segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dois Poetas Irmãos

Não é um negrilho. Não a vi em São Martinho de Anta. É um sobreiro, vive na minha Serra, e é um poeta também. Quero crer que Miguel Torga não acharia abusiva a comparação:


A um negrilho

Na terra onde nasci há um só poeta.
Os meus versos são folhas dos seus ramos.
Quando chego de longe e conversamos,
É ele que me revela o mundo visitado.
Desce a noite do céu, ergue-se a madrugada,
E a luz do sol aceso ou apagado
É nos seus olhos que se vê pousada.

Esse poeta és tu, mestre da inquietação
Serena!
Tu, imortal avena
Que harmonizas o vento e adormeces o imenso
Redil de estrelas ao luar maninho.
Tu, gigante a sonhar, bosque suspenso
Onde os pássaros e o tempo fazem ninho!

Miguel Torga in Diário VII (1956)

3 comentários:

  1. Sobreiro majestoso e lindo!

    Só a Serra de São Mamede para lhe dar vida e guarida!

    Bjs

    ResponderEliminar
  2. Um sobreiro imponente. O que é um negrilho? Vou ver na net.
    Beijinhos
    Ana

    ResponderEliminar
  3. Lindo Sobreiro (alentejano,claro) e lindo poema...
    beijos

    ResponderEliminar