quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

ANO NOVO

 Finalmente, este terrível ano de 2020 chega ao fim. 

Eu, que nunca fui adepta de Passagens de Ano em festa e euforia, desta vez sinto uma enorme necessidade de me iludir e festejar. Iludir porque, com toda a certeza, 2021 vai chegar igual a 2020. A pandemia não vai acabar à meia-noite, o desemprego não vai terminar, as injustiças não vão ter fim. Sei, racionalmente, que se anuncia a continuidade de muito sofrimento. 

Contudo, emocionalmente, e estupidamente também, apetece-me fingir que acredito na força do Novo Ano e festejar em grande. Enfim, contradições assumidas, o que é verdade é que, se não fiz a lista de resoluções, enunciei, na minha cabeça, as grandes mudanças que pretendo tentar - TENTAR - introduzir na minha vida, no meu quotidiano. Tenho decisões afectivas, familiares, cívicas e profissionais. 

Talvez sejam ambições demais, talvez fique tudo por cumprir, mas hoje estou assim: - Com vontade de fingir que acredito num novo daqui a bocadinho!

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

PRESÉPIO

 Sem dúvida, este Natal de 2020 é muito diferente de todos os que já vivi. Mesmo dos muito maus. Sim, já vivi Natais muito maus, sofrendo um abandono terrível, dilacerada por saudades, absolutamente cheia de vazio. Mas, este 2020, supera tudo! 

No entanto, é Natal e, para mim que acredito em Deus e em Jesus, faz sentido fazer o Presépio, trazer para a sala o cheiro do musgo, encher o espaço de luzes. 

Bem tarde, apenas hoje, dia 15, cumpri a tradição. Com os netos mais velhos fomos ao musgo, cortamos o pinheiro, cobrimos o chão de agulhas do pinheiro (vai dar imenso trabalho a limpar) e enchemos a casa de Natal. Eu sei que parece idiota, ingénuo também, mas a verdade é que a presença do Presépio na minha sala me amolece o coração.







domingo, 13 de dezembro de 2020

QUASE NATAL

 Quase Natal. Chegam os netos, aquece-se o meu coração. 




Este é um Tempo com sentido e sentires. Claro que há muitos vazios, sobram os lugares à mesa, as recordações vestem o meu coração e tomo consciência da alucinação que é a vida. Mas estou viva. Tenho filhas e netos, sobrinhos e um irmão que eu adoro, tenho de fazer render os afectos.

Claro que continuam a acontecer coisas horríveis, que há insignificâncias, como na minha escola terem marcado reuniões presenciais, que me irritam e desesperam, mas são só isso mesmo: - Insignificâncias!

Tive em minha casa os meus netos pequeninos, abracei-os na minha cama, vi desenhos animados, brinquei, enchi-os de mimo e carinho. Amanhã vou abraçar a minha filha e netos que não vejo desde Julho! Isso sim, tem significado.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

TINHA DE DESABAFAR

Finalmente,  estamos no último mês deste terrível 2020. Ano horrível, feito de perdas, de injustiças, de maldade, de medo e terror. A minha mãe morreu neste maldito ano, cada dia vestiu-se de angústia e mágoa, e é com alívio, ainda que com esperança contida, que vejo que o calendário me diz ter chegado o último mês.

Neste 2020, para além de todas as perdas e desgostos, tantos!, vivi uma situação de violenta injustiça que me marcou e deixou com menos (ainda) fé nos homens. Mesmo nos homens que se dizem de boa vontade. Tenho estado em silêncio, lidando com a dor e revolta como posso, ou como dolorosamente consigo, mas agora apetece-me pôr em palavras o que vivi.

Fui para a Santa Casa da Misericórdia de Portalegre sem qualquer interesse pessoal. Moveu-me, exclusivamente, a vontade de fazer parte activa da minha comunidade, o desejo de poder servir e ajudar. Não conhecia os outros membros da mesa, para além do muito saudoso Senhor Elói, e entrei de coração aberto. Logo nas primeiras reuniões, percebi que nem todos nos movíamos pelos mesmos motivos. Conheci duas senhoras que resisto a adjectivar, é tempo de Natal, não quero usar palavras escuras. Nunca imaginei que tanta maldade pudesse existir em seres teoricamente humanos, aqui, na minha cidade. 

Fui continuando a dar o meu melhor, procurei ajudas, envolvi uma grande amiga, profissional de excelência, na minha vontade de ajudar. E estava tudo a correr bem, as contas a acertarem-se, o sentimento de pertença a uma causa a crescer entre todos. Teciam-se cumplicidades, reconheciam-se sorrisos e eu não lamentava as muitas noites em branco, as muitas horas a tentar apoiar as decisões das técnicas. 

O que eu não adivinhei, talvez não tivesse o sentido da maldade suficientemente apurado, era que havia na SCMP uma pessoa (ou mais) feitas de raiva e crueldade. Uma mulherzinha, que foi minha aluna e em quem eu confiei, minou o trabalho, entrou nas redes sociais com nome falso, caluniou, divulgou documentos internos, fez o que muitos répteis não conseguem fazer: - Matar aos poucos, por interesse particular apenas. Avisavam-me. Mas eu não acreditava, e fui confiando nesta coisa ruim.

