Tenho a sensação que quantos mais anos passam, menos compreendo a lógica, e juro que quero crer que ela existe, de muitas das medidas das Escolas. Acredito, um acreditar que tem alicerces teóricos e práticos, que a avaliação é uma das dimensões fundamentais da vida das Escolas, e dos alunos, e deve, por isso mesmo, ser rigorosa e objectiva.
No entanto, penso que a avaliação não pode ser, não deve ser, apenas punitiva (vejo-a como reguladora de um processo, facilitadora de mudança) mas, infelizmente, parece que nas Escolas, com a busca frenética da objectividade, só classificar importa. Avaliar um aluno parece ser, agora, medi-lo, pesá-lo e catalogá-lo. Discutem-se, em exaustivas reuniões de preparação do ano lectivo, pesos por período, pesos de testes, pesos de trabalhos e sei lá mais o quê. Parte-se do princípio, para mim absurdo, que todos os alunos são iguais, que partiram todos do mesmo patamar. Diz-se que o 1º período vale 35%, o 2º 30%, o 3º 35% e garante-se que isto é avaliação contínua. Faz-se uma fórmula, ou um algoritmo (lindo...) e lançam-se números. O João, aquele miúdo de caracóis e fita que declama Pessoa e recusa ler Sttau Monteiro, passa a ser o resultado de = 1ºP x 0,35+ 2ºP x 0,3 + 3º P x 0,35. O Renato, aquele que, apesar do seu metro e noventa, cora até às orelhas quando tem de dar uma opinião em público, é, também, o resultado de = 1ºP x 0,35+ 2ºP x 0,3 + 3º P x 0,35. E até a Ana, com as unhas de florinhas e resposta pronta, fica reduzida ao mágico algoritmo/forma: 1ºP x 0,35+ 2ºP x 0,3 + 3º P x 0,35. A objectividade e o rigor ficam garantidos, asseguram-me. Dizem-me, ainda, que em cada período todos farão dois testes, uma apresentação oral e, que sorte!, ainda ficarão 10% para o "Saber Ser", um nome sonoro para avaliar as atitudes e os valores...
Estarei louca? Terei estupificado de vez? Onde fica a valorização da progressão? Onde fica a individualização do processo de ensino e aprendizagem? E para que são 10%, ou 20%, para "atitudes e valores"? Que atitudes, e que valores? Os meus? Os do meu colega? Os do guarda nocturno? Os de casa do aluno? E será que, numa sociedade humana, atitudes e valores só valem 10%? É a única coisa com que concordo: - Atitudes e valores andam mesmo muito pouco valorizados, objectiva e subjectivamente, nos dias que correm.
Esta noite, com uma insónia incómoda, agradeço já não ter filhos na Escola e desejo, convictamente, que os meus netos possam crescer longe deste Portugal .


Quando, olhando o polvo gigante, me ouviu dizer que daria um belo arroz, indignou-se. É bom ver o Manel Bernardo a crescer, descobrindo o mundo, vivenciando novas realidades. Eu, que concordo inteiramente com a minha amiga Maria João - Quando se é professor, é-se para sempre professor -, fiquei com vontade de ver o velho Aquário Vasco da Gama, impecavelmente cuidado, com funcionários de extrema simpatia e profissionalismo, cheio de miúdos a crescer. Fez-me alguma confusão, alguma..., encontrar o Oceanário cheio e o Aquário vazio. Às vezes, talvez consequência desta vida apressada e mediatizada que vivemos, vamos atrás da modernidade e desvalorizamos aquilo que, ainda que menos moderno, tem grande valor. Como professora, sou uma convicta defensora das visitas de estudo. Sempre, mas SEMPRE, os miúdos, seja em que idade for, saem enriquecidos destas actividades. O ano passado, quando fui com um grupo de 24 alunos a Estrasburgo, houve uma aluna, 17 anos, que me disse: - Aprendi mais aqui num dia do que numa semana de aulas!. Eu não quero exagerar assim tanto mas, sem dúvida, nestas saídas aprende-se sempre muito. Gostava que os meus colegas de ensino básico, sobretudo 1º e 2º ciclos, não se esquecessem do Aquário Vasco da Gama. Merece uma visita! O meu Manel Bernardo foi apresentado ao Sr. Vasco da Gama (sim, nada de confianças com estes Senhores da História) e até o achou simpático...