terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

SORRISO PARTILHADO

Já tinha chegado a noite quando pararam os dois na área de serviço da movimentada auto-estrada. Ele num carro alemão, escuro; ela num japonês, claro. Mais rápida ela saíu e ele, ainda com a porta aberta, sorriu-lhe. Respondeu-lhe sem porquê e seguiu. Pediu um café, resistiu ao pastel de nata, e ficou olhando as notícias da Grécia que a grande televisão transmitia. Ele entrou depois, pediu um café, uma empada, e pousou o tabuleiro junto dela. Ficaram em silêncio, olhando a Grécia.  Isto vai dar mau resultado, comentou ele. E ela concordou. Mas era bom que resultasse, acrescentou. Ele sorriu de novo. Viaja sozinha, também. Pois, respondeu monossilábica. Eu também, vou a caminho de Valença. Eu vou para Ponte de Lima, esclareceu, fico mais perto. 
Sairam juntos. Ela entrou no carro japonês. Ele abriu o carro alemão e desejou-lhe, sorrindo, boa viagem. Para si também, devolveu amável.
Podia ter dado uma história gira, um romance tórrido, um policial violento. Mas não deu nada, ficou só assim mesmo, num sorriso partilhado a meio de uma viagem solitária.

2 comentários:

  1. A imaginação sempre pode dar continuidade à história...

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    1. Sim, porque também foi na imaginação que ela começou...

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