quinta-feira, 18 de abril de 2019

DESAFECTOS

Repetições, não existem. Cada momento é singular, irrepetível e, por isso, esta não é a repetição da Páscoa, esta é a única Páscoa de 2019. Como cada desilusão dói sempre, como cada paixão só faz sentido na exclusiva singularidade intensa de cada momento. Não me digam que temos tempo, que a vida é longa. Não. A vida é uma sucessão alucinante de segundos, e é impossível olhá-la com a calma que pedem. Não, não estou ainda vacinada contra a maldade. Não, ainda não consigo ignorar a violência de algumas palavras, a injustiça dos desafectos. Quero viver cada segundo. Assim, de forma exclusiva. Nunca serei, admito, uma residente do tempo, mas serei, sempre, a incurável viajante da ilusão.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Notre Dame

Fui a Paris várias vezes, em diferentes situações. Paris, para mim que estudei Francês, que devorei Balzac, Camus, Yourcenar, entre outros, é sempre um lugar carregado de sentidos. Gosto das esplanadas com vidros, do Sena preguiçoso, das pontes, dos monumentos por cada rua. Mas, de todos os lugares, Notre Dame é o meu preferido. Quantas vezes lá entrei? Quantas vezes me sentei, no café da esquina ao lado, olhando aquele mundo de história e de histórias? 
Agora, Notre Dame ardeu. E fica-me uma dor funda, indizível mesmo. Há-de ser reconstruída, garantem. Mas nunca mais será a mesma!

sábado, 13 de abril de 2019

Netos

Quando os netos estão comigo, o meu quotidiano ganha sentido. Ouvi-los rir, contar histórias, sentir os abraços apertados, dizer muitas vezes que sim, enchem-me de vontade de viver. Penso,agora que eles dormem sossegados, que é este o verdadeiro sentido da minha existência.




terça-feira, 9 de abril de 2019

SEMINÁRIO

É já o terceiro Seminário do CEFOPNA que ajudo a organizar. São sempre, na minha opinião, momentos e oportunidades para partilhar angústias, para ouvir diferentes propostas, para conversar sobre o que de mais essencial acontece na Escola Portuguesa. Este ano, o título é mesmo Na Educação Acontece. E está a acontecer tanta coisa… coisas boas, coisas menos boas também. Tenho grandes expectativas em relação ao dia 17 de Maio! Aguardo, com verdadeiro interesse, o dia em que, no belíssimo Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre os professores, os autarcas, os pais e encarregados de educação, todos a quem a educação interessa, se vão reunir para tentar fazer mais e melhor!
Eu sonho, espero, desespero, desisto e volto na acreditar. Acredito, mesmo, que é com a comunidade que a transformação vai ser realidade! 
Com certeza, não ficarão resolvidos, num dia longo de trabalho, com colaborações tão significativas como o Professor David Justino, a Professora Ariana Cosme, entre outros, todas as dificuldades da Escola. Mas, de certeza absoluta, no dia 18 de Maio os participantes estarão mais habilitados a ajudar na construção de mais sucesso.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

NOVA ERA

A vida cumpre-se em ciclos. Em idades, talvez. Eu estou a entrar na era das perdas… 
À medida que aumentam as perdas, as ausências, quando as molduras dos ausentes ocupam o maior espaço da casa, começo a olhar para trás e a achar que há mais passado do que futuro. 
Tenho um enorme volume de perdas e, se algumas me aliviam pela injustiça de quem quis livremente partir, outras doem-me muito fundo. 
Entrei na era das perdas. E, ainda assim, sonho com haveres. Contrassensos de vida. 

domingo, 7 de abril de 2019

DANÇAS?

Queres dançar comigo? Não é preciso seres bailarino, basta quereres encontrar o ritmo certo no meu abraço. Isso, envolve-me  a cintura e deixa correr o disco. É um disco antigo, vinil ainda, devolve-nos as festas de garagem, lembras-te? Então, era slow. Bastava arrastar os pés e sentirmos que pertencíamos um ao outro, fácil. Agora, é mais difícil, acho que perdemos o ritmo. Mas podemos tentar, vá lá. Abraça-me. É bom sentir-me segura, balancear levemente, sentir o teu perfume perto, encostar-me e apertar a tua mão. Havemos de reencontrar o ritmo perdido, não é? Porque, por muito que a música seja diferente, só sei dançar nos teus braços.
Queres dançar comigo? 

sábado, 6 de abril de 2019

COMER,ORAR e AMAR

Devo ter visto o filme Música no Coração mais de vinte vezes. Ainda assim, sempre choro e sempre sofro quando a família Von Trapp  se esconde no cemitério... Quando estive em Salzburgo, olhando as montanhas e a cidade linda, esperava ver surgir um horroroso alemão a cada esquina, ouvia dentro de mim a Maria a cantar e cantarolava, em silêncio e só para mim, o edelweiss. A Música no Coração era, para mim, uma referência de jovem, de adulta também.
Agora, o filme das valsas e da paixão entre montanhas, corre o risco de ser ultrapassado pelo Comer, Orar e Amar. Vi, pela primeira vez, o filme no cinema. Depois, comprei o DVD e revi muitas vezes. Agora, com a vantagem que a Netflix oferece, vejo regularmente. 
Gosto da actriz Julia Roberts, do actor Javier Bardem, de cenários naturais e belos. Mas, neste filme, é a procura de um sentido para o eu que me cativa. Em Roma, como a actriz (salvo as devidas proporções) , também tentei encontrar um sentido para a minha existência. Não estava nas pizzas, não o achei no osso buco, nem sequer o descobri nas muitas igrejas. Ao contrário de Júlia Roberts, não fui para a Índia, não procurei um guru. Não só não fui por não ter dinheiro para isso como, muito a sério, seria dos últimos países para onde escolheria viajar. Detesto humidade, choca-me a miséria, odeio insectos! Também nunca fui a Bali, nem sequer tenho fé nos videntes, mas conheço muito bem o confronto com uma realidade onde não nos sentimos confortáveis. Conheço, na primeira pessoa, a fraqueza de não conseguir partir, mudar tudo, procurar o tal sentido (será que existe?) que nos faz falta a cada respirar. Rezo. Não em Bali, mas por aí. Rezo, agradeço, peço perdão e falho. Não me realizo. Amo. Apaixonadamente as minhas filhas e netos! Mas, ainda assim, muitas vezes me sinto sem rumo. Perdida. Sem razão de existir. Como a actriz, só que na realidade!
Comer, orar e amar não é um grande filme. Não é uma obra-prima, não tem um argumento incrível. Mas tem alguma coisa que me toca e encanta.
E pronto, lá vou eu, de novo, ligar a Netflix...