quinta-feira, 3 de agosto de 2017

DANÇAR

Olá,
Escrevo-te a ti. A ti que não  existes, a ti que, às vezes, pareces existir no outro lado do meu eu. Escrevo-te porque me apetece conversar. Não quero conselhos - estou tão farta de quem sabe tudo! -, não quero razões alheias - ficam-me curtas -, não quero sequer concordância - não podes concordar com o absurdo!
Quero, só, que oiças. Ou leias, o que, neste caso, é exactamente a mesma coisa. Ouve então. 
Ouve o descompasso do meu coração, ouve o desejo contido de um quotidiano diferente. Não fales! Ouve a minha mágoa de não conseguir ser outro eu, escuta o meu desejo de paradoxos absolutos. Com atenção, sem suspirares de cansaço, deixa-me enumerar os meus medos. Os medos de cada hoje. Dessa fileira de hojes que, abusivamente, transformam o futuro em ontem.
Estás cansado de ler? Só mais um pouco. Um pouco para te contar da macieza da areia, na zona da rebentação do mar que me assusta. Um pouco para te lembrar a música que faz o barco, quando rasga ondas. Música... Aquela que nos ilumina no abraço ritmado. 
Isso. Vamos dançar?

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