Embora não seja grande apreciadora da escrita de José Saramago, rendi-me já ao Memorial do Convento. Talvez o facto de ter de fazer os meus alunos gostarem dele, aliado às muitas leituras que já fiz, sem dúvida por influência de uma formação (EXCELENTE) que fiz sobre o programa, a obra cativa-me e, todos os anos, volto a ela com redobrado prazer. Hoje, tem ecoado em mim uma frase que Blimunda, apaixonada por Baltazar, profere: - Juro que nunca te olharei por dentro! Sensibiliza-me a ternura mas, sobretudo, emociona-me a confiança total. Serão um, sendo dois.
Quando oiço histórias de maridos e namorados que violam correspondência, que espreitam sms, que exigem a entrega de passwords de emails, lembro-me de Blimunda... É bom amar com confiança, com total entrega mas, creio eu, com a garantia de que não seremos olhados por dentro. É bom ter-se a certeza que ninguém nos roubará a vontade (ainda que esta seja só uma nuvem escura sobre o estômago)! Quando trabalho, com os meus alunos crescidos, o amor de Baltazar e Blimunda, destaco sempre o respeito e a confiança que caracteriza a relação. Gostava mesmo que houvesse muitos Baltazares (de preferência não manetas) e muitas Blimundas na juventude de hoje...
A violência da desconfiança, a falta de amor de entrega, a capa do social a disfarçar a verdade...
ResponderEliminarTantos exemplos de falta de respeito e de confiança.
Cumprimentos.
...Nunca olhei o Sô Saramago, muito, por dentro...confesso...
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