quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O meu dia D

27 de Agosto de 1925. 27 de Agosto de 1981. Duas datas, na mesma data, a marcar momentos com significado para mim. Dia de anos do meu Pai. Dia que era, sempre, de grande festa em casa, de muitos amigos, mesas na rua, gargalhadas e amizade verdadeira. O meu Pai gostava de festas, de se ver rodeado de amigos, de abrir a Casa a todos aqueles que estimava, e eram tantos!, em torno de bons petiscos. Um dia eu, completa e profundamente apaixonada, resolvi tornar maior a festa dele e casei-me no mesmo dia. Foi o Dia D da minha vida, o dia em que todos os impossíveis eram verdades absolutas. A Casa voltou a engalanar-se, vieram os amigos, encheu-se a Igreja do Reguengo e, à noite, voei para Espanha numa Dyane Argent cheia de pedrinhas nos tampões das rodas, presente dos amigos (as pedrinhas, claro!). Então, há já 28 anos, o mundo parecia-me pefeito e eu, nós, achavámo-nos capazes de reinventar a existência.
Hoje, a Casa já não se enche para mim. As minhas memórias doem de saudade forte e o meu Pai faz-me a cada dia mais falta! Hoje, na Missa, vou conversar com ele e pedir-lhe que lembre ao Céu que eu existo. Hoje, em tempos de conflitos, julgamentos apressados, críticas e abandonos, a data faz doer.

1 comentário:

  1. A minha avó do Gavião adorava o Dr. Emílio! Apesar da idade (81), ainda se lembra (bem) dele...
    Irão haver ainda muitos dias D para comemorar, professora/amiga...Acredito! A nossa felicidade só para com a morte!

    Beijinho grande.

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