domingo, na minha Sé, o senhor cónego falava de perdão. Do dom do perdão. E eu pensava, num pensar violento que me rasga tantas vezes por dentro, que perdoar é assumir, consciente ou inconscientemente, uma atitude violenta face ao outro! Deveriamos aceitar, em vez de perdoar. 
Quando perdoamos, penso eu, assumimos a nossa razão como certa, assumimos que somos os correctos; quando aceitamos, respeitamos diferenças, aceitamos o  que, para nós, são erros e para o outro acertos. 
Não quero com isto dizer que aceito tudo... Bem pelo contrário, peço muitas vezes a Deus que me ajude a aceitar o que não consigo compreender. E é mais difícil aceitar, do que perdoar. Acho eu...

segunda-feira, 29 de julho de 2019

APRENDIZAGENS

Dizem, esse sujeito desconhecido e total nunca identificado, que a vida é uma grande Escola, que nos dá grandes lições e nos faz aprender muita coisa. É uma verdade de M. de La Palice ( ou Lapalisse, em Portugal escreve-se das duas maneiras). 
Sem dúvida, aprendemos com o tempo, com as vivências que se fazem experiência, com a soma de muitos dias, com as marcas de muitas quedas, com alguns sorrisos e momentos muito bons. E aprendemos quase tudo. 
Quase. Porque, há coisas, sei eu, que não se aprendem nunca.
Eu não aprendi, e continuo a não ser capaz de aprender, a melhor forma de lidar com a desilusão, a forma menos dolorosa de conviver com algumas ausências. 
Tenho aprendido muito com a vida, é verdade. Mas esssa mesma vida não me ensinou a esquecer . 
Algum dia farei essa aprendizagem? Duvido...

sábado, 27 de julho de 2019

MUROS

Muros limitam, isolam, afastam. E mais um muro, terrível pelas razões invocadas para ser construído, vai surgir. Foi desbloqueada a verba que possibilitará isolar os EUA do México. Um muro de ódio, de radicalismo, de desumanidade. 
Ainda não há 30 anos (1989) o Mundo festejava a queda de um muro, esse também de ódio e violência, e já outro começa a surgir. 
Tenho medo. Medo do mundo que integro, da minha incapacidade de contribuir eficazmente para que a humanidade o seja de facto, da destruição de Valores que deixo aos meus netos, às crianças do Universo.
Século XXI. Tempo de um sem fim de possibilidades, de inovação tecnológica e científica, de novas profissões e, talvez, de um Novo Homem. Mas será este Novo Homem humano? Temo que não... Vejo crescer a maldade e o egoísmo, vejo crianças a morrer de fome e sede e países a gastarem milhões nas fronteiras do ódio! Como é possível continuarmos a encolher os ombros, a dizer que (felizmente?) é muito longe de Portugal, de Portalegre mais ainda??
Queria ter força para lutar mais! Queria ser capaz de contribuir para a construção, ou reconstrução?, de uma sociedade mais centrada em Valores Humanistas. É na Educação que isso tem de acontecer!!
Este não pode ser , de novo ou ainda, "o Tempo dos chacais" (Sophia...) Este devia ser, urge que seja, o tempo da dignidade Humana!