Um dia, tudo mudou. Uma investigação, e o senhor bispo a exonerar a Mesa. Sem uma palavra para mim, sem me ouvir, sem dar o benefício da dúvida. Magoou-me profundamente.

Sim, eu sou católica. Mas os bispos são homens e nem sempre, infelizmente, seguem Jesus Cristo.

Ainda não consegui libertar-me da revolta magoada que sinto! Como é possível agir assim? Como é possível não respeitar quem serviu uma Causa nobre? 

Felizmente, desta experiência na SCMP não ficou só a mágoa revoltada. Não ficaram só cruzamentos com pessoas horríveis. Ficou, sem dúvida, uma aprendizagem que seguirá comigo.

Além disso, e mais importante do que tudo, ficaram amizades verdadeiras, reais, tecidas de compreensão e respeito. Saí a ganhar, porque trouxe no coração a amizade do Provedor, das técnicas, de directores, ouso acreditar que de muitos funcionários também. Pude viver a essência de práticas profissionais feitas de entrega ao outro e, sem dúvida, isso nenhuma maldade me poderá roubar!

Obrigada, de coração, a todos os que inscreveram ternura no meu coração.

Aos outros, aos que caminham espalhando o mal, a calúnia, o insulto e a arbitrariedade, que Deus não lhes perdoe, porque eles (e elas), sabem o mal que fazem!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

EDUARDO LOURENÇO

 O Labirinto da Saudade. 

Volto a ele, agora que Eduardo Lourenço morreu, eu que vivo presa nessa teia sem saída. Oiço e recordo palavras ocas, que os Grandes não morrem, e sei que, embora morrendo mesmo, a sua essência fica e perdura por anos, séculos até. Na minha saudade mora já muita gente, é o normal cumprir do Tempo, e eu gosto de fazer visitas a essas moradas ausentes. Eduardo Lourenço dizia, também, que nós, humanos, somos só pensamento. Será? Às vezes, muitas vezes, olho o mundo e penso que não há pensamento. Que vivemos cumprindo calendário, fazendo concessões a verdades alheias, a normas sociais que se fazem de aparência, que ignoram a essência. Porque razão pensada abdicamos de práticas de ser feliz, para parecer cumprir imposições alheias? Que pensamento pode sustentar a violência e a agressão? Que razão suporta o medo?

Volto a Eduardo Lourenço. Falamos de Fé, esse Todo que é só de quem tem. Talvez rezar seja pensar também.

sábado, 28 de novembro de 2020

Tempo com Tempo

Nem tudo é sempre mau, nem tudo é completamente bom, nem sempre a alegria impera, nem sempre as lágrimas correm. Às vezes, talvez à medida que as rugas crescem na minha alma, penso que as maldades da vida, das gentes e do mundo, podem encerrar oportunidades. Esta pandemia, terrível sem dúvida, este isolamento imposto, a mágoa e o vazio, têm-me oferecido tempo de muita qualidade. Não me lembro, por exemplo, de ficar na cama até às 9,00h, de andar de camisa de dormir beberricando sucessivos cafés, de dançar sozinha abraçada à voz quente do Zambujo e da Ana Moura. Nem tudo é sempre, afinal!

E agradeço a Deus, ao meu Deus feito Cristo a quem confesso os meus temores, a segurança de ter casa, a paz de poder proteger-me, o privilégio de ainda poder sorrir. Apesar de.




quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A MEU VER

 Como todo o mundo racional, sem dúvida que olho com apreensão a pandemia. Não acredito na frase gasta do "Vai ficar tudo bem", porque vejo que muita coisa já não pode ficar bem, que muitas mortes aconteceram e que a miséria cresce, diariamente, de forma escandalosamente absurda. 

Leio, oiço, penso e tenho medo. Não confio nos decisores portugueses, como não confio na maioria dos decisores que dominam o mundo, receio a pouca eficácia das anunciadas vacinas, tremo a cada amanhecer.

Mas, sei bem, é preciso viver. Resistir e, claro, prevenir. 

Não consigo por isso compreender que haja instituições que continuam a pensar que é tudo uma brincadeira, que abrindo janelas e arejando salas todas as infeções se evitam.  Como é possível? Como posso aceitar, e obedecer, a ordens que convocam professores para reuniões presenciais quando, penso eu e dizem os cientistas, quanto mais isolados todos nos mantivermos, com maior eficácia poderemos evitar contágios? 

Dizem-me, argumento oco de razão e longe de inteligência, que as salas são grandes, que se arejam. Eu rir-me-ia se não tivesse uma incrível vontade de chorar! Não percebo! Às vezes, penso cá para mim, parece haver decisões que têm como único propósito e sustentação mostrar serviço, afirmar o tal pequeno poder que tanto me irrita!

E eu hoje estou assim. Irritada. Revoltada. Triste. Sem forças para alinhar, calada,  na estupidez vigente.