domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa

Bem cedo os miúdos invadem a cozinha. De camisa e roupão, ela faz torradas, aquece leite e tenta acalmar a euforia dos netos. Lembra a voracidade do tempo, (há tão poucos minutos eram os filhos que se ajoelhavam nos mesmos bancos gastos!), e pede silêncio. Sim, o coelhinho vai passar, todo branco, deixando ovos escondidos pelo jardim; sim, todos irão procurar e, claro, é possível comer muitos e ignorar as imposições maternas. No Domingo de Páscoa o chocolate não faz dores de barriga, garante. Os miúdos riem, nervoso miudinho, e ela acende a grande lareira para aquecer os pés gelados que sempre perdem os chinelos no caminho.
É bom ter a casa cheia, pensa. É bom poder conservar memórias, alimentar tradições e criar cumplicidades com os seres fantásticos que são os netos! Conscientemente, deixa no fundo do baú castanho as saudades e as desilusões. O tempo, pelo menos hoje, faz-se de esperança e Fé!

3 comentários:

  1. Mais um dia de Páscoa, um dia cheio de memórias, um dia de tradições a conservar, um dia para procurar o ovo de chocolate escondido pelo coelho, para trincar amêndoas doces, um dia para ressuscitar uma nova vida...
    Boa Páscoa.
    Cumprimentos!

    ResponderEliminar
  2. É bom que seja assim: esperar que o coelhinho branco passe. Que linda avó essa senhora! Que linda jovem era e como eu a admirava!
    Agora chegou a vez de "nós" sermos avós, mas eu "recuso-me". E como ainda não tenho netos...
    Beijos

    ResponderEliminar
  3. Os bons momentos, os de verdadeira ternura e cumplicidade, são sempre de guardar!

    Cumprimentos

    ResponderEliminar