sexta-feira, 24 de março de 2017

POUCA VERGONHA?? Ou...

Quando eu penso que está esgotada a minha capacidade de indignação, eis que algo surge para me lembrar que, afinal, o absurdo é infinito. 
Estou revoltada, indignada e, admito, também ofendida. Falo, concretamente, do que acontece com os Agrupamentos de Exames que funcionam dois meses no ano, coordenando os exames por distrito, que são constituídos por PROFESSORES CONVIDADOS que são pagos com valores elevados. Não sei se é este o valor real, mas não será menos de três mil euros por cada professor, a juntar ao vencimento mensal. 
Acho absurdo que sejam professores convidados, mais ainda podendo ser docentes que nem sequer têm vínculo ao sistema. Mas acho ainda mais absurdo, e escandaloso, que seja possível um professor passar um ano lectivo gozando - literalmente!- de atestado médico e ingresse nesta privilegiada equipa. 
Duvido da necessidade de um Agrupamento de Exames, questiono a complexidade do trabalho desenvolvido mas, muito para além disso, revolta-me o que encaro como oportunismo e sem vergonhice. Estou revoltada! Porque eu acho que os professores são, ou deveriam ser, profissionais sérios e isto é, para mim, uma clara desonestidade! Será que a comunicação social sabe disto? Será que os Sindicatos pactuam com esta forma de agir? Infelizmente, de nada serve a minha revolta indignada. Somos um país de hipocrisia e aparência...

segunda-feira, 20 de março de 2017

AZEDUME

Há pessoas azedas. Não azedas porque passou o prazo de validade, como os iogurtes, mas azedas por terem, muitas vezes elas próprias, falhado os prazos de validade de vida. São pessoas que carregam na boca balas, atingem quem se aproxima e nunca, ou raramente, são capazes de elogiar a diferença, sobretudo se ela é de qualidade. Estas pessoas circulam por aí, orgulhosas e frias, arrotando sentenças e verdades que, quase sempre, ficam curtas aos outros. As pessoas azedas, acho eu, deviam usar um rótulo identificativo, como os da ASAE, para que soubéssemos, incautos mortais, os riscos que corremos por andar por perto.
Não gosto de pessoas azedas. Não gosto de quem nunca sorri, de quem sempre agride e insulta, de quem não é capaz de elogiar ou mimar.
Gosto de pessoas positivas, que se entregam e se dão, que aceitam mesmo sem compreender, que discordam sem condenar. Gosto de palavras boas, e acredito, como o Principezinho, que podemos sempre cativar o outro para, exactamente, cuidar dele. 

domingo, 19 de março de 2017

Dia do Pai

Olá, Pai,
Estás aí? A minha fé insegura diz-me que sim. Que continuas vendo-me, amparando-me. O pragmatismo do meu neto faz-me sorrir, avó no céu não está ninguém porque eu já lá fui muitas vezes, e duvidar também. Dizem-me, as vozes da razão, que estás vigilante. Pai, às vezes não te sinto mais. E tenho tantas saudades, fazes-me tanta falta.
Tenho-te na memória, nas conversas pelos campos espreitando a caça, nos almoços de domingo que sempre gostavas de fazer fora, na mesa
cheia de amigos, ao pé da fonte. Sabes Pai, já não há fonte. Já não há a varanda de onde, garantias tu, se espreitássemos por baixo das pernas se via ao mar. Não há nada, Pai! 
Há, agora, um imenso vazio, uma ausência de colo que me fere e faz sofrer. Tudo desapareceu, como tu, deixando em mim uma dor que sangra a cada dia. Um dia eu vou também, com o Tempo, para esse lugar talvez inexistente onde, se não estiver mais o teu abraço, estará a paz do nada. Fazes-me tanta falta... Hoje, era o teu dia. Coisas os homens, porque, quando se ama um Pai como eu te amo a ti, o calendário não chega. Agora Pai, já não vou para casa. Porque não há casa, não havendo tu. Queria tanto-tanto dar-te o beijo que te envio ...

domingo, 12 de março de 2017

AVALIAR?

Um destes dias, na escola onde trabalho, discutia-se a avaliação. É, admito, um tema que me é caro, que me preocupa e mobiliza. Avaliar, não tenho dúvidas, é sempre formular juízos sobre algo, ou alguém, e tem sempre, necessariamente, uma carga de subjectividade. Penso, pois, que muito mais importante do que avaliar aquisições, ou aprendizagens, a Escola devia avaliar PARA as aprendizagens. Ou seja, não se limitar a classificar instrumentos de avaliação e, muito para além disso, fornecer ao aluno, a cada aluno individualmente, ferramentas, pistas, indicações, que lhe permitam ultrapassar as dificuldades e aprender de facto Dizia-me então uma colega que com trinta alunos isso é utopia. E eu SEI que não o é! Basta que cada professor trabalhe de outra forma, que organize a sala de aula de modo a permitir que o processo se centre mais no aprender, do que no ensinar. Eu acredito, e sei como fazer!, que a Escola de hoje tem de se transformar num lugar de desenvolvimento de competências, de inclusão, e não de exclusão. Eu acredito que a Escola tem de ser um lugar de sucesso e não de frustração.
Às vezes, quando encontro alguns colegas como esta que refiro, apetece-me desistir de lutar por uma Educação melhor. Mas desistir da Educação é desistir das PESSOAS, e isso eu nunca farei.

quarta-feira, 8 de março de 2017

DIA DA MULHER

É hoje o dia da Mulher. Sim, devia ser todos os dias. 
E o dos homens, também! Devia ser a cada dia, a cada hora, Tempo das Pessoas. Das dos afectos, das dos saberes, das das cumplicidades efectivas. Devia ser sempre tempo de homenagear todos, de sorrirmos, de brincarmos e ofereceremos flores. Mas, como isso não é possível, é bom que haja no calendário o Dia da Mulher. 
Não por causa das rosas vermelhas, ou dos jantares no feminino (nunca fui, não sei como é), ou sequer pelos cumprimentos mas, sobretudo, porque faz sempre sentido, pelo menos para mim,lembrar a luta que, desde há séculos, talvez desde sempre, a mulher vem travando para provar a sua identidade.
Eu gosto de ser Mulher. Gosto de usar vestidos e saias, gosto não ter pelos, gosto de poder carregar um filho dentro de mim. Mas, sobretudo, eu gosto de ser pessoa no feminino e, para não tornar o meu texto circular, vou mesmo acabar por aqui sem frisar que o importante mesmo é, sendo homem ou mulher, ser-se Pessoa!

terça-feira, 7 de março de 2017

Perfil do Aluno

Está em discussão a proposta de perfil do aluno, apresentada pelo Ministério da Educação. Estranhamente, nas escolas pouco (ou nada) se ouve dizer. 
Parece-me, sem dúvida, uma proposta necessária, urgente e pertinente. O Mundo mudou, o telefone mudou, o automóvel mudou, a forma de cozinhar mudou e a Escola, por absurdo, parece insistir em não mudar! O aluno de hoje não é nem parecido com o aluno que tínhamos há 10 anos. DEZ anos, não cem! Mas a Escola insiste em pouco fazer e, hipocritamente, parece surpreender-se com o insucesso crescente e com a agressividade latente.
O perfil do aluno vem dar forma de letra a um novo paradigma, vem sugerir (impôr) uma nova forma de ensinar, uma nova forma de olhar a Escola e, sobretudo, muitas novas formas de dinamizar a sala de aula. São enormes os desafios que se colocam aos professores e, por isso mesmo, não consigo compreender tanta indiferença, ou resistência?, por parte de grande parte do corpo docente.
Pessoalmente, agrada-me o que li sobre o novo perfil do aluno. Acredito que é possível transformar a Escola num espaço com sentido e, decididamente, defendo que a Escola é um lugar vocacionado para o sucesso, e não para o insucesso e exclusão. Talvez a minha jornada seja solitária, mas vou continuar a fazê-la...

domingo, 5 de março de 2017

Reles

À hora do almoço, o telejornal abriu com a notícia da reeleição de Bruno de Carvalho. Foram dez minutos dedicados ao futebol, foi o discurso de presidente que, com voz rouca, garantia seguir as pisadas do tio avô, o ex-ministro Pinheiro de Azevedo, anunciando, e cito "Badamerda para todos os que não são do Sporting"!. Nem pestanejei. Nem me indignei porque, afinal, a gente acostuma-se a tudo... É elucidativo, contudo, a escolha do vocabulário. 
Eu não sou do Sporting, nem sequer é o Sporting que está em causa. O que está em causa é a pouca (ou nenhuma) educação, ou  competência cívica. O que o presidente do Sporting disse, infelizmente, qualquer outro dirigente, desportivo ou não, poderia dizer... Talvez seja moderno, e eu esteja velha. Mas ninguém me convence que modernidade seja sinónimo de mediocridade